Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Bom dia,

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Reforma da previdência monopoliza atenções por aqui. A proposta do governo para a previdência será levada ao Congresso agora cedo e logo depois será apresentada à imprensa, praticamente na abertura do pregão. Os primeiros detalhes do pacote, idade mínima acima do esperado e período de transição de 12 anos, agradou o mercado. Resta saber se as demais regras também agradarão. Apesar do viés mais positivo trazido pela apresentação dos pontos da reforma, o caso Bebianno não parece totalmente superado e segue trazendo mal estar pra o governo, o que pode fazer com que os investidores sigam cautelosos. Na agenda de indicadores, a prévia da sondagem industrial da FGV mostrou avanço em fevereiro, com aumento na utilização da capacidade instalada.

 

Bolsas cautelosamente otimistas nessa quarta. Lá fora, sem grandes novidades sobre as negociações entre EUA e China, que se encontram em Washington nessa semana, as Bolsas chinesas fecharam em leve alta e o mesmo ocorre na abertura da Europa, com os índices muito próximos da estabilidade, mas todos no campo positivo. Trump deu declarações de que o fim dos 90 dias de trégua não é uma data mágica para o acordo, mas também não cravou se estenderia esse prazo sem a imposição de novas tarifas. A leitura do mercado parece ser que o presidente americano está propenso a não elevar as tarifas se um acordo estiver próximo, mas ainda não fechado ao final da próxima semana. No final da tarde, o Fed entra no radar dos investidores, com o discurso do presidente do Fed de St. Louis, que vota nesse ano no rodízio entre presidentes regionais, e logo em seguida, às 16h, será divulgada a ata da última reunião do FOMC. Mais cedo, na Alemanha, saiu o PPI, inflação ao produtor, com números mais altos que o esperado em janeiro, por conta dos preços de energia. Sem esse efeito, o PPI teria um avanço tímido, mais em linha com o ritmo da atividade por lá. Ao final da manhã, devemos conhecer os dados da confiança do consumidor na zona do euro, que deve ter efeito mais nos mercados locais.

 

 

 

Via Varejo (VVAR3) reporta fraco desempenho neste 4T18. O cenário macroeconômico em lenta recuperação e ainda o processo de maturação de sua digitalização acabaram afetando os números da companhia neste período. As vendas mesmas lojas não apresentaram crescimento neste 4T18 e na comparação anual a desaceleração foi bem expressiva, saindo de 10,6% em 2017 para 3,6% em 2018. Em serviços financeiros, a companhia também teve baixo crescimento, resultante de uma política mais restritiva de crédito. O EBITDA e o resultado final também sofreram bastante por conta de despesas referentes à reestruturação. Essas despesas acabaram derrubando a margem EBITDA da companhia neste 4T18, que caiu 4,6 p.p. em relação ao 4T17. Para 2019, a Via Varejo continua no processo de transformação digital com foco na entrega a partir da loja. Outro ponto colocado pela empresa é a continuação da abertura de lojas em regiões com altas taxas de crescimento e que ainda não estejam presentes.

Outro bom resultado da Engie (EGIE3). O faturamento da companhia foi alavancado neste 4T18 pelo maior preço médio de venda frente ao 4T17, bem como pelo ganho com operações de trading de energia (iniciadas em janeiro de 2018), além da incorporação das usinas hidrelétricas Jaguara e Miranda. Por outro lado, a melhora das condições hidrológicas levou a redução dos preços no mercado de curto prazo, o PLD, pressionando a margem EBITDA do trimestre. De toda forma, o lucro líquido cresceu 8% frente ao 4T17 e mais de 15% no consolidado do ano.  Ademais, cabe ressaltar que o aumento de quase 50% em sua dívida líquida não traz grandes preocupações, com a relação dívida líquida/EBITDA ficando em 1,6x. As ações EGIE3 devem responder de forma positiva à divulgação, que superou as estimativas do mercado.
    
Resultado da Tim (TIMP3) melhora. Com o aumento no número de clientes que aderiram a ofertas fidelizadas, a Tim viu seu faturamento com serviços móveis avançar 3,6% neste 4T18 na comparação anual. Já no segmento de serviços fixos, a alta foi ainda mais expressiva (5,6%), sobretudo por conta da ampliação da cobertura da Tim Live, agora presente em 14 cidades. Outro ponto que merece destaque, foi o rígido controle de custos, com a companhia batendo seu  "plano de eficiência", com uma economia de mais de R$ 340 milhões em 2018. Esse resultado deve influenciar de forma positiva seus papéis ao longo do pregão hoje.

Já o desempenho da Vivo (VIVT4) veio aquém do esperado. O número de acessos móveis foi 2,4% menor do que há um ano, com o crescimento em pós-pago sendo insuficiente para compensar a retração em pré-pago. No segmento de serviços fixos, também houve redução no total de acessos, sobretudo em serviços e voz e de TV por assinatura. Iniciativas de ganho de eficiência na gestão de contrato de terceiros trouxeram uma melhora na linhas de custos, propiciando o ganho anual de 1,2 p.p. na margem EBITDA recorrente do trimestre. De toda forma, com os números ficando ligeiramente aquém das estimativas e seus papéis devem reagir de forma marginalmente negativa ao balanço.

 


 


Bons negócios.