Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bom dia,

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Mercado cauteloso com capacidade de articulação do governo. A proposta de Bolsonaro (Guedes) para a previdência foi muito bem recebida pelo mercado, com a economia estimada em mais de R$ 1 trilhão para o período de 10 anos. O mercado, porém, ainda está reticente quanto a eficiência da interlocução do governo no legislativo para aprovar a reforma sem mudanças que comprometam muito seus efeitos nas contas do governo. E a condução da primeira grande crise da administração Bolsonaro deixou o mercado com a pulga atrás da orelha. Notícias positivas do Congresso serão fundamentais para o Ibovespa engatar um rally mais consistente. Hoje mais cedo saiu o IPCA-15 que se mostrou comportado, apesar da pressão usual dos preços de educação no começo de ano. O índice ficou em 0,34%, o que iguala a menor marca para um mês de fevereiro desde a criação do real.

 

Agenda carregada lá fora. A Markit divulga hoje a prévia dos PMIs de fevereiro de uma série de países e as notícias até agora não foram muito animadoras, com a atividade industrial mais fraca que o esperado no Japão e na zona do euro. Destaque negativo para o PMI industrial da Alemanha que está no seu pior patamar em mais de seis anos, vindo bem abaixo da expectativa, que era de uma leve melhora contra janeiro. Os dados do setor de serviço na Europa, no entanto, vieram melhores que o esperado. Ainda na Alemanha, a inflação reforçou esse cenário de desaceleração, com o CPI harmonizado confirmando a prévia e caindo 1,0% em janeiro na comparação com dezembro. No final da manhã saem os dados americanos. Nos EUA, a agenda reserva muitos indicadores no decorrer do dia, com destaque para as encomendas de bens duráveis de dezembro e os pedidos de auxílio desemprego ainda de manhã e para os dados do mercado imobiliário de janeiro à tarde. Apesar dos temores em relação ao desaquecimento da economia americana e os impactos do shutdown do governo, os indicadores devem vir melhores que as leituras anteriores.

Bolsas sem uma direção definida em dia agitado lá fora. Além dos indicadores que comentamos anteriormente, a ata da última reunião do FOMC também traz incerteza aos mercados, sinalizando o fim da redução do balanço do Fed ainda nesse ano, mas deixando uma janela aberta para mais elevações dos juros, em caso de uma melhora na perspectiva para a economia. Nos EUA, no entanto, os futuros de NY apontam para uma abertura no campo positivo, com o início de uma nova rodada de negociações entre autoridades americanas e chinesas em Washington e notícias de que os dois países começaram a esboçar memorandos de entendimento com os principais pontos de um possível acordo.

 

 

 

Pão de Açúcar (PCAR4) reporta bom desempenho. A receita líquida do 4T18 ficou 12% maior em relação ao 4T17, resultado da contínua melhora do varejo e do sólido desempenho do Assaí. O Assaí apresentou continuidade da elevação das vendas e do lucro. O EBITDA evoluiu em ambos os negócios, refletindo o reposicionamento de seu portfólio e, principalmente, os ganhos de eficiência operacional. Com esse bom desempenho operacional, o grupo conseguiu mais do que duplicar o resultado final entre os períodos analisados. Além disso, a companhia mantém caixa líquido para suportar o seu plano de crescimento via abertura de lojas e continuidade de sua estratégia omnicanal, oferecendo aplicativos de fidelização, além de aumentar a sua participação no varejo online com as operações de e-commerce. Vale comentar que a empresa continua com seu plano de desinvestimento na Via Varejo. Está programando para o dia 25 deste mês a venda de 3,09% de ações, com isso, o Pão de Açúcar deterá 36,27% do capital social da Via Varejo.

Arezzo (ARZZ3) reporta resultado satisfatório neste 4T18. A receita líquida apresentou crescimento de 13,4% em relação ao 4T17. Dentre os principais fatores que resultaram nesse aumento, destacam-se a melhora do canal de franquias, do canal multimarcas e do forte crescimento do e-commerce. No 4T18, a receita da companhia no mercado externo, que inclui a operação do EUA e a exportação para o resto do mundo, foi 28,5% superior em relação ao 4T17, passando a representar 10,4% da receita total. O EBITDA consolidado cresceu 17,6%, com margem de 15,6% ante os 15% do 4T17. Já o seu resultado final veio pressionado, ficando 23,7% inferior em relação ao 4T17. Vale destacar que no 4T17 houve um efeito não-recorrente na linha de impostos, fazendo com que o lucro líquido no período viesse maior. Excluindo tal efeito da base de comparação, o lucro líquido do 4T18 seria 8,6% superior ao do 4T17. Para 2019, a Arezzo mantém seu foco no processo de transformação digital, que inclui a omnicanalidade.


Lucro sobe, mas operacional segue pressionado na Ultrapar (UGPA3). O desempenho da Ipiranga, principal negócio da companhia, continuou fraco neste 4T18, apesar da elevação anual de 4% no volume de vendas. O efeito negativo dos estoques, dada a volatilidade no preço dos combustíveis, e as condições desfavoráveis de importação levaram a uma retração anual de 35% no EBITDA do segmento, com a margem  por m³ caindo de R$ 149 para R$ 92 no período, mostrando uma ligeira recuperação frente aos R$ 80 do trimestre anterior. Já o resultado da Oxiteno foi inflado pelo reconhecimento de créditos tributários, não recorrente. Expurgando tal efeito, os números ainda foram positivos, com a variação do câmbio e dos preços compensando a queda do volume. No consolidado, o lucro líquido apresentou expressiva alta, puxado, principalmente, pelo melhor resultado financeiro. Além do balanço, a companhia propôs o desdobramento de ações, com uma nova ação para cada uma detida pelos acionistas, e a distribuição de R$ 0,70 em dividendos (antes do desdobramento). Os papéis ficam ex proventos no próximo dia 1° e o pagamento também deve ocorrer em março, no dia 13. O yield é de aproximadamente 1,3%. Já as condições para o desdobramento, com data ex, ainda serão definidas, em assembleia ordinária.

Mineração puxa resultado da CSN (CSNA3). Com a demanda por minério de ferro bastante resiliente na China, a cotação da commodity teve expressiva alta neste 4T18, propiciando um aumento no preço realizado em 10,9% frente ao trimestre anterior e de 26,3% ante o 4T17. Ademais, a queda no preço do petróleo ajudou a reduzir os dispêndios com frete marítimo, alavancando o EBITDA e a margem do segmento. Já em siderurgia, houve ligeira desaceleração frente ao 3T18, mas em um ano os números apresentaram expressiva melhora, com o reajuste de preços e o melhor mix de vendas se sobressaindo à queda das vendas no mercado externo, pela venda de uma subsidiária norte-americana. No consolidado, o EBITDA subiu 30% em um ano, com a margem chegando a 25,8% no período. Sua alavancagem caiu, mas segue em patamar elevado, em 4,55 vezes o EBITDA. Suas ações devem reagir de forma positiva à divulgação.

Já os números da Gerdau (GGBR4) ficam mais pressionados. O desempenho no mercado interno foi mais fraco neste trimestre, com a perspectiva de redução no preço levando a postergação de compras no 4T18. Além disso, a alienação dos negócios no Chile e de aços especiais na Índia trouxeram impacto neste trimestre. Do lado positivo, destaque para as operações na América do Norte, onde o crescimento da receita líquida por tonelada mais do que compensou o desinvestimento nos ativos de vergalhões, que reduziu o volume vendido. O fluxo de caixa livre também apresentou expressiva melhora, dobrando em um ano, ao atingir R$ 2 bilhões. A Gerdau irá distribuir dividendos de R$ 0,10 por ação. No dia 07 de março as ações ficam ex e o pagamento deve ocorrer no mesmo mês, no dia 18. O yield, entretanto, é pequeno, de apenas 0,6% sobre o fechamento de ontem.

Cielo (CIEL3) fará recompra de ações. A companhia vai recomprar até 2,17 milhões de ações, sendo até 1,1 milhão entre 1º de março e 10 de março e até 1,07 milhão entre 1º de agosto e 10 de agosto. O efeito da recompra, no entanto, deve ser pouco sentido nos papéis já que a quantidade é pequena, de menos de 0,1% do total de ações em circulação. O objetivo da recompra é fazer frente ao programa de incentivos aos funcionários da companhia.

BRF (BRFS3) é rebaixada pela S&P. A agência rebaixou o rating da companhia em escala global de "BB" para "BB-" e o rating em escala nacional de "brAAA" para "brAA+". A perspectiva para ambos os ratings é estável.

 


 


  

Bons negócios.