Terça-feira, 31 de julho de 2018

 
 

Bom dia,


Confiança empresarial se recupera. O índice de confiança empresarial da FGV registrou alta de 0,9 ponto em julho, puxada pela melhor percepção dos agentes quanto ao momento atual, já que as inúmeras incertezas em âmbito macro continuam pressionando o índice de expectativas. Com esse resultado a confiança recupera parcialmente a perda de 2,0 pontos registradada no mês anterior, quando foi afetada pela greve dos caminhoneiros.

Taxa de desocupação recua. No trimestre móvel findo em junho, a taxa de desocupação ficou em 12,1%, queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 0,6 p.p. frente ao mesmo período de 2017. Assim como nas últimas divulgações, esse desempenho se deve principalmente a alta na categoria de trabalhadores informais (sem carteira assinada) e o rendimento médio real seguiu estável no período em análise.

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Atividade desacelera na zona do euro. Dados prévios do PIB do 2° trimestre apontam para uma alta anual de 2,1% no bloco, inferior a taxa de 2,5% registrada na leitura anterior. Em sentido oposto, as estimativas para inflação, também divulgadas pela Eurostat, sinalizam uma aceleração em julho, para 2,1% no total e 1,1% no núcleo (que exclui itens mais voláteis), puxada pela alta nos preços de energia e serviços. Também foi divulgada nesta manhã a taxa de desemprego do bloco em junho, que teve ligeira queda para 8,3%, ante os 8,4% registrados em maio e os 9,0% de junho de 2017. A Alemanha continuou como destaque positivo, com desemprego de apenas 3,4% contra a taxa de 20,2% na Grécia e 15,2% na Espanha.
   
Na China indústria arrefece. O PMI oficial da indústria caiu de 51,5 em junho para 51,2  pontos agora, em boa medida, em reflexo dos temores relacionados ao potencial impacto da guerra comercial entre Washington e Pequim. Contudo, o indicador seguiu no campo que indica expansão da atividade e não trouxe grande impacto para o mercado bursátil, com os investidores atentos ao PMI Caixin / Markit que será divulgado no finalzinho do dia hoje.

Inflação é destaque nos EUA. A agenda norte-americana começa a ganhar relevância nesta terça-feira, com dados de renda e gastos pessoais, além do deflator do índice de preços dos gastos com consumo (PCE), medida de inflação acompanhada de perto pelos membros do FOMC. A tendência vai de estabilidade a uma leve desaceleração em  junho, mas nada que altere significativamente as expectativas quanto aos juros no curto prazo. Será divulgado também, o PMI de Chicago e o índice de confiança do consumidor, ambos referentes a julho e que também devem denotar certo arrefecimento frente à última leitura.

Bolsas mundiais em direções distintas. Na Ásia, a decisão do banco central japonês de não alterar significativamente a atual política monetária garantiu a estabilidade na Bolsa de Tóquio na sessão desta terça-feira, enquanto que os indicadores chineses geraram maior volatilidade nos principais índices acionários da região. Na Europa, a temporada de resultados corporativos segue ditando o tom dos mercados bursáteis que também reagem aos dados econômicos divulgados hoje e que detalhamos mais acima. Nos EUA, as expectativas ficam entorno da reunião do FOMC que começa hoje e termina amanhã, mas que já deverá direcionar a trajetória dos mercados, inclusive por aqui.

 
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Resultado pressionado da Cielo (CIEL3). A companhia viu seu EBITDA e seu lucro líquido diminuírem tanto na comparação trimestral quanto na anual, por conta da soma do baixo crescimento no top line com alta forte nos custos. Além do ambiente competitivo que já vem complicado há algum tempo, nesse ano tivemos a abertura efetiva do mercado, já que antes, parte da transação dos cartões Elo, por exemplo, era processada pela Cielo, mesmo que o pagamento não fosse feito em uma maquininha da companhia. Isso pressionou os volumes transacionados, que ficaram apenas estáveis em relação ao 2T17. Já os custos saltaram 15,0% em um ano, principalmente por elevação nos gastos com remuneração das bandeiras. Com isso, a margem EBITDA caiu 6,0 p.p. em doze meses e o lucro líquido ficou 17,8% menor na mesma comparação. A companhia ainda anunciou R$ 3,5 bilhões em proventos, sendo que metade disso será pago ainda esse ano, para os acionistas posicionados em 14 de setembro. Papéis ficam ex no pregão seguinte, dia 17 de setembro. O valor é de cerca de R$ 0,5295 por ação, yield de 3,3%. Pagamento será em 28 de setembro.

Tesouraria também pressiona o Itaú (ITUB4). O banco trouxe números saudáveis quando olhamos para a margem financeira com clientes, fruto do bom avanço da carteira de crédito do banco em apenas três meses, e também para as receitas de prestação de serviços e o resultado de seguros, previdência e capitalização, que continuaram a mostrar elevação tanto na comparação trimestral quanto na anual. Porém, o lucro líquido do banco ficou praticamente estável na comparação com o 1T18, com leve queda de 0,6%, um pouco aquém do esperado. Isso porque a margem financeira com o mercado, onde estão os números da tesouraria do banco, caiu 22,8% nesses três meses. Além disso, as despesas com PDD voltaram a crescer um pouco, mesmo com queda na inadimplência. Assim como no resultado do Bradesco na semana passada, o lucro do Itaú veio abaixo do esperado, porém outros números da divulgação, como a carteira de crédito, vieram até um pouco acima, e os fatores que pressionaram o lucro nesse trimestre podem ser considerados pontuais, por isso, mantemos nossa recomendação positiva para o banco.

Incidente com KC-390 afeta resultado da Embraer (EMBR3). Nesse trimestre, a companhia reconheceu R$ 458,7 milhões referente à revisão dos custos do desenvolvimento da aeronave, o que levou o EBIT para o campo negativo. Desconsiderando esse efeito, em linhas gerais, os números vieram melhores que os reportados no 1T18, que foi um trimestre muito fraco. As despesas financeiras vieram maiores, por conta da elevação da dívida líquida da Embraer, mas também pela variação cambial da dívida. No bottom line, prejuízo de R$ 467 milhões, por todos os fatores comentados acima, mas se expurgarmos os itens não recorrentes, como a revisão dos custos do KC-390, a companhia entregaria um lucro líquido de R$ 2,3 milhões. O resultado trouxe algumas boas notícias, como a melhora em relação ao fraco 1T18, e algumas negativas, como a revisão dos custos do projeto do cargueiro da companhia, mas deve ter pouca influência em seus papéis por conta da operação com a Boeing.

RD (RADL3) reporta resultado satisfatório. A companhia reportou aumento de 11,6% em sua receita líquida se comparada à do 2T17. As operações de drogarias registraram crescimento de 10,6%, enquanto a 4Bio cresceu 36,3% no período em análise. As vendas mesmas lojas tiveram crescimento de 2,5%, mas a companhia acabou reportando contração de 1,4% nas lojas maduras, que foi prejudicada pelo menor fluxo de clientes em função dos jogos do Brasil na Copa do Mundo. O EBITDA cresceu 5% com margem sendo afetada em 0,5 p.p por conta da abertura de lojas no período em análise se comparado ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido ficou 2,7% maior em relação ao 2T17. Com número bons, mas nada excepcionais, a empresa manteve seu plano de crescimento através da abertura de lojas, prevendo atingir 240 lojas abertas nos anos de 2018 e 2019. Não acreditamos que suas ações venham a apresentar valorização no dia de hoje já que seus números vieram dentro do esperado.

Primeiro aumento de capital da Oi (OIBR4) deverá ser concluído hoje. A primeira capitalização prevista no plano de recuperação judicial da operadora foi para atender a conversão dos títulos de dívida detidos pelos credores ao preço de emissão de R$ 7,00/ação. Hoje vence o prazo de conversão dos títulos de dívida e, após essa conclusão da oferta, a Oi se prepara para a convocação de uma nova assembleia de acionistas para dar prosseguimento ao processo de recuperação judicial. Prevista para ocorrer até o fim deste ano, mas com prazo final até fev/19, a segunda capitalização não deve exceder o limite de R$ 4 bilhões, uma vez que este foi o valor estipulado no plano aprovado em dez/17 pelos seus credores, sendo que a administração da empresa já indicou que o valor por ação nessa oferta deverá ficar próximo a R$ 1,24. Embora a redução da dívida e a entrada de novos recursos na Oi possam melhorar a situação financeira da companhia, ainda entendemos que a volatilidade deverá permanecer alta nos ativos OIBR4 em meio às ofertas de ações em bolsa.

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