Quinta-feira, 21 de março de 2019

Bom dia,

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Saldo da quarta-feira é mais negativo. A reunião do Copom não trouxe surpresas, com a manutenção dos juros e sem sinalização clara sobre a trajetória da Selic no decorrer do ano. Já a entrega da reforma da previdência dos militares acaba sendo mais um fator de pressão no mercado. A reestruturação da carreira militar definitivamente não “desceu redondo” em Brasília, vista por muitos como um privilégio em tempos que requerem sacrifícios de todos. A leitura de que isso pode influenciar no andamento da PEC da reforma da previdência deve ganhar força.

 

Bolsas sem direção definida lá fora. Após a sinalização de juros comportados nos EUA, como esperado, os mercados esperam pela resolução dos principais pontos de tensão no cenário externo. Destaque ainda para as negociações entre EUA e China, de onde as últimas sinalizações não têm sido muito positivas, e para o processo do Brexit. Hoje, a primeira-ministra britânica vai a UE para estender o prazo para a ruptura. Sem novidades nessas duas frentes, as Bolsas lá fora operam sem muita força, com altas na China, mas Hong Kong e boa parte da Europa no vermelho. Os futuros de NY também apontam para uma abertura em queda, sendo que o Dow fechou ontem em -0,55%. Destoa desse movimento no ocidente a Bolsa de Londres, que opera em alta antes da decisão do BoE.

 

           

 

Kepler Weber (KEPL3) volta a dar lucro e surpreende. Os esforços e iniciativas adotadas pela companhia ao longo do ano para redução de custos e ganho de eficiência operacional começaram a dar frutos neste 4T18. O Plano Safra 2018/2019 trouxe algum ímpeto para demanda de silos, propiciando a recuperação do volume e preços no segmento de armazenagem. Houve melhora também na área de reposição e serviços, enquanto as exportações e o setor de movimentação de granéis seguiram em retração no período. De toda forma, apesar da alta no custo com matérias-primas, a companhia conseguiu reverter o EBITDA negativo do 4T17 para um resultado positivo em R$ 43,2 milhões, com margem saudável de 22,3%. O prejuízo também ficou para trás, com o lucro líquido de R$ 28,7 milhões neste trimestre. No consolidado de 2018, o resultado final foi positivo em R$ 8,3 milhões, contra um prejuízo de R$ 34,3 milhões em 2017. Os papéis da companhia devem responder de forma positiva à divulgação.

Ânima (ANIM3) reporta fraco desempenho. Mesmo com um crescimento 6,5% em sua base de alunos na comparação com o 4T17, gerando uma receita líquida 6,2% maior, a companhia encerrou o trimestre com queda em seu EBITDA e acabou apresentando prejuízo. Esse desempenho reflete as despesas não recorrentes e maiores despesas financeiras. Em 2019, a companhia pretende abrir mais unidades, principalmente com a marca São Judas na região metropolitana de São Paulo. Além disso, a Ânima segue atenta a oportunidades de M&A.
   
Lojas Amaricanas (LAME4) reporta resultado pressionado. No consolidado, a receita líquida apresentou um crescimento de 9,7% em relação ao 4T17, com as vendas mesmas lojas crescendo 7,3%. O EBITDA apresentou elevação de  5,3%, atingindo margem de 17,9%, queda de 0,8 p.p., provocada por maiores despesas. O lucro líquido, por sua vez, caiu 4,5% na mesma base de comparação. Para 2019, a companhia mantém o seu guidance de abertura de lojas. Até o momento, já foram inauguradas 13 lojas e já estão com 110 contratos assinados ou em fase final de negociação.

B2W (BTOW3) tem números operacionais melhores, mas financeiro pesa. No 4T18, a receita líquida apresentou crescimento de 8,9% se comparada a do 4T17. O EBITDA ajustado se elevou em 20,7%, com melhora de 0,9 p.p.
em sua margem. Essa melhora se dá por conta da maior presença como marketplace. Já o resultado final continua negativo, com piora no resultado financeiro.

Log-in (LOGN3) tem receita mais pressionada, mas ganhos de margem.
A leve retração na receita é explicada pela retração no volume de veículos transportados, explicado especialmente pela deterioração da condição da Argentina. Isso foi apenas parcialmente compensado pelos maiores volumes de contêineres transportados na costa brasileira. A redução no volume de veículos, no entanto, teve um efeito bem positivo nas margens da companhia, pela redução do custo com afretamento de navios para esse fim. Com isso, o EBITDA ajustado da Log-in saltou 52,0%. Ainda vemos a companhia como uma opção de alto risco, com resultados muito pressionados (ainda que melhores) e elevado endividamento, de 8,4x o EBITDA ajustado de 2018. Dessa forma, seus papéis não estão entre as nossas recomendações, mesmo com a evolução em seus números.
   
LPS Brasil (LPSB3) segue com números pressionados.
Apesar da evolução no volume intermediado, a companhia novamente entregou EBITDA negativo e prejuízo líquido. O panorama para o seu segmento de atuação segue bem complicado, especialmente pela decisão de boa parte das construtoras de internalizar o esforço de vendas. Seguimos não recomendando os papéis da companhia.


Decisão desfavorável à Petrobras (PETR4). O CARF emitiu parecer desfavorável à companhia no processo administrativo que trata da cobrança de CIDE sobre remessas ao exterior para pagamento de afretamento de plataformas, em 2009. O valor do processo é de aproximadamente R$ 2,2 bilhões e não está provisionado no balanço da companhia, que classifica a expectativa de perda como possível e não provável. A Petrobras já anunciou que irá recorrer, de toda forma, a novidade deve influenciar negativamente as ações da companhia ao longo do pregão hoje.
   
Produção da Vale (VALE3) mais uma vez é afetada. Agora a decisão foi da própria mineradora, que suspendeu temporariamente as operações da mina de Alegria, no complexo de Mariana. A Vale ressalta que a paralisação é preventiva e que "sob condição de stress, os resultados obtidos nas análises preliminares de suas estruturas foram inconclusivos, não sendo possível garantir sua estabilidade sob tais condições". O impacto potencial é de 10 milhões de toneladas por ano, o que corresponde a cerca de 2,5% do volume de produção que era esperada, antes da tragédia de Brumadinho, para 2019
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JCPs de Banco Inter (BIDI4) e Cielo (CIEL3). O banco vai pagar o valor (já líquido de IR) de R$ 0,107 por ação. O yield da operação, no entanto, é baixo, de 0,2%. Os acionistas vão receber o pagamento no dia 4 de abril, desde que estejam com os papéis ao final do pregão do dia 25 de março. Já a Cielo pagará R$ 0,046, também líquidos de IR, por ação. O yield é um pouquinho melhor, de 0,4%. Último dia cheio é 28 de março e o pagamento será em 27 de junho.

 

 

Bons negócios.