Terça-feira, 30 de abril de 2019

Bom dia,

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Em meio à incertezas políticas, indicadores econômicos se deterioram.
Ao final do dia ontem, tivemos novas sinalizações positivas a respeito da tramitação da reforma da Previdência, com Rodrigo Maia indicado que pretende enviar a proposta ao Senado no início do segundo semestre. Todavia, no curto prazo ainda há muitos percalços e incertezas, o que mantêm a volatilidade em alta e torna a recuperação da atividade ainda mais vagarosa. Destaque da agenda hoje, a PNAD contínua retrata um contexto econômico ainda bastante desafiador. No trimestre móvel findo em março, a taxa de desocupação foi de 12,7% contra 11,6% no final de 2018, com queda no número de trabalhados sem carteira assinada e estabilidade nas demais categorias. A confiança do setor de serviços piorou, pelo terceiro mês consecutivo, e a inflação ao produtor acelerou mais do que o esperado, com alta de 1,63% no mês passado.


 

Bolsas seguem pressionadas. Na Ásia, o PMI oficial do setor industrial chinês recuou de 50,5 em março para 50,1 em abril, abaixo da expectativa do mercado que projetava manutenção. O PMI de serviços também apresentou queda, saindo de 54,8 em março para 54,3 em abril. As bolsas europeias operam em queda, mesmo com o PIB da zona do euro vindo acima das expectativas de mercado e os números de desemprego de março, marcando 7,7%, marginalmente abaixo da expectativa. Na Alemanha, a taxa desemprego foi a que mais caiu, chegando a 3,5% e a confiança do consumidor para o mês de maio veio maior que o esperado, ficando em 10,4 pontos. O destaque negativo fica para as ações ligadas a commodities, pressionadas pelos números aquém do esperado na China. O futuro do índice Dow Jones, em NY, aponta para uma abertura no azul, com destaque para números acima do esperado no resultado do McDonald's, já o futuro da Nasdaq aponta para uma abertura no vermelho com o Google reportando receita abaixo do esperado. Vale lembrar que amanhã (feriado por aqui) tem reunião do FOMC no EUA.

 

                                     

 

Números do Santander (SANB11) tem boas e más notícias. O banco apresentou lucro um pouco acima do esperado nesses primeiros três meses do ano, fruto principalmente do bom controle de despesas e da forte redução na PDD. Do lado mais negativo, a carteira de crédito do Santander ficou praticamente estagnada nesses meses, com margem financeira praticamente flat, e as receitas de prestação de serviços e com tarifas caíram 4,1%. Apesar do lucro acima do esperado, a estagnação da carteira pode pesar um pouco sobre os papéis do banco no pregão de hoje.
   
Resultado sem surpresas da CCR (CCRO3). A companhia ainda sente os efeitos da recuperação muito lenta da economia, com o tráfego nas estradas, já descontando os efeitos da isenção dos eixos suspensos, cresceu apenas 0,9% na comparação anual. Ainda assim, a companhia conseguiu entregar crescimento de 12% na receita líquida pró-forma por conta das novas concessões, como a ViaMobilidade, que controla a linha lilás do metrô de SP, e a ViaSul, que ganhou o leilão da Rodovia da Integração do Sul, trecho de 473,4 km no RS. Com essas novas concessões e os investimentos em curso, o endividamento também cresceu na comparação com o 1T18, de 2,2x o EBITDA para 2,6x agora, o que elevou as despesas financeiras. Além disso, ainda houve impacto no lucro líquido de provisões decorrentes dos acordos com o MP, no valor total de R$ 28,3 milhões. Com isso, o lucro líquido veio 19,9% menor. Não esperamos uma reação muito forte do mercado, tendo em vista que os números vieram dentro do esperado.

Ecorodovias (ECOR3) também não foge muito do esperado. Tráfego ainda fraco e margens pressionadas pelos custos relacionados à entrada em operação da ECO135 (R$ 11 milhões), em MG, e também pelas despesas relacionadas às investigações em curso envolvendo a companhia (R$ 7,1 milhões). A receita líquida veio 0,7% menor na comparação anual, impactada também pela não cobrança de pedágio sobre eixos suspensos dos caminhões. O custo caixa avançou 18,8% pelos motivos mencionados acima. Além disso, a companhia tem acelerado os investimentos, com a adição de novas concessões, como a própria ECO135, além da continuidade da duplicação da ECO101, que administra o trecho da BR-101 no ES. Com isso, o endividamento se elevou, assim como as despesas financeiras, pressionando bastante o lucro da companhia.

Resultado sólido da Multiplan (MULT3). A companhia teve um aumento de 2,4% nas vendas das lojas em seus shoppings, 2,1% no conceito “mesmas lojas”. A receita líquida avançou 5,4% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A companhia viu suas margens um pouco mais pressionadas nesse começo de ano, com o EBITDA e o FFO crescendo um pouco abaixo da receita. Vale mencionar o aumento, ainda que pequeno da vacância, o que ajuda bastante a explicar essa pressão, pois além de reduzir o top line, eleva os custos da companhia. Não esperamos um impacto muito relevante dos números nos papéis da companhia.

Venda de seminovos é destaque na Movida (MOVI3). A companhia apresentou um resultado com avanços em relação ao 1T18, com destaque para contínua evolução nos negócios de rent a car (+21% na receita líquida) e terceirização de frotas (+53%), além da boa recuperação na venda de seminovos (+39%). Do lado negativo, a margem de seminovos seguiu bem negativa. A depreciação da frota da companhia aumentou nesse trimestre, o que talvez ajude a elevar a margem de seminovos no futuro, trazendo para próximo de zero.

Gol (GOLL4) divulga resultado e revisa projeções. A cia aérea entregou bom crescimento de receita na comparação com o 1T18, de 8,3%, mas a principal linha de custos (combustíveis) acabou apresentando forte elevação de 13,6%. Ainda que o preço médio do petróleo no mercado internacional tenha ficado menor (a alta mais forte veio no final do período), o câmbio acabou pressionando o preço por litro em real. Além disso, a companhia revisou suas projeções para o ano de 2019 consolidado, cortando o lucro por ação estimado da faixa de R$ 2,40 a R$ 2,80 para entre R$ 1,20 e R$ 1,60. Papéis devem responder negativamente à divulgação
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Resultado sem surpresas da Transmissão Paulista (TRPL4). O desempenho operacional da companhia continuou consistente, porém, a sazonalidade sobre o recebimento da indenização de ativos (que foi maior no primeiro ciclo) impactou os números do trimestre, levando ao recuo de 10% no EBITDA regulatório, frente ao 1T18. Desconsiderando esse efeito, o EBITDA teria avançado 15% na mesma base de comparação. O efeito positivo da inflação sobre as tarifas e a entrada em operação de projetos de reforço e melhorias compensou parcialmente a queda no faturamento. A margem EBITDA recuou de 84% para 81% em um ano, enquanto o menor resultado de equivalência patrimonial e a maior despesa financeira do trimestre trouxe pressão para o resultado final. De toda forma, vislumbramos a divulgação não deve influenciar de forma relevante os papéis da companhia hoje.

RD (RADL3) continua tendo margens pressionadas. A companhia apresentou no 1T19 um crescimento de 15,1% em sua receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse bom aumento do faturamento reflete as operações de drogarias que registraram aumento de 14,4% e da 4Bio que cresceu 33,9% no período em análise. As vendas mesmas lojas cresceram 5,6% em relação ao 1T18. O EBITDA veio menor em 0,77%, com margem EBITDA tendo uma pressão de 1,1 p.p., refletindo o processo de abertura de lojas e o mix de produtos com maiores vendas de genéricos. Por fim, o seu resultado final veio pior se compararmos com o mesmo período de 2018. Mesmo com melhor faturamento, a continuidade da perda de margem poderá esfriar o ânimo dos investidores no dia de hoje.

Venda de energia acelera na Copel (CPLE6). A temperatura mais quente do que a média neste início de 2019 e a recuperação da indústria no Paraná propiciaram a recuperação na demanda por energia neste primeiro trimestre, com a venda da distribuidora avançando 5% em um ano. Também houve aumento significativo nas vendas no mercado de curto prazo e na Copel geração e comercialização. Ao todo, o volume de energia vendida cresceu 13% frente ao 1T18. A divulgação traz uma perspectiva positiva para a divulgação do resultado deste início de ano, que será divulgado no próximo dia 14/05 (após o pregão). Logo, seus papéis tendem a reagir bem à novidade.

Magazine Luiza (MGLU3) compra Netshoes. O valor total da aquisição está estimado em aproximadamente US$ 62 milhões em dinheiro. O deal ainda precisa de algumas aprovações, como pelos acionistas da Netshoes e pelo CADE. Adicionalmente, a empresa informou que obteve êxito no direito de reaver, mediante compensação, os valores já recolhidos, devidamente corrigidos, de impostos (ICMS, PIS e Confins), no valor aproximado de R$ 750 milhões. Notícias bem positivas para a Magalu, tanto pelo valor que será revisto referente aos impostos, quanto a aquisição da Netshoes, haja vista que o valor da aquisição teve um grande deságio se consideramos o preço de fechamento de ontem.

Taesa (TAEE11) distribuirá proventos. O dividendo de R$ 0,1659 por unit será pago no próximo dia 14 de maio, com base na posição acionária dessa sexta-feira. Os papéis ficam ex, portanto, na segunda-feira, dia 06 de maio. O yield da operação é baixo, de apenas 0,6% frente à cotação de ontem.

Proventos da Fras-Le (FRAS3). A distribuição é de R$ 0,1886 por ação ordinária, o equivalente a um yield de 3,8%. Os papéis também ficarão ex em 06 de maio e o pagamento deve ocorrer na semana seguinte, no dia 15.

Minerva (BEEF3) lança a oferta pública da Athena. A companhia lançou o IPO de sua subsidiária Athena Foods na Bolsa de Valores de Santiago estimando que a operação deva ser concluída até o final do mês de maio, mantendo-se dentro do cronograma anunciado ao mercado.

 

 



Bons negócios