Sexta-feira, 3 de maio de 2019

Bom dia,

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Atividade decepciona. O ímpeto da produção industrial em março foi ainda menor do que o previsto, com queda de 1,3% ante fevereiro e de 6,1% em doze meses. A deterioração afetou uma série de categorias, com destaque para alimentos, veículos, produtos químicos e indústria extrativa. Compensando parcialmente esse resultado, a indústria farmacêutica foi a que mais avançou no período. No acumulado do ano, agora, o resultado da indústria é negativo em 2,2%. Esse desempenho aliado à falta de novidades na seara política, com dúvidas e temores quanto a desidratação da reforma da previdência, pode pressionar a abertura da Bolsa paulista hoje.

 

Resultados trazem ânimo ao mercado. Com uma série de balanços vindo melhor do que o esperado e ligeiro avanço na inflação, os índices europeus sobem nesta manhã. Os índices do mercado de trabalho norte-americano, destaque da agenda hoje, surpreenderam, com o forte número de abertura de vagas. De toda forma, os investidores seguem atentos aos discursos de representantes do Fed ao longo do dia. Os dados do setor de serviços e o resultado da balança comercial de março também ficam no radar, o último podendo suscitar novas discussões em torno das negociações comerciais entre EUA e China. Na Ásia, a liquidez é comprometida pelo feriado na China e no Japão, enquanto Hong Kong subiu na esteira da valorização do HSBC, cujo lucro surpreendeu neste trimestre. Os futuros de NY também apontam para uma abertura no campo positiva nesta sexta-feira.

 

              

 

Itaú (ITUB4) tem lucro dentro do esperado com bom controle de despesas. A margem financeira do banco mostrou leve evolução, em linha com o crescimento da carteira de crédito do banco. As despesas com PDD cresceram bastante na comparação com o 4T18 por conta do menor nível de recuperação de crédito no banco de atacado e com uma pequena elevação na inadimplência. As receitas com prestação de serviços foram o destaque negativo do trimestre, com queda de 6,2% em três meses. Por outro lado, as despesas operacionais caíram 5% em apenas um trimestre (R$ 643 milhões a menos em despesas não decorrentes de juros), fazendo o índice de eficiência cair 2,4% nesse período. Lembrando que o índice de eficiência mede despesas em relação às receitas, ou seja, quanto menor melhor. Com isso, o lucro líquido recorrente do banco apresentou evolução de 6,2% em três meses, levando a um ROE fortíssimo, de 23,6%. O banco revisou suas projeções para o ano, com crescimento menor na margem financeira, nas receitas de prestação de serviços e resultados de seguros, mas também no G&A. Não esperamos uma forte reação do mercado ao resultado.
   
Bom resultado do IRB (IRBR3).
A resseguradora seguiu apresentando forte crescimento no top line e despesas administrativas sob controle. O G&A agora representa 4,2% dos prêmios ganhos sendo que no mesmo período do ano anterior, representava 5,3%, mostrando que a companhia tem conseguido entregar um crescimento muito forte nas receitas sem a necessidade de expandir muito a sua base de custos fixos. Destaque negativo para a elevação da sinistralidade, ainda que os avisos de sinistros tenham se mantido estáveis em relação à receita, até um pouco menores. O aumento da sinistralidade vem das provisões que a companhia tem constituído pela expectativa do aumento nos sinistros no ramo agrícola nessa safra. Tendo em vista o bom resultado do trimestre, seguimos com visão positiva para os papéis da companhia.

Linx (LINX3) tem trimestre sem surpresas.
A companhia continuou entregando crescimento de dois dígitos na receita em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com destaque para o crescimento da receita recorrente e da taxa de renovação dos clientes que chegou a 99,2% nesse trimestre. Em relação ao 1T18, no entanto, os custos e despesas vieram maiores, mesmo com redução no G&A, por conta da elevação de 13,4% nos gastos com P&D e de 60,1% nas despesas com vendas e marketing. As despesas com vendas e marketing estão ligadas ao reforço da equipe de vendas com foco nos novos produtos, como o Linx Digital e o Linx Pay. Além disso, as aquisições ocorridas entre os períodos levaram a empresa a reduzir o saldo de caixa, pressionando o resultado financeiro, com isso, a Linx teve um bottom line mais pressionado na comparação anual.

Trimestre tímido da Porto Seguro (PSSA3).
A companhia apresentou receita total flat em relação ao 1T18, com leve variação negativa de 0,2%. Olhando para o negócio de seguros, os prêmios no principal segmento, auto, caíram 1,8% na comparação anual e a sinistralidade piorou bastante, pressionando o índice combinado. A receita de negócios financeiros e serviços também caiu, 3% na comparação anual. Ainda assim, a companhia entregou evolução no bottom line, com melhora no resultado financeiro
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Odontoprev (ODPV3) reporta números melhores.
A receita líquida apresentou crescimento de 18,8%, com destaque para crescimento orgânico. A receita líquida da carteira corporativa subiu 9,0%, da carteira PME cresceu 17,5% e os planos individuais subiram 48,3% se comparados ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA e o lucro líquido acabaram crescendo  14,2% e 18,9%, respectivamente. Esse resultado reflete a melhora do faturamento, os efeitos positivos da reversão do ISS, ocorrida em março e da implementação do Programa de Incentivo de Longo Prazo. Além do resultado, a companhia ainda anunciou o pagamento de proventos, no valor de R$ 0,09529 por ação, com os papéis ficando ex-dividendos no dia 08 deste mês. O pagamento será no dia 16 de maio, com yield de 0,6%.

Natura (NATU3) tem margens pressionadas.
A receita líquida consolidada cresceu 8,5%, influenciada pelos três negócios, com a marca Natura aumentando 4,6%, a The Body Shop 10,2%  e a Aesop 34,2%, se comparado ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado apresentou elevação de apenas 3,7%, sendo afetado pela hiperinflação e efeitos de variação cambial na Argentina. Por fim, o lucro líquido caiu 12,1%, explicado por efeitos não recorrentes. Já a alavancagem se reduziu no período, saindo de 3,32x o EBITDA no 1T18 para 2,95x no 1T19. A companhia anunciou que pretende atingir a meta de redução da alavancagem chegando em 1,4 vezes até 2021
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CCR (CCRO3) paga dividendo com yield de 2,5%.
A companhia vai pagar R$ 0,297 por ação para os acionistas posicionados ao final do dia 7 de maio. Papéis ficam ex na próxima quarta e o pagamento será no dia 16 desse mês
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Bons negócios