Quarta-feira, 8 de maio de 2019

Bom dia,

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Copom não deve trazer novidades. A autoridade monetária deve manter a taxa de juros e, com um cenário bastante dúbio, de lenta recuperação da economia, com inflação ainda dentro da meta, mas começando a mostrar certo aumento e um panorama externo com maior risco, não se espera que o BC dê uma sinalização clara dos seus próximos passos, deixando os mercados mais voláteis. Na agenda ainda tivemos a divulgação de indicadores de inflação, com o IGP-DI vindo acima das projeções, variando 0,90%, e o IPC-S cedendo para 0,57% na primeira semana de maio, ante os 1,07% da última divulgação.

 

Ásia no vermelho, mas Europa tem dia menos pressionado. Enquanto o mercado segue atento a qualquer notícia quanto às negociações entre EUA e China, os investidores digerem os números da balança comercial chinesa, com exportações bem abaixo do esperado e importações subindo também inesperadamente, fazendo o superávit cair de US$ 32,6 bilhões para US$ 13,8 bilhões, quando a expectativa era de um aumento. Na Europa, dados melhores que o esperado na Alemanha, com a produção industrial caindo bem menos que o esperado (-0,9% contra expectativa de -2,7%) e notícias corporativas amenizam o clima negativo nas Bolsas locais. Enquanto escrevemos esse diário, o Dax de Frankfurt opera em alta de 0,27%, enquanto as demais Bolsas da região operam em queda bem leve, próximas do 0x0. Os futuros em NY apontam para uma abertura pressionada. A expectativa do mercado agora é para a reunião de autoridades chinesas e americanas em Washington, programada para começar nessa quinta.

 

           

 

Lucro da Petrobras (PETR4) decepciona. Com paradas programadas para manutenção e a alienação de ativos, houve queda na produção e, consequentemente, nas vendas neste 1T19, tanto na comparação anual quanto frente ao 4T18. O controle sobre custos e despesas, com destaque para a redução do custo de extração de petróleo, foi insuficiente para compensar a queda no faturamento, levando a redução do EBITDA e margem no período. Já o lucro líquido foi afetado por uma série de questões pontuais, como a provisão de R$ 1,3 bilhão referente à arbitragem da Sete Brasil e adoção do IFRS 16, que altera a contabilização de arrendamentos mercantis. Excluindo esse fatores, o lucro foi de R$ 5,1 bilhão neste trimestre, queda de 36% em três meses e de 5% em um ano. O endividamento da companhia apresentou alguma melhora, com a relação dívida líquida/ EBITDA ajustado indo a 2,4x. Mas, o destaque positivo ficou com a venda de ativos, que somou US$ 11,3 bilhões neste trimestre. Contudo, vislumbramos que os papéis da companhia tendem a responder de forma marginalmente negativa à divulgação.
   
América do Norte puxa desempenho da Gerdau (GGBR4). Os números da companhia foram resilientes neste início de ano, apesar do cenário mais desafiador no mercado doméstico, com crescimento econômico ainda fraco e alta no preço de matérias-primas. O destaque ficou com o desempenho na América do Norte, que representa quase 30% do total, com a imposição de tarifas de importação nos EUA propiciando a recuperação de market share e reajuste de preços. O EBITDA do segmento mais que dobrou em um ano e a margem saiu de 5,6% para 13,2% no período. Também houve melhora na América do Sul, mas nesse caso, principalmente, em razão da alienação de ativos pouco rentáveis. O contínuo esforço para redução de despesas com vendas e administrativas também trouxeram bons frutos. Assim, no consolidado o EBITDA da companhia foi 4,6% superior ao do 1T18, com ganho de  1,2 p.p. na margem. Junto ao balanço a siderúrgica anunciou a distribuição de R$ 0,07 em dividendos, o equivalente a um yield de 0,5%. Os papéis ficarão ex no próximo dia 20 de maio e o pagamento deve ocorrer ainda esse mês, no dia 29. As ações da companhia devem reagir de forma positiva, em que pese as incertezas com relação à guerra comercial entre EUA x China.

Iguatemi (IGTA3) divulga resultado sólido e parceria com iFood.
As vendas nas lojas dos shoppings da companhia cresceram 5,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas a vacância aumentou 1,0 p.p. entre os dois períodos, fazendo com que o crescimento no resultado fosse mais tímido, de 2,7% na receita líquida, 2,9% no EBITDA e 1,6% no FFO. O aumento na vacância é explicado pela saída de algumas livrarias dos shoppings. A tendência é que a taxa de ocupação vá aumentando no decorrer do ano até a faixa de 95%, 96% (hoje em 93,7%). Além do resultado, a companhia anunciou uma parceria com o iFood para prover uma solução de entrega de alimentos para os ativos da companhia. Seguimos recomendando exposição aos papéis da Iguatemi.

Números da JHSF (JHSF3) seguem melhorando.
A redução da alavancagem e a recuperação do resultado de incorporação seguiram sendo o destaque nesse trimestre. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, as vendas contratadas na Fazenda Boa Vista cresceram 692%, com o lançamento de duas fases do projeto. Já a dívida líquida da companhia caiu 30%. O EBITDA ajustado da JHSF avançou 41,7% na comparação anual. Esperamos reação positiva à divulgação.
   
BRProperties (BRPR3) tem trimestre tímido.
Apesar da redução da vacância, uma parte dos contratos recentes fechados pela companhia, ainda não gerou receita no 1T19, fazendo a receita líquida consolidada da companhia cair 9% na comparação anual. As despesas avançaram 5% entre os períodos, pressionadas pelas despesas de vacância, com isso, o EBITDA ajustado caiu 11% e o FFO foi de R$ 21,1 milhões para R$ 8,9 milhões. Os números, no entanto, vieram dentro do esperado, então não esperamos uma forte reação do mercado à publicação.

Banco Pan (BPAN4) segue avançando.
A carteira de crédito do banco apresentou forte crescimento de 6% em apenas três meses, puxada principalmente por consignado e veículos. Além da forte originação, o banco tem cedido menos crédito para a Caixa, acelerando o crescimento da sua carteira. Destaque para o contínuo avanço do ROE do Pan, que saiu de 7,2% há três meses para 9,3%. Esperamos reação positiva do mercado.

CSU (CARD3) tem trimestre pressionado.
A base de cartões faturados mostrou recuperação em relação ao 4T18, mas ainda abaixo do patamar observado no 1T18. Na Contact, a companhia encerrou o trimestre com uma queda de 11,7% nas posições de atendimentos faturadas na comparação anual. Com isso, a receita líquida da companhia caiu 3,7% e o lucro líquido foi de R$ 8,1 milhões há doze meses para R$ 4,5 milhões. A companhia anunciou acordos com o banco Digi+ e com o  SmartBank, JV do Banco Indusval e com o grupo The Hive Brasil, para processamento de cartões, com um volume ainda muito baixo, mas com potencial, pensando no médio prazo
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Piora na safra prejudica os números da Brasil Agro (AGRO3).
O resultado da Brasil Agro do 3T19 veio mais fraco quando comparado com o mesmo período do ano anterior. A receita líquida total caiu 39%, o EBITDA e o lucro líquido foram bastante afetados pela piora do clima na safra 2018/2019. Essa piora reflete principalmente o clima irregular registrado em todas as regiões, com um tempo seco e temperaturas elevadas acabaram afetando as lavouras. Desta forma, a companhia reduziu em 3,9% sua estimativa para produção de soja na safra de 2018/2019. Já para o milho, o impacto foi ainda maior, com estimativa da produção reduzindo em 10%. Com números mais fracos acreditamos que suas ações irão responder negativamente no pregão de hoje.

Hermes Pardini (PARD3) apresenta números pressionados por eventos não recorrentes.
A receita líquida do 1T19 veio 14,1% maior se comparada a do mesmo período do ano anterior, refletindo a melhora em todos os seus segmentos, com as unidades próprias apresentando crescimento de 7,1% e o segmento de apoio com aumento de 24,6%, além das recentes aquisições da Psychemedics Brasil, Labfar e DLE. O volume de exames aumentou 7,3% no 1T19 quando comparado com o mesmo período de 2018. Já o EBITDA e o lucro líquido foram prejudicados por eventos não recorrentes, principalmente ao custo referente ao projeto de aprimoramento de equipamentos e a integração das empresas adquiridas, no período, reportando aumento de apenas 1,2% e 1,9%, respectivamente se comparado com o 1T18. Dado o resultado sem grandes surpresas, não esperamos grande movimentação em suas ações
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Desempenho fraco da Tim (TIMP3). Os números da companhia foram afetados pela redução na base móvel de clientes, com a alta em pós-pago sendo insuficiente para compensar a queda em pré-pago. O destaque positivo segue com a Tim Live, cuja base de clientes foi 18% superior neste 1T19 frente ao mesmo período de 2018. De toda forma, o avanço da receita líquida foi bastante tímido, de apenas 2%, próximo a alta do lucro líquido no período. Em comparação com o 4T18, entretanto, houve piora em praticamente todas as linhas do balanço, com redução de quase 60% no resultado final. O balanço deve exercer influência negativo sobre os papéis da companhia hoje.

Sólido resultado da Sanepar (SAPR11).
Outro bom desempenho da concessionária, puxado pelo acréscimo de 4,7% no número de ligações de esgoto e de 1,6% em água. Soma-se a isso o reajuste tarifário aplicado em 2018 e o faturamento avançou quase 10%, assim como o EBITDA, em comparação com o 1T18. A margem, todavia, ficou praticamente estável, com o controle de custos sendo amenizado pela elevação nos dispêndio com energia elétrica e provisões. O resultado final foi 16% superior e a alavancagem ficou estável.

Produção da Vale (VALE3) recua.
Como esperado, a ruptura da barragem de Brumadinho pressionou o desempenho operacional da Vale neste início de ano. A alta incidência de chuvas no período também trouxe impacto negativo. A produção e as vendas de minério de ferro caíram cerca de 30% ante o 4T18. Em pelotas, a queda foi da ordem de 23%, na mesma base de comparação. Já o segmento de metais básicos, com destaque para carvão, níquel e cobre, sofreu com paradas para manutenção e menor produtividade em determinadas plantas. Do lado positivo, o ramp up do S11D seguiu a pleno vapor, com a alta de 13% na produção do complexo propiciando a alta participação de produtos premium no mix de vendas, que foi de 81% neste trimestre. O prêmio por qualidade, todavia, mostrou ligeira desaceleração, indo de US$ 11,5 por tonelada métrica para US$ 10,7/ m³ em três meses.

 

 



Bons negócios