Sexta-feira, 22 de março de 2019

Bom dia,

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Política volta a pressionar o mercado. A turbulência esperada em Brasília com as prisões de ontem, em especial a do ex-presidente Temer, coloca ainda mais dúvida no andamento da reforma da previdência. Com isso, a cautela deve seguir dando o tom no pregão dessa sexta. Além de desviar o foco da pauta mais importante para o país, as prisões parecem criar ainda mais atritos entre o governo e os parlamentares e pode azedar a relação entre o Planalto e a presidência da Câmara. Na mesma semana que o Ibovespa atingiu a histórica marca de 100 mil pontos, já estamos a mais de 3% de voltar para os seis dígitos e as chances de isso voltar a acontecer nos próximos dias não parecem muito boas.

 

Dia negativo na Europa, com dados de atividade. A Markit divulgou algumas prévias para os PMIs de março com números muito pressionados na Europa. Destaque negativo para a atividade na indústria, que ficou muito abaixo do esperado na zona do euro, influenciada pela maior economia do bloco, a Alemanha, onde era esperada uma recuperação do índice, mas ele despencou 2,9 pontos, para 44,7, pior resultado em mais de seis anos e meio. Com isso, as Bolsas europeias operam todas no vermelho. Na Ásia, apenas a prévia do PMI industrial do Japão foi divulgada sem variação entre fevereiro e março. Da mesma forma, as Bolsas da região fecharam próximas da estabilidade (antes dos dados europeus), ainda que no intraday tenha tido bastante volatilidade por lá. Os dados referentes aos EUA serão divulgados no final da manhã, já com o pregão rolando por aqui, mas os futuros de NY já apontam para uma queda na abertura, acompanhando os índices do velho continente. Destaque corporativo é a queda das ações da Nike, mesmo após um resultado acima do esperado, com os investidores focando na queda das vendas da companhia na América do Norte.

 

               

 

Eztec (EZTC3) mostra bom avanço no 4T18. A companhia entregou evolução em todas as linhas do resultado, com margens ainda muito abaixo do patamar histórico da Eztec, mas com claro avanço em relação aos trimestres anteriores. A forte redução nos distratos ajudou a companhia a entregar essa melhora nos números. Eles foram de R$ 24 milhões nesses três meses, 49% de queda em apenas um trimestre. Isso ajudou a rentabilidade da companhia, com margens avançando mesmo com a robusta elevação dos lançamentos, que acabam gerando despesas adicionais e ainda não geram receita a altura. A redução dos distratos também ajudou a geração de caixa da Eztec, que foi de R$ 67 milhões no trimestre, fechando o ano em R$ 162 milhões. Com isso, a posição de caixa da companhia é de R$ 494,5 milhões, contra apenas R$ 91,3 milhões em financiamentos SFH, posição extremamente confortável para aproveitar a retomada do mercado imobiliário esperada para os próximos anos. Continuamos recomendando exposição aos papéis da companhia, que são a opção mais defensiva do setor.

Cyrela (CYRE3) também apresenta evolução.
A retomada mais forte dos lançamentos nesse trimestre, especialmente no segmento de média/alta renda, alavancou as vendas da companhia e ajudou na evolução forte na receita líquida. Já as margens da Cyrela vieram mais pressionadas do que nos trimestres anteriores, pelas despesas relacionadas aos lançamentos e por uma provisão para distratos reconhecida nesse 4T18. Ainda assim, esperamos reação positiva do mercado, e também temos uma visão otimista para os papéis da companhia, que também apresentam um perfil mais defensivo em relação à média do setor.

Acordo de leniência pressiona bottom line da CCR (CCRO3).
Operacionalmente, a companhia não trouxe grandes surpresas, com tráfego ainda pressionado, parte pela morosa recuperação da economia e parte pelo efeito da exclusão da cobrança por eixos suspensos nos estados que ainda permitiam essa cobrança, após a greve dos caminhoneiros. Isso pressionou um pouco as margens da companhia. Já o resultado líquido foi negativo em R$ 307,1 milhões por conta do efeito dos acordos de leniência. Somando os dois acordos fechados, com o MP federal e com o MP de SP, o efeito foi de R$ 698,2 milhões no bottom line. Como o resultado não trouxe surpresas e os acordos já eram conhecidos, não vemos a divulgação como um catalisador importante para os papéis da companhia
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Profarma (PFRM3) reporta melhor desempenho. O grupo registrou um crescimento de 21,1% em sua receita líquida, com elevação em todas as divisões. Forte incremento no EBITDA e redução em despesas financeiras e uma consequente reversão do prejuízo para lucro líquido neste 4T18 em relação ao 4T17. Esse resultado decorre, entre outras razões, da implementação gradual do novo planejamento estratégico e da reestruturação das operações, com destaque para a unificação da área de compras (distribuição e varejo), que vem gerando melhores oportunidades junto aos fornecedores. Para 2019, a companhia está mais confiante para continuar capturando todos os benefícios com a integração de suas operações e disposta a manter o investimento em novos projetos.

Cemig (CMIG4) e Light (LIGT3) compram ações e lançam OPA da Renova (RNEW11).
Foram adquiridas 7,2 milhões de ações da Renova
(cerca de 18% do total) de um fundo de investimeno, sendo 67,85% desse toral pela Cemig e o restante pela Light. Essas ações estão vinculadas ao acordo de acionistas realizado em 2014. O pagamento deve ser efetuado por meio de títulos de valores mobiliários emitidos pela própria Renova e subscritos pela Cemig e pela Light, que correspondam ao valor nominal de R$ 14,68 por ação preferencial ou ordinária. Os títulos (que somam cerca de R$ 1 bilhão) terão prazo de 6 anos e custo de 155% do CDI e os recursos serão utilizados para o reperfilamento de dívidas da Renova junto a Cemig e a Light. O BNDESPAR poderá exercer o direito de venda conjunta e foi anunciada a intenção de se realizar uma OPA para os demais acionistas, nas mesmas condições a conferida ao fundo. As ações da Cemig e da Light devem responder de forma negativa. Já os papéis da Renova devem reagir bem à novidade.
   
Novas decisões judiciais para a Vale (VALE3). Hoje o viés das decisões é positivo, com a mineradora conseguindo autorização provisória para operar a barragem de Laranjeiras. Com isso, as operações da mina de Brucutu podem ser retomadas em até 72 horas. Trata-se da maior mina da Vale em Minas Gerais, com capacidade de produção de cerca de 30 milhões de toneladas por ano. A paralisação ocorreu no começo de fevereiro, dias depois da tragédia de Brumadinho. Outra decisão judicial proferida hoje proíbe a utilização da barragem Dique III. Porém, o empreendimento já não estava sendo utilizado, em razão da paralisação do Complexo de Vargem Grande, não trazendo, portanto, impacto adicional sobre a produção da companhia
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Proventos da B3 (B3SA3) e da Unidas (LCAM3).
A Bolsa vai pagar o valor líquido por ação de R$ 0,164 em JCP referente já ao 1T19 para os acionistas posicionados ao final do dia 26 de março, ex no dia 27. Yield da operação é de 0,5% e o pagamento será no dia 5 de abril. Já a locadora de veículos vai pagar 0,261, também já líquido de IR, por ação em JCP. Os papéis ficam ex no mesmo dia da B3, dia 27 de março, e o pagamento também será no mesmo dia, 5 de abril. Yield da Unidas é de 0,7%
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JCP da Copasa (CSMG3).
Será distribuído o valor líquido de R$ 0,356 referente ao 1T19. Os papéis ficarão ex na próxima quarta-feira (27/03) e o pagamento deve ocorrer em até 60 dias. O yield da operação é de 0,6% sobre o fechamento de ontem.


RD (RADL3) distribuirá proventos.
A companhia anunciou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 0,147 por ação. A data ex será no dia 27/03 com o pagamento agendado somente no dia 03 de dezembro
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Bons negócios.