Segunda-feira, 8 de abril de 2019

Bom dia,

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Poucas mudanças no Focus, mas todas negativas. O boletim trouxe mais uma revisão para baixo do PIB desse ano e do próximo, de 1,98% para 1,97% e 2,75% para 2,70%, respectivamente. Outra mudança foi na estimativa para o IPCA desse ano, leve aumento de 0,03 p.p., com os outros indicadores não tendo apresentado mudanças. Hoje, saíram dois índices de inflação. O IGP-DI avançou 1,07% em março, enquanto o IPC-S da primeira semana de abril teve variação de 0,80%, acelerando frente à última divulgação e ficando acima do esperado pelo mercado, sendo puxado pelo preço de alimentos e transportes. Ontem, o Datafolha publicou que, após três meses de mandado, 30% da população avaliam o governo negativamente. O mercado não deve dar muita importância a isso, desde que o presidente mostre, como foi na semana passada, que se esforçará na articulação da aprovação da reforma da previdência. Pra essa semana, estão marcadas reuniões com mais líderes de partidos que tendem a apoiar a reforma.

 

Dia mais pressionado lá fora. As bolsas asiáticas fecharam próximas da estabilidade, mas majoritariamente no vermelho em um dia sem grandes novidades após nova rodada de negociações entre EUA e China e sem dados relevantes por lá. Na Europa, a abertura também é mais pressionada com a balança comercial alemã batendo as expectativas em fevereiro, mas com algumas notícias negativas. O superávit comercial só melhorou lá porque as importações (-1,6% na comparação com janeiro) caíram mais do que as exportações, que foram 1,3% menores, reforçando o cenário de desaceleração da atividade e colocando lenha na discussão se o que estamos vendo é apenas isso mesmo, uma desaceleração, ou o início de um período de recessão. Os dados de emprego dos EUA, na sexta, amenizaram o temor do mercado quanto a esse risco, mas os investidores seguem atentos a todos os dados das principais economias. Hoje sai o número de fevereiro de encomendas à indústria americana, às 11h, com expectativa de deterioração em relação ao mês anterior. Os futuros em NY também apontam para uma abertura no vermelho.

 

                       

 

Engie Brasil Energia (EGIE3) vence disputa pela TAG, da Petrobras (PETR4). Em consórcio formado junto a sua controladora e um fundo canadense, a elétrica venceu a disputa pela TAG, maior transportadora de gás natural do país. Os gasodutos da companhia se estendem por todo o litoral das regiões Sudeste e Nordeste, e a Petrobras vai continuar utilizando os serviços, via contratos de longo prazo já existentes. O consórcio ficará com 90% da TAG e a petrolífera segue com 10%. O enterprise value vinculado na oferta é de R$ 35,1 bilhões pelo total da empresa na data base de 2017. Considerando ajustes financeiros e os 90% adquiridos, a Petrobras deve receber aproximadamente R$ 33,1 bi. A Engie Brasil terá participação de 32,5% no consórcio e, portanto, uma participação indireta de R$ 29,2% na TAG. Segundo o presidente da companhia, Eduardo Sattamini, essa aquisição é um avanço na diversificação dos negócios, "materializando a estratégia da companhia em se tornar um player-chave da infraestrutura brasileira". A novidade deve trazer efeito positivo para os papéis PETR4, mas podem trazer alguma pressão para EGIE3, pois apesar de sua situação financeira sólida, o investimento é elevado frente ao CAPEX total de R$ 3,4 bilhões realizado em 2018 e a sua dívida líquida de R$ 6,8 bi. A Engie irá realizar uma teleconferência para discutir a aquisição ainda hoje, às 10h.

OPA da Cesp (CESP6).
A CVM autorizou a oferta pública de aquisição de ações da companhia, por parte da nova controladora, a VTRM Energia. Os termos e condições da oferta serão publicados até quarta-feira da próxima semana (17/04). Cabe lembrar que em outubro a VRTM comprou a participação acionária do governo, em leilão de privatização, por R$ 14,60 por ação, patamar bem inferior ao que os papéis vem sendo negociados hoje. Atualmente, a nova controladora possui 20% do capital total, tendo 46% das ON e apenas 6% das PN.


 

  
Bons negócios.