Terça-feira, 7 de maio de 2019

Bom dia,

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Resultados corporativos ditarão o movimento do mercado. Sem grandes indicadores no dia de hoje, o mercado continua repercutindo a leva de resultados corporativos do 1T19 que estão sendo divulgados e também aguarda a divulgação do cronograma da comissão especial para a previdência, que deverá ser definido nesta terça-feira. O colegiado também espera que Paulo Guedes compareça na reunião da comissão de amanhã, para apresentar e discutir a proposta.

 

Bolsas do ocidente seguem no vermelho. Na Ásia, onde o dia foi muito negativo ontem, as Bolsas mostraram alguma recuperação, especialmente pela confirmação de que a comitiva chinesa vai essa semana para Washington para seguir com as negociações comerciais e provavelmente com a presença do vice-premier. Em NY, onde o fechamento de ontem foi bem acima das mínimas do dia, os futuros apontam para uma abertura no campo negativo, após autoridades americanas confirmarem o aumento das tarifas na sexta e citarem retrocessos substanciais nas negociações. Na Europa, o dia também é mais negativo, reforçado por dados aquém do esperado da indústria alemã, com os novos pedidos subindo 0,6% em março, contra expectativa de alta na faixa de 1,5%. Aversão ao risco segue elevada lá fora e deve seguir afetando os ativos locais.

 

               

 

Magazine Luiza (MGLU3) continua reportando bom desempenho. No 1T19, a receita líquida total evoluiu 19,8% na comparação anual, sendo impulsionada pelo crescimento de 50% no e-commerce e de 16% das vendas nas lojas físicas. A Luizacred também acabou contribuindo para a melhora no resultado, apresentando aumento de 37% no faturamento. Por outro lado, com maiores investimentos em melhoria do nível de serviço e aquisição de clientes, além do fim da Lei do Bem, as margens do período foram afetadas negativamente. O seu resultado final também acabou sendo afetado por maiores despesas financeiras. Além do resultado, vale destacar que recentemente a companhia assinou contrato para adquirir 48 pontos comerciais da rede Armazém Paraíba no Pará e no Maranhão, marcando assim a sua entrada na região Norte. Além disso, incorporou as operações da Netshoes. Outro ponto positivo foi o êxito em uma de suas ações judiciais, com o recebimento do valor de R$ 750 milhões, corrigido pela inflação. Os três fatores citados vão impactar os resultados futuros da companhia positivamente. Esperamos que os papéis da companhia continuem em uma tendência positiva.

AmBev (ABEV3) reporta melhor desempenho.
A receita líquida aumentou 13,7% no 1T19, refletindo o acréscimo no volume de 5,7% e elevação no faturamento por hectolitro de 7,5%. A maior parte das regiões em que a companhia atua apresentaram elevação de receita. Apenas no Canadá ela continua caindo, apresentando redução de 3,1%, no período em análise. O EBITDA aumentou 16,4%, com margem EBITDA vindo menor em 0,6 p.p., se comparado ao 1T18, sendo impactado por custos mais altos com alumínio. Para o próximo período, a companhia continua focada em marcas premium e regionais para a linha de cervejas, além de investir em produtos não alcoólicos, que entregam maiores margens. Esperamos reação positiva para os papéis da companhia no dia de hoje.

Números aquém do esperado na Marcopolo (POMO4).
O desempenho da companhia foi afetado pelo encerramento das operações da Metalpar, na Argentina. A produção e o faturamento seguiram em alta, com avanço de quase 40% no volume vendido no mercado doméstico e a significativa melhora nas operações do México mais do que compensando o cenário mais desafiador na África do Sul e Índia. A margem bruta foi de 15,4% neste 1T19, ganho de 2,8 p.p. em um ano. Todavia, com o impacto de não recorrentes, o EBITDA ficou estagnado no período, com ligeira redução de margem, e queda de quase 13% no lucro líquido. Os papéis da companhia devem responder de forma marginalmente negativa à divulgação.


Unidas (LCAM3) tem trimestre sólido. Números dentro do esperado da locadora de veículos, com alta de dois dígitos também em terceirização de frotas, onde a companhia já é líder de mercado. Em rent a car, a comparação é distorcida, pois no 1T18 os números do segmento só foram contabilizados a partir de março. As vendas de seminovos também aceleraram, em linha com os outros negócios da companhia, lembrando que a venda de seminovos é uma linha auxiliar tanto do rent a car quanto de terceirização de frotas. As margens do segmento vieram mais apertadas, devido à aceleração do processo de abertura de lojas e também pelo movimento de redução de preços das montadoras. Não esperamos uma forte reação dos papéis à divulgação dos números, especialmente tendo em vista o recente rally de LCAM3, mas seguimos recomendando os ativos, presentes em nossa carteira recomendada de small caps.

BB Seguridade (BBSE3) tem lucro maior, puxado por resultado financeiro.
Operacionalmente, o resultado da companhia ficou praticamente estável na comparação com o 1T18, com decréscimo de R$ 6 milhões no resultado operacional não decorrente de juros, apesar da elevação dos prêmios emitidos entre os dois trimestres. Pesou sobre o resultado operacional o aumento considerável na sinistralidade de 6,5 p.p. na Brasilseg, muito influenciado pela piora de 18,9 p.p. da sinistralidade do segmento rural, por eventos relacionados ao El Niño. O resultado operacional da Brasilprev também veio pior, com isenção na taxa de carregamento cobrada de todos os planos PGBL e VGBL a partir de setembro de 2018 e elevação no G&A. Esses fatores foram parcialmente compensados pela forte melhora no resultado do IRB, que a companhia tem participação. Não vemos o resultado como um driver relevante para os papéis e seguimos vendo outras opções mais interessantes no setor.

Resultado sem brilho da AES Tietê (TIET11).
A incorporação do negócio de energia eólica e o início da geração solar no Complexo Guaimbê puxaram a receita líquida, compensando a menor alocação de energia hídrica no trimestre. O EBITDA foi 2% superior ao registrado no 1T18, mas a margem saiu de 60,2% para 52,8% no período, devido à elevação dos dispêndios com compra de energia, taxas e encargos setoriais e despesas administrativas. Já o lucro líquido, foi beneficiado pela melhora no resultado financeiro, a despeito do avanço de sua dívida líquida. Junto ao balanço, como de costume, a companhia anunciou a distribuição de dividendos no valor de R$ 0,1614 por unit, o equivalente a um yield de 1,5%. Na sexta-feira (10/05) as ações ficam ex e o pagamento deve ocorrer em julho, no dia 24.

Demanda segue fraca, mas rentabilidade melhora na BR Distribuidora (BRDT3).
No consolidado, o volume de vendas da companhia foi 3,4% inferior ao do 1T18, com piora em todas as linhas e destaque para queda no fornecimento diesel e óleo combustível para térmicas. No ciclo otto (gasolina e etanol), a retração de foi de 1,8% no período. Ainda assim, com o controle sobre custos e despesas, a companhia entregou melhora na margem EBITDA por m³, de R$ 76 para R$ 82/ m³ na comparação anual. O recebimento de parcela de dívidas junto às distribuidoras da Eletrobras continuou trazendo impacto positivo para o lucro líquido, dessa vez no montante de R$ 181 milhões. Mesmo expurgando esse efeito, entretanto, o lucro teria avançado quase 20% no período.

Duratex (DTEX3) reporta fraco desempenho.
A receita líquida consolidada no trimestre apresentou crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, devido, principalmente, à implementação de aumentos de preços no início do ano e à melhora de mix de produtos. O faturamento no mercado externo aumentou 8,7% e no interno 6,1% se comparado ao 1T18. Já o EBITDA e o lucro líquido vieram menores, neste primeiro trimestre, sendo impactados principalmente pela menor variação do valor dos ativos biológicos, pelo aumento das despesas de fretes e gastos extraordinários com a nova unidade de negócio de celulose solúvel. O resultado deve se refletir negativamente em suas ações no dia de hoje.
   
Fraco desempenho no Brasil e na Argentina prejudicam a Vulcabras (VULC3).
A receita líquida apresentou crescimento de apenas 2,7% neste 1T19 em relação ao mesmo período do ano anterior. Com a categoria de calçados esportivos refletindo negativamente, com retração de 1,6%, influenciada pelo baixo desempenho nas vendas de Olympikus no mercado interno e externo. O segmento de calçados femininos também apresentou queda no período, de 7,5%, com forte redução no preço médio por par. O EBITDA e o lucro líquido apresentaram desempenho abaixo do resultado do 1T18, influenciado pela piora na conjuntura econômica e principalmente pela adição das despesas da recém-adquirida Under Armour, que ainda se encontra em processo de integração. Com fraco desempenho reportado neste 1T19, os papéis da companhia devem
responder de forma negativa.

 

 



Bons negócios