Quinta-feira, 28 de março de 2019

Bom dia,

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“Pare, chega!” O desentendimento, cada vez mais escancarado, entre Bolsonaro e Rodrigo Maia deve manter o mercado acionário pressionado na abertura dessa quinta, com o dólar em forte alta. A cada dia têm aumentado o pessimismo em relação à tramitação da reforma da previdência e os temores de que esse clima bélico entre o Planalto e a principal liderança da Câmara pode colocar tudo a perder. O relatório trimestral de inflação do Banco Central ainda reforça a leitura de desaceleração da economia, sem grandes novidades, com revisão da projeção para o PIB desse ano em 0,4 p.p.. Além disso, reforça o cenário mais desafiador no exterior, com o arrefecimento do crescimento das principais economias. Como temos comentado, o caminho até a aprovação da reforma deve ser bastante ruidoso, trazendo muita volatilidade para a Bolsa no curto prazo, ainda assim, as posições do governo e das lideranças no Congresso continuam favoráveis à reforma, o que mantém nosso viés ainda otimista em relação à perspectiva de médio/longo prazo para Bolsa.

 

Bolsas esperam notícias de Pequim. O dia é expectativa em torno do início de mais uma rodada de negociações entre EUA e China, dessa vez com autoridades americanas indo à capital chinesa. O sentimento do mercado é mais otimista em relação a um acordo, mas sem sinais mais claros, dificilmente teremos um movimento forte de alta, especialmente por conta dos temores quanto à desaceleração da atividade global, que tem pressionado os yields dos treasuries americanos e fortalecido o dólar contra as demais moedas, principalmente frente às divisas dos emergentes. Os principais índices operam ou já fecharam sem uma variação muito forte hoje e os futuros de NY também apontam para uma abertura próxima da estabilidade, ainda que no campo positivo, por ora. Na agenda, destaque para a revisão do PIB americano no 4T18 e para os pedidos de auxílio desemprego por lá. Mercado também deve ficar atento aos diversos discursos de representantes do Fed no decorrer do dia, que podem dar uma sinalização mais clara sobre a condução da política monetária no decorrer do ano.

 

               

 

Mais um resultado consistente da Vale (VALE3). Em linha com as expectativas, os números da Vale, ante da tragédia de Brumadinho, foram robustos no 4T18, com o EBITDA aumentando quase 9% em um ano, com ganho de margem e o lucro líquido saltando dos US$ 771 milhões registrados no 4T17 para US$ 3,786 bilhões agora. Além do maior preço do minério de ferro, o menor custo com frete e os esforços da companhia para redução de custos e despesas também favoreceram o balanço. O fluxo de caixa livre continuou como destaque positivo, assim como a redução de sua alavancagem, com a dívida líquida caindo dos US$ 18 bi registrados há um ano para US$ 9,6 bi agora, o equivalente a 0,6x o EBITDA. O relatório, entretanto, não trouxe nenhuma atualização sobre os desdobramentos do rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, seja em termos operacionais ou financeiros. Dessa forma, vislumbramos que a divulgação em si deve ter pouca influência sobre os papéis da companhia. Entretanto, a teleconferência, com início às 10 horas, e o depoimento de Fábio Schwartzman no Senado, na CPI que investiga o caso de Brumadinho, certamente trarão volatilidade à Vale no pregão de hoje.

Eletrobras (ELET6) volta a dar lucro.
Em mais um balanço repleto de não recorrentes, como a reversão de provisões e o resultado positivo com a venda de controladas, a elétrica reverteu o prejuízo bilionário de 2017 em lucro líquido de R$ 13,3 bilhões em 2018. Em termos operacionais, destaque positivo para o controle de custos e despesas no 4T18, com redução principalmente na rubrica de pessoal. Houve queda também nos dispêndios com compra de energia e leve aumento na receita de geração. Assim, o EBITDA ajustado mais que dobrou no trimestre, com a margem chegando a quase 40%, contra os 15% do 4T17. Além do balanço, a companhia propôs a distribuição de 25% do lucro líquido em dividendos, o equivalente a R$ 1,3886 para ações PNB e R$ 0,8105 para as ON. O yield é de 3,9% e 2,4% respectivamente. Os papéis devem ficar ex em 30 de abril e o montante será reajustado pela Selic até a data do pagamento, que deve ocorrer até o fim de 2019.

Ser (SERR3) reporta desempenho do 4T18.
A receita líquida no 4T18 apresentou um aumento de 3,5% em relação ao 4T17, decorrente principalmente do aumento do ticket médio, em virtude da melhoria do mix de cursos, com destaque para o aumento da base de alunos na área de saúde. O EBITDA ajustado por efeitos não-recorrentes cresceu 47,7%, com margem EBITDA ajustada maior em 5,7 p.p.. Essa melhoria deve-se à implantação com sucesso do plano de ação para readequação da estrutura de custos e despesas realizada. O lucro líquido ajustado ficou 142,7% maior. A companhia ainda anunciou a distribuição de dividendos no valor de R$ 0,2849 por ação, a serem pagos até o dia 24 de maio, com as ações ficando ex-dividendos no dia 7 de maio. Para 2019, a companhia está mais confiante, mesmo com um cenário ainda bastante complicado, dado o alto nível de desemprego. A captação de alunos de graduação vem crescendo, até o dia 26 de março, o crescimento foi de 15,1% na comparação com a mesma data em 2018, sendo a captação de alunos de graduação presencial com crescimento de 5,9% e EAD de 47,3%.

Positivo (POSI3) reduz seu prejuízo, mas resultado continua aquém do esperado.
A companhia reportou redução em seu prejuízo neste 4T18 quando comparado ao 4T17, refletindo em grande parte os impactos pelo reconhecimento de provisão para estoques obsoletos, adesão a parcelamento fiscal, despesas de fechamento de fábrica na Argentina e com a finalização da migração da produção para Manaus, tudo isso no 4T17. O EBITDA veio melhor, refletindo a recomposição de margens proporcionada pelo repasse aos preços da valorização do dólar, bem como o forte controle do custo e despesas. Já o faturamento líquido consolidado apresentou redução de 7% na mesma base de comparação, sendo prejudicado pela divisão de celulares e governo. Para 2019, a companhia acredita que a divisão corporativa e de varejo possam apresentar melhores vendas, dada a perspectiva de melhoria da economia. Já em celulares e governo a companhia acredita que o ano de 2019 seja mais complicado, pela concorrência que continua bem grande, com forte pressão nos preços quando olhamos para celulares. No negócio do governo, a transição após as eleições nas esferas federal e estadual dificultam as vendas.

Eucatex (EUCA4) reporta números melhores.
A receita líquida consolidada apresentou crescimento de 5,4% no 4T18 se comparado com o 4T17. No segmento madeira, a elevação da receita foi de 12,0%, impactada positivamente pelo aumento de preços e pelo maior volume de exportações. O segmento de tintas, também apresentou alta (8,5%), resultado principalmente do aumento nos preços. O EBITDA melhorou no período, apresentando elevação de margem, refletindo o maior equilíbrio das despesas em relação ao aumento de seu faturamento. Por fim, o seu resultado final veio maior em 147,2% quando comparado ao 4T17, impactado pela melhora operacional, mas principalmente pela variação cambial  e pelo valor justo do ativo biológico. Para 2019, a companhia pretende realizar diversas ações para elevar suas vendas tanto no mercado interno quanto no externo, além de visar a redução de custos e melhoria em seus processos produtivos.

Rossi (RSID3) segue com números pressionados.
A companhia reportou mais um resultado bem negativo nesse trimestre, com forte queda na receita, fruto da falta de lançamentos em 2018. A  incorporadora continua focada em sua reestruturação financeira e nesse ponto, temos algumas boas notícias, como a geração de caixa de R$ 365 milhões em 2018, que ajudou a reduzir bastante a dívida líquida da Rossi, ainda que essa continue em um patamar extremamente elevado, em R$ 1,6 bilhão, contra R$ 2,1 bilhões há doze meses. Ainda vemos a companhia em uma posição bem delicada e com algumas opções dentro do setor com bom potencial e nível de risco bem inferior, não recomendamos exposição aos papéis da companhia.

JV da Azul (AZUL4) com os Correios não vai mais acontecer.
As duas empresas não conseguiram chegar a um acordo e não vão mais criar uma empresa de logística integrada. Papéis devem responder negativamente à notícia, apesar do bom crescimento da Azul Cargo, de 57% em sua receita em 2018, mesmo sem o acordo.


Hering (HGTX3) pagará juros sobre o capital próprio.
A companhia anunciou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 0,1209 por ação. As ações ficarão ex-JCP no dia 5 de abril com o pagamento agendado para o dia 24 do mesmo mês. O yield desta operação é de 0,43%.


 

 

Bons negócios.