Quinta-feira, 9 de maio de 2019

Bom dia,

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Previdência continua em foco. Paulo Guedes defendeu arduamente, por quase oito horas, a proposta da previdência na comissão da Câmara, ontem, enfatizando que sem a reforma o Brasil não irá para frente. Mas, tudo indica que a briga ainda será longa, com a oposição batendo de frente com o projeto de capitalização. Além disso, o BC em seu comunicado não deixou claro seus próximos passos, como esperado, mas pontuou que os indicadores econômicos vêm perdendo dinamismo, além de reforçar que a reforma da previdência é crucial para uma recuperação da economia e se mostrou mais preocupado quanto à deterioração do cenário externo. De indicadores, o destaque de hoje é o número de março das vendas no varejo que aumentaram 0,3% na comparação com o mês anterior, mas caíram 4,5% no comparativo anual. Entretanto, veio abaixo das expectativas do mercado que esperava por uma alta de 0,8% na comparação mensal.  No varejo ampliado, a alta foi de 1,1%, em relação ao mês anterior, após recuar 0,8% em fevereiro.

 

Bolsas em queda. Trump, em um comício ontem à noite, disse que a China "quebrou o acordo" que estava sendo elaborado. Foi o gatilho para uma queda generalizada das Bolsas ao redor do mundo com destaque para a queda de 2,4% em Hong Kong. A agenda de indicadores está concentrada nos EUA hoje, com a balança comercial de março, o dado semanal de auxílio desemprego e o PPI, a inflação ao produtor, de abril.

 

             

 

Forte resultado do BB (BBAS3). O banco reportou números acima do esperado, mesmo com a retração na carteira de crédito, com PJ caindo na comparação trimestral, efeito apenas parcialmente compensado pela elevação da carteira PF. Ainda assim, a margem financeira do banco avançou 1,8% em três meses, com redução do custo de crédito. Destaque para a recuperação de crédito crescendo 6,5% no período. Com redução de 4,6% nas despesas administrativas na comparação trimestral, o banco entregou elevação de 5,3% no lucro líquido em relação ao 4T18. O ROE do banco chegou a 18,3%, cada vez mais próximo do patamar dos pares privados. Consideramos o BB o grande destaque da temporada de resultados entre os grandes bancos de varejo. O banco ainda anunciou JCP no valor líquido de R$ 0,352 por ação para os acionistas posicionados ao final do dia 21 de maio. Pagamento será no último dia desse mês e o yield é de 0,7%.
   
Velocidade do repasse machuca geração de caixa da MRV (MRVE3).
Operacionalmente, a companhia entregou resultados em linha com o reportado no último trimestre do ano passado, com leve retração na receita de 0,8% e margens muito parecidas. No entando, a transição para o novo governo acabou atrasando bastante o processo de repasse e comprometendo as vendas da companhia reconhecidas nesse trimestre. As vendas caíram praticamente 15% na comparação trimestral e fizeram com que a companhia queimasse caixa nesses três meses pela primeira vez em mais de seis anos. Ainda vemos riscos relacionados à posição do novo governo em relação ao programa habitacional, por isso, ainda vemos os papéis da companhia muito voláteis no curto prazo.

Banco Inter (BIDI4) é uma máquina de abrir contas.
Mas ainda não de fazer dinheiro. Mais uma vez o banco entregou um crescimento extremamente acelerado no processo de abertura de contas, que chegaram a 1,9 milhões ao final do 1T19, alta de 33,3% na comparação com o 4T18. Os números do banco, no entanto, apresentaram aumento bem mais tímido, com alta de 10% nas receitas de serviços e queda de 8,9% no resultado de intermediação financeira. O lucro do Inter caiu praticamente pela metade em relação ao último trimestre do ano passado, de R$ 22,3 milhões para R$ 12,1 milhões. A monetização da base de clientes ainda não tem se mostrado muito forte. O banco anunciou uma parceria com a Wiz, que comprou 40% da Inter Seguros, para explorar os segmentos de seguros, previdência e consórcio. A Wiz tem uma expertise grande em bancassurance, sendo a corretora da Caixa Seguridade, e deve agregar bastante à operação do banco.

A Wiz (WIZS3) também divulgou seus números, sem supresas.
A receita cresceu 16% na comparação anual, muito por conta do crescimento da Wiz BPO, com o novo arranjo com a Caixa Seguridade que remunera a Wiz por serviços de back office. A divisão representava 1,7% da receita total da Wiz há um ano e agora passou a 11,6%. Expurgando alguns não recorrentes, como o recebimento do distrato do contrato da Wiz Saúde, as margens vieram em linha com os trimestres anteriores. Vale destacar nesse trimestre o acordo que comentamos rapidamente no resultado do Bano Inter, com a compra de 40% da Inter Seguros pela Wiz. Vemos o negócio como muito favorável para a Wiz, que diminui sua dependência da Caixa em um acordo com o principal player digital do setor.

BTG (BPAC11) tem trimestre saudável.
Destaque para o forte resultado da área de investment banking, alta de 104% em relação ao 4T18, com uma boa retomada no mercado de dívida corporativa e de M&A. Esse número positivo compensou o resultado mais pressionado das mesas do banco e o retorno das participações do banco em outras empresas, fazendo o lucro líquido vir 1,5% acima do reportado há três meses. Seguimos com visão positiva para os papéis do banco.

Bom resultado da Aliansce (ALSC3).
A empresa de shoppings viu as vendas nas lojas dos seus shoppings evoluírem e a vacância cair na comparação anual, levando a um crescimento de 7,8% na receita líquida com bons ganhos de margem, com redução de 4,4% nos custos operacionais dos ativos da companhia, por conta da maior ocupação que diminui muito o custo com áreas vagas. O FFO ajustado saltou 39,8% em um ano. Esperamos reação positiva do mercado à divulgação.

Vamos e Movida (MOVI3) sustentam o resultado da JSL (JSLG3).
A receita de serviços da JSL apresentou leve aumento de 1,8% na comparação anual e caiu 4,3% na trimestral, por conta do cenário macro ainda bem desafiador para a operação de logística da companhia. Dessa forma, o forte crescimento das operações da Movida e da Vamos foi responsável pela evolução de 34,1% no EBITDA consolidado da companhia na comparação anual e de 142,2% no bottom line. Papéis da companhia tem se recuperado em maio, após uma forte queda em abril e o resultado deve manter essa tendência de recuperação no curto prazo.

Valid (VLID3) tem trimestre pressionado.
Quebrando a sequência de resultados mostrando recuperação, a companhia teve um primeiro trimestre mais pressionado em 2019, mesmo com elevação de 10,5% na receita líquida na comparação anual, o EBITDA ajustado da companhia caiu 15,3%, por conta de maiores despesas na divisão de identificação, algumas não recorrentes com foco em ganhos de eficiência no futuro, e das chuvas (alagamentos) que atrapalharam a produção na unidade de São Bernardo do Campo em março. Esperamos reação negativa do mercado à divulgação.

Bom resultado da SulAmérica (SULA11).
A seguradora entregou crescimento de dois dígitos na receita de sua principal divisão (saúde e odonto), levando a uma alta de 10,2% nas receitas operacionais de seguros. A sinistralidade apresentou retração na comparação anual, de 1,2 p.p., também com destaque para saúde e odonto, e o resultado financeiro fechou o trimestre com alta de 18,2%. A soma de todos esses fatores positivos foi uma alta de 57,2% no resultado líquido da SulAmérica nesses três meses em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esperamos que os números sejam bem recebidos pelo mercado.

Totvs (TOTS3) tem trimestre sem surpresas.
O resultado da companhia veio bem em linha com o reportado nos últimos trimestres, com elevação consistente, de 8,6%, na receita líquida em relação ao mesmo trimestre do ano passado e margem EBITDA praticamente estável. A taxa de renovação de clientes em software continuou bem forte, em 98,1%, contra 97,3% há um ano. A companhia deu início recentemente a uma divisão focada em serviços financeiros, para aproveitar a sua base de clientes. O resultado disso, no entanto, só deve ser sentido no médio prazo. Não esperamos um impacto relevante do resultado nos papéis.

Resultado pressionado da Time for Fun (SHOW3).
A companhia promoveu menos eventos de música ao vivo nesse trimestre em relação ao 1T18 (queda de 42% na receita da divisão em um ano), além disso, o trimestre teve o efeito negativo de uma ação judicial perdida na justiça argentina, de US$ 8,8 milhões e do distrato da operação no Chile, que levou a companhia a reconhecer a perda de R$ 7,4 milhões investidos lá. Com isso, o bottom line foi negativo em R$ 34,3 milhões. Mesmo sem os efeitos não recorrentes, ele seria negativo em R$ 4,8 milhões. Os números devem ser mal recebidos pelo mercado
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Pão de Açúcar (PCAR4) reporta números dentro do esperado.
A receita líquida aumentou 12% neste 1T19, refletindo os avanços em todos os formatos e voltando a apresentar ganhos de market share. O Assaí apresentou desempenho excepcional de vendas (25,1%) e rentabilidade, enquanto o multivarejo apresentou resultados apenas consistentes (1,5%). A melhora se deve às iniciativas de ajustes de portfólio com reformas e conversões de lojas, além de aumento no portfólio de produtos, com marcas exclusivas e avanço nos projetos de transformação digital no grupo, com a ampliação da atuação do James delivery e outras iniciativas em loja, como os programas de fidelidade. O EBITDA e o lucro líquido também apresentaram crescimento, refletindo a melhora operacional no período em análise. Além do resultado, a companhia anunciou que o Grupo Casino vem estudando uma proposta para combinar os ativos que detém na América Latina, incluindo Brasil, Colômbia, Argentina, Uruguai e Chile. Segundo o comunicado, ainda não tem nada fechado, mas tudo indica que o GPA passaria a integrar o Novo Mercado da B3 e as operações dessa unificação seria concentrada no Brasil. Ontem as ações tiveram uma forte queda, por conta desta possível unificação, que consideramos exagerada, desta forma, acreditamos que suas ações possam ter um desempenho positivo no dia de hoje.

Mercado externo vem ganhando relevância na Arezzo (ARZZ3).
A receita líquida cresceu 13,5% em relação ao 1T18. Dentre os principais fatores que resultaram nesse crescimento, destacam-se o canal de franquias, que aumentou 8,8%, multimarcas, que teve alta de 12,6%, e o crescimento de 24,5% do e-commerce. Em marcas, os destaques do período foram a Schutz e a Anacapri. O mercado externo também apresentou excelente recuperação, crescendo 81,2% se comparado ao mesmo período de 2018. O EBITDA veio maior em 10%, com margem EBITDA sendo pressionada pelos custos com a expansão no mercado externo. O lucro líquido também foi impactado negativamente neste trimestre, decorrente da redução das receitas financeiras e piora da alíquota efetiva de imposto de renda.

Outro bom desempenho da Engie (EGIE3).
O acréscimo anual de quase 3% no volume de venda de energia e a elevação de 6% no preço médio alavancaram o faturamento do trimestre. O início das operações de trading de energia e a incorporação da Engie Solar também beneficiaram a receita, mas, por outro lado, também impactaram a rubrica de custos e despesas, fato que aliado ao maior dispêndio com compra de energia no mercado de curto prazo, com encargos setoriais e seguros trouxe certa pressão para a margem. O EBITDA avançou quase 16% frente ao 1T18 e a margem saiu de 56% para 52% no período. A dívida líquida da Engie apresentou nova alta, de 44% em um ano, mas, ainda assim, sua alavancagem segue em nível saudável, em 1,8x o EBITDA dos últimos doze meses. Os papéis EGIE3 devem responder de forma marginalmente positiva à divulgação.

Não recorrentes inflam resultado da Braskem (BRKM5).
Os números da companhia foram inflados por uma série de questões pontuais neste trimestre, incluindo a reversão de provisões e o reconhecimento de receita relacionado ao pagamento indevido de PIS e Cofins entre 2012 e 2017. O câmbio também contribuiu neste 1T19, mas, expurgando esses fatores o resultado foi mais fraco em comparação ao trimestre imediatamente anterior, frente a queda dos spreads (em US$ por tonelada) no mercado doméstico e nos EUA. De toda forma, com os não-recorrentes e a menor despesa financeira no período, a Braskem reverteu o prejuízo do 4T18 para um lucro de R$ 1 bilhão neste 1T19. Vislumbramos que a divulgação deve exercer pouca influência sobre os papéis da companhia, que continuam respondendo às incertezas relacionadas a uma possível troca de controle e aos desdobramentos do evento geológico em Maceió, onde as operações da Braskem são apontadas como potenciais responsáveis por rachaduras e desabamentos.

Mineração salva resultado da CSN (CSNA3).
Como esperado, o desempenho da companhia seguiu impulsionado pela elevação no volume e venda de minério de ferro neste 1T19. Tanto que, agora, o segmento já representa mais de 70% do EBITDA consolidado, contra os 30% de representatividade no 1T18. Em siderurgia, o resultado foi mais fraco neste início de ano, não só pela demanda mais reprimida no mercado doméstico, mas também pela alienação de ativos no exterior. De toda forma, no consolidado, o EBITDA ajustado foi 39% superior ao do 1T18, com ganho de 4,2 p.p. na margem. O endividamento apresentou ligeira melhora, com a alavancagem indo para 4,1 vezes ante os 5,8x registrado há um ano.

Desempenho da  Iochpe Maxion (MYPK3) segue em  recuperação.
Houve melhora em todos os mercados de atuação da companhia, com destaque neste início de ano para a América do Norte, onde a forte produção de veículos comerciais e o aumento da capacidade na planta do México propiciaram a alta de quase 40% na receita líquida da região. No Brasil, a alta foi mais moderada (+9%), sobretudo por conta dos impactos da crise econômica na Argentina. A elevação no preço de matérias-primas ainda trouxe algum impacto neste trimestre, assim o EBITDA subiu quase 7% em um ano, mas a margem foi de 10,6% para 9,8% no período. Destaque positivo também para a reversão do prejuízo registrado no 1T18 para um lucro líquido de R$ 63 milhões agora. A divulgação deve favorecer os papéis MYPK3 ao longo do pregão hoje.

Resultado tímido da Telefônica Brasil (VIVT4).
Os números da companhia apresentaram leve crescimento frente ao 1T18, com alta de apenas 3% no EBITDA e ganho de 0,4 p.p. na margem. Houve retração no volume de acessos móveis, com estabilidade de market share, e também em acessos fixo, o que foi compensado pela alta na receita líquida com dados e serviços digitais, impulsionado pela maior penetração dos Planos Família. Os custos seguiram sobre controle, enquanto a menor despesa financeira alavancou o resultado final do trimestre.

Resultado modesto da Energias do Brasil (ENBR3).
Destaque neste trimestre para o resultado de distribuição, favorecido pelo crescimento de quase 2% no volume e pelos reajustes tarifários. Todavia, o dispêndio com compra de energia aumentou, assim como o volume de provisões, compensando parcialmente tal desempenho e resultando numa alta de apenas 2,2% no EBITDA frente ao 1T18. A margem ficou praticamente estável, enquanto ajustes fiscais impulsionaram o lucro líquido do trimestre, que registrou elevação de 38% no período.

SLC (SLCE3) reporta bom desempenho.
O 1T19 teve avanço de 46,2% na receita líquida frente ao 1T18, sendo explicado pelo crescimento no volume faturado de soja e também pelo aumento de preço em todas as culturas. O EBITDA avançou 49,9%, refletindo basicamente o aumento expressivo no volume faturado de soja. Apesar do aumento no EBITDA ajustado, o lucro líquido consolidado apresenta declínio em relação ao 1T18, basicamente devido à antecipação da maturação das lavouras de soja, fazendo com que um maior montante da variação do valor justo tenha sido reconhecido já em dezembro, distorcendo a base.

Hapvida (HAPV3) reporta números regulares.
A receita líquida do 1T19 apresentou crescimento de 15,3% quando comparada ao 1T18, influenciada pelo crescimento no número de beneficiários de planos de assistência médica (5,5%) e odontológicos (14,5%). A sinistralidade atingiu 58,5% no 1T19, apresentando crescimento de 3,4 p.p. em relação ao 1T18, refletindo a entrada em operação do hospital Joinville e o provisionamento da estimativa por vida para o ressarcimento ao SUS. O EBITDA e o lucro líquido também acabaram sendo afetados. Além do resultado, a companhia acabou informando alguns números de sua recente aquisição, da operadora São Francisco. A estimativa é que a São Francisco apure um lucro líquido de R$ 185 milhões neste ano e de R$ 241 milhões em 2020. Quanto à receita líquida, a alta pode chegar em 40%, atingindo R$ 2,5 bilhões em 2020, segundo a Hapvida, esses números são bem conservadores e não contemplam possíveis ganhos de sinergias, que está sendo previsto um impacto anual no EBITDA de até R$ 175 milhões a serem capturados em até 4 anos.

Hering (HGTX3) distribuirá proventos.
O valor do JCP já líquido de IR é de R$ 0,107 por ação. O pagamento será realizado aos acionistas no dia 05 de julho, com as ações ficando ex-JCP, a partir de 17 deste mês. O yield da operação é de 0,33%.

 

 



Bons negócios