Quarta-feira, 10 de abril de 2019

Bom dia,

  1

   

  1

Agenda cheia de indicadores de inflação. Começando com o IPCA de março que avançou 0,75%, 0,32 p.p. acima da taxa de fevereiro, destoando dos outros indicadores (já de abril) que acabaram apresentando desaceleração. No caso do IPCA, os preços dos alimentos e dos combustíveis seguiram pressionando o índice. Já o IGP-M, na primeira prévia de abril, veio com menor pressão nos preços no atacado, variando 0,62%, ante 0,71% na última divulgação. O IPC-FIPE também acabou desacelerando para 0,47% na primeira quadrissemana de abril, com redução nos custos com habitação, saúde e despesas pessoais. Cenário de inflação, apesar de algumas pressões pontuais, segue benigno, o que abre espaço para medidas de estímulo, mas que dependem essencialmente da aprovação da reforma da previdência.

 

Bolsas ensaiam recuperação em dia de agenda carregada. As bolsas da Ásia ficaram mais pressionadas, replicando o que ocorreu ontem nos pregões do ocidente, repercutindo principalmente o corte nas projeções do FMI para o crescimento global nesse ano. Mas, as Bolsas europeias operam no azul e os futuros de NY também apontam para uma abertura mais positiva à espera das principais divulgações do dia, começando pela decisão do BCE, que não trouxe grandes novidades, mantendo a taxa de juros por lá e também a sinalização de que eles não devem subir ao menos nesse ano. Já já saem os dados de inflação nos EUA, importante indicador quando olhamos para a condução da política monetária. Traduzido, com inflação alta, caem muito as chances de corte de juros, o que pode pesar sobre os mercados. No entanto, inflação abaixo do esperado aumenta as apostas de um FOMC mais dovish e impulsionar os mercados acionários. À tarde ainda sai a ata da última reunião do FOMC, onde o mercado procurará sinais para as próximas. Além disso, hoje é um dia importante para o Brexit, com autoridades europeias decidindo se concedem extensão de prazo para o processo e quais as condições para essa extensão. A reunião começa às 13h de Brasília, mas dificilmente teremos novidades durante o pregão.

 

              

 

Fim da novela da cessão onerosa (PETR4). Em discussão desde 2013, enfim o Conselho Nacional de Política Energética definiu que a Petrobras será ressarcida em US$ 9,058 bilhões pela revisão do contrato da cessão onerosa, firmado em 2010. Esse montante deve ser recebido em dezembro, assim que o novo operador da área pagar o bônus de outorga. O leilão do bloco foi agendado para 28 de outubro. Cabe lembrar, que o grupo vencedor ainda terá que indenizar a Petrobras pelos investimentos já realizados na área. Esses recursos, segundo o presidente da estatal, devem ser destinados à exploração. Os papéis da companhia devem reagir de forma positiva à novidade, ainda que o montante da indenização tenha ficado dentro do esperado.

Prévia da Direcional (DIRR3) mostra um trimestre mais tímido. Os lançamentos foram bem menores na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, muito por conta da falta de lançamentos na faixa 1 do MCMV, mas mesmo nas faixas 2 e 3 houve uma diminuição de 17% na comparação com o 1T18, considerando apenas a participação da companhia nos lançamentos. Sem lançamentos, não houve vendas na faixa 1, e nas faixas mais altas do programa, as vendas continuaram saudáveis, crescendo 5,4%, mesmo com a queda que mencionamos anteriormente, mas em um ritmo bem inferior aos trimestre anteriores. Ainda temos uma visão positiva para as empresas do setor olhando o médio / longo prazo, mas no curto prazo, os papéis tendem a seguir pressionados pelas notícias envolvendo as restrições orçamentárias do programa.

Minerva (BEEF3) recebe autorização para IPO.
A companhia recebeu a aprovação no Chile para o pedido de IPO de sua subsidiária Athena Foods. A intenção é captar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão com a venda de 33% do capital. Além disso, a Minerva informou que a Athena Foods foi excluída da posição de garantidora dos títulos de bônus com vencimentos em 2026 e 2028, o que já foi aprovado pelos detentores dos títulos.


AES Tietê (TIET11) compra complexo da Renova (RNEW11). Agora, foi adquirido o complexo eólico Alto Sertão III, que ao todo possui 743 MW de capacidade, além de determinados projetos eólicos em desenvolvimento, que somam potencial de 1.100 MW.  O complexo está dividido em duas partes, sendo que a primeira, com 438 MW de capacidade, já encontra-se em fase pré-operacional, devendo propiciar retorno de curto prazo. O valor total da aquisição é de R$ 440 milhões pelo complexo, mais R$ 76 milhões pelo pipeline e a assunção de dívidas no valor de R$ 988 milhões. Ou seja, ao todo a operação chega a R$ 1,5 bilhão e pode ter acréscimo a depender do desempenho da parte 1 do empreendimento. A novidade é positiva para ambas as companhias. Para a Tietê, por aumentar sua capacidade instalada em quase 30% (sem considerar os projetos em desenvolvimento), aumentar o prazo médio de vencimento das concessões, além do valor em si, com o múltiplo EV sobre MW atrativo. Já para a Renova, a venda é importante para redução de sua alavancagem financeira. Portanto, as ações devem responder de forma positiva à novidade.

Decisão favorável a Vale (VALE3).
Um tribunal de Londres condenou a BSG Resources a indenizar à Vale em US$ 1,246 bilhão, acrescidos de juros e despesas, por fraude e violação de garantias. Essa decisão está relacionada a constituição de uma joint venture para exploração de minério de ferro na África. Em 2014, a concessão foi revogada por ter evidências de que a BSG estava envolvida em atos de corrupção, mas concluiu que "a Vale não participou de forma alguma nesses atos". O recebimento do valor (ao menos integral) ainda é incerto
.

 


Bons negócios.