Quinta-Feira, 30 de março de 2017

 
 

Bom dia,


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Após anunciar o rombo, governo anuncia como pretende tapá-lo. Os ministros da área econômica anunciaram na noite de ontem um pacote de medidas para o governo atingir a meta fiscal em 2017. Com o rombo de R$ 58,2 bilhões na mão, o governo anunciou três formas de aumento da receita para o ano. A concessão de hidrelétricas devolvidas, que deve gerar R$ 10,1 bilhões, o fim da isenção de IOF para cooperativas de crédito, com expectativa de impacto de R$ 1,2 bilhão e a “reoneração” da folha de pagamento da maioria dos setores, que devem gerar outros R$ 4,8 bilhões. Ainda faltariam R$ 42,1 bilhões e por isso o governo anunciou cortes no orçamento com redução nos gastos do governo, nos investimentos no PAC e nas emendas parlamentares. Não entraram na conta, o dinheiro dos precatórios pagos pelo governo, mas não resgatados, estimados em R$ 8,6 bilhões, que o governo pretende incluir no orçamento nos próximos meses. 

IGP-M de março fica em 0,01%. O índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou variação positiva de 0,01% em março, ante o avanço de 0,08% em fevereiro, segundo dados divulgados pela FGV. O indicador também ficou abaixo das perspectivas de mercado que apontavam para uma alta de 0,04%. O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e aluguel de imóveis.

O relatório de inflação trouxe uma piora no PIB, mas a inflação arrefeceu. O relatório trouxe a previsão do Banco Central de um crescimento da economia em 0,5%, ante 0,8% no relatório de dezembro e uma inflação em 4% para este ano, ante 4,2%. Estes números deixam mais que evidente uma elevação no ritmo do corte na taxa de juros já na próxima reunião do Banco Central, que acontecerá daqui a duas semanas.  

Comércio varejista começa o ano em queda. As vendas no varejo começaram o ano de 2017 com queda de 0,7% no o volume de vendas e de 0,8% na receita nominal, ambas as taxas em relação a dezembro de 2016. No comparativo anual, o recuou foi de 7,0%, em termos de volume de vendas. O indicador acumulado dos últimos 12 meses veio com queda de 5,9%, mantendo a sequência de taxas negativas desde maio de 2015. E as vendas no conceito ampliado, que inclui além do varejo as atividades de veículos, motos, partes e peças e de materiais de construção, voltou a registrar resultado negativo em relação ao mês anterior, com variação de -0,2% no o volume de vendas e -0,9% na receita nominal. Na comparação anual, o comércio varejista ampliado apresentou queda de 4,8% no volume e de 1,7% na receita nominal. No acumulado dos últimos 12 meses as perdas foram de 7,9% e 0,4% no volume e na receita nominal, respectivamente. Da piora do resultado, seis das oito atividades pesquisadas contribuíram para esta queda.
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PIB é destaque na agenda dos EUA. A divulgação do PIB do 4° trimestre de 2016 é destaque no noticiário externo, cuja perspectiva é de continuidade no ritmo moderado de crescimento econômico por lá. O número de pedidos de auxílio desemprego, referente a março, também não deve trazer novidades, portanto ainda que alguns representantes do FED, Robert Kaplan (com direito a voto) e John Williams (sem direito a voto), que discursam no meio do dia, sinalizem uma postura mais agressiva na condução da política monetária, dificilmente isso será suficiente para mudar as apostas do mercado, que espera mais duas altas nos juros esse ano. Ou seja, diante desse “mais do mesmo”, o mercado externo deve ter exercer pouca influência sobre a bolsa paulista hoje.

Confiança na Zona do Euro fica aquém do esperado. Ainda que tenha permanecido bem acima de 100 pontos, o índice de confiança econômica no bloco europeu registrou leve recuo em março, saindo dos 108 pontos registrados em fevereiro para 107,9 pontos nessa leitura. Esse resultado, que contrariou a estimativa média de 108,3 pontos, deriva da menor confiança registrada no setor de serviços e na indústria, sendo parcialmente compensada pelo maior otimismo dos consumidores.

Prévia de inflação arrefece na Alemanha. A prévia do CPI (índice de preços ao consumidor) da Alemanha, referente a março, registrou variação anualizada de 1,6%, resultado inferior a alta de 2,2% registrada em fevereiro e a expectativa média de 1,9%. Houve arrefecimento nos principais grupos, com destaque para a menor variação dos preços do setor de serviços.

Bolsas em ritmo de cautela nesta manhã. Mais cedo a maior parte das bolsas asiáticas fecharam no vermelho, repercutindo as preocupações quanto a liquidez na China e os primeiros passos tomados pelo Reino Unido para saída da União Europeia. No mesmo sentido, as bolsas da Europa e os índices futuros do mercado norte americano operam sob cautela após a queda na confiança da zona do euro (texto acima) e à espera da divulgação do PIB dos Estados Unidos (também comentado acima).

 
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JHSF (JHSF3) tem trimestre afetado por provisão e venda de empreendimento. Os números trimestrais da companhia foram negativamente afetados por dois fatores relevantes. A provisão para perdas no empreendimento Bosque Cidade Jardim, que se encontra embargado, e as perdas reconhecidas com a venda do Shopping Metrô Tucuruvi, sem efeito caixa, já que é um ajuste entre o valor que o ativo estava registrado no balanço da JHSF e o valor efetivo da venda. A receita bruta do empreendimento Bosque Cidade Jardim nesse trimestre, pelo provisionamento, foi negativa em R$ 63,0 milhões. Já a linha outros resultados, no âmbito da holding, foi negativa em R$ 244,4 milhões, quase a totalidade disso sendo o ajuste no balanço por conta da venda do Shopping Metrô Tucuruvi. Isso levou a um prejuízo líquido de R$ 204,9 milhões no 4T16. O resultado operacional da companhia não foi ruim, tendo em vista o cenário de recessão econômica que afeta diretamente os negócios da JHSF. O EBITDA ajustado (desconsiderando esses fatores não recorrentes) ficou praticamente em linha com o 4T15. Além disso, com as vendas realizadas, a companhia diminui sobremaneira o seu endividamento, claro que os ativos vendidos acabam comprometendo a geração de caixa futura da companhia, mas o endividamento elevado era o principal ponto de atenção no curto prazo. A tendência é que os papéis da companhia continuem voláteis, de olho na evolução das obras no aeroporto que a JHSF está construindo e no desenrolar do seu negócio de incorporação (especialmente o embargo comentado e as vendas na Fazenda Boa Vista).

São Carlos (SCAR3) vai pagar dividendos com yield de 1%. A administradora de propriedades comerciais anunciou que vai distribuir R$ 0,320201 por ação em dividendos. Papéis ficam ex do dia 2 de maio, primeiro pregão após a assembleia que vai aprovar o pagamento. O pagamento ocorrerá em 31 de maio.

PDG (PDGR3) fecha 2016 com prejuízo de R$ 5,3 bilhões. A incorporadora, em recuperação judicial, divulgou mais um fraco resultado no 4T16, assim como esperado, fechando o ano com o prejuízo bilionário. Muito pressionada pela fraca performance de vendas, as suas receitas continuaram minguando e pela baixa rentabilidade de seus produtos e o seu alto endividamento, a PDG continua entregando um prejuízo elevado. Continuamos não recomendando exposição aos papéis da companhia.

Marisa (AMAR3) fecha parceria com a Assurant Seguradora. A companhia comunicou a mercado que firmou parceria com a Assurant Seguradora para a oferta de produtos de seguros. Com efetivação das operações a partir de 1º de abril e vigência de até cinco anos. A Marisa receberá a quantia de R$ 75 milhões à título de antecipação, a serem recebidos em duas parcelas iguais, em março e junho desse ano. Notícia positiva para companhia que vem passando por grandes dificuldades operacionais. Acreditamos que suas ações tendem a performar positivamente no pregão de hoje.

Eletrobras (ELET5 e ELET6) propõe distribuição de JCP. A companhia propôs a distribuição de R$ 433,9 milhões em JCP, sendo o valor líquido de R$ 1,8514 para cada ação PNA (ELET5) e R$ 1,3885 por cada ação PNB (ELET6). Com base no fechamento de ontem, o yield da distribuição é de aproximadamente 6,96% para PNA e 6,44% para PNB. A assembleia que deve ratificar essa proposta está marcada para 28/04 e as ações devem ficar ex-proventos no próximo pregão (29/04).

Cemig (CMIG4) perde outra liminar. Dessa vez, o Supremo Tribunal de Justiça revogou a liminar que mantinha a estatal com o controle da Usina Hidrelétrica de Miranda. A ministra Regina Helena, que revogou essa liminar, declarou que é necessário que ocorra uma nova licitação. Essa decisão vai ao encontro do interesse da União, que pretende arrecadar cerca de R$ 10 bilhões com os leilões das usinas Miranda, São Simão e Jaguará (as três operadas pela Cemig, que juntas correspondem por quase 40% da sua capacidade instalada atual). A elétrica, por sua vez, declarou que irá tomar todas as medidas cabíveis e que continua otimista com a possibilidade de renovação das concessões. De toda forma, a notícia deve dar continuidade a queda vista nos papéis da CMIG4 ontem.

CVC (CVCB3) distribuirá somente o mínimo estatutário em proventos. A operadora de turismo apresentou a proposta para a Assembleia Geral Ordinária (AGO) dos acionistas que será realizada em 28/abr/17. Pela proposta da administração, que precisa ser aprovada em AGO, a companhia pagará cerca de R$ 22,2 milhões, aproximadamente R$ 0,17 por ação, na forma de dividendos aos seus acionistas, o que diante da cotação de ontem (29/mar) corresponde a um dividend yield de 0,6%. Os investidores posicionados ao fim do pregão do dia da AGO terão direito, as ações ficarão ex-dividendos a partir de 02/05/2017 e o pagamento será feito, no máximo, em até a data de 27/06/2017, sendo que o dia exato será definido na AGO. Essa proposta resulta num pay out de 25% em relação ao lucro líquido do exercício de 2016 e se difere dos últimos anos onde a companhia distribuiu cerca de 70% de seu lucro aos acionistas. Isso ocorreu em função das aquisições realizadas (foram três recentemente) e também diante do agressivo plano de abertura de lojas que está sendo executado pela CVC.

Novos controladores da Prumo Logística (PRML3) decidem prosseguir com OPA. O grupo EIG Partners que elevou há pouco tempo sua participação para 76,3% do capital votante da Prumo reforçou sua intenção de realizar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) do restante das ações em circulação no mercado. O preço unitário dos ativos PRML3 no âmbito da OPA foi estabelecido em R$ 10,53, de acordo com o laudo de avaliação, o que diante da atual cotação corresponde a um up side de 18,8% aos investidores. No entanto, não é a primeira vez que o grupo EIG tenta fechar o capital da Prumo, tendo já enfrentado grande resistência por parte dos minoritários. Ainda assim, as ações PRML3 podem ir em direção ao preço proposto pela OPA.

Somos Educação (SEDU3) abre novo programa de recompra de ações. A companhia irá adquirir até 5,2 milhões de ações, cerca de 8,5% do total em circulação no mercado, em até um ano (vencimento em 27/mar/18). As ações recompradas serão mantidas em tesouraria, canceladas ou serão destinadas a quaisquer outros planos mediante a aprovação em assembleia geral. As ações SEDU3 tendem a reagir positivamente ao novo e relevante programa de recompra.

Trabalho Especial Coinvalores Frigoríficos (BEEF3, MRFG3, JBSS3 e BRFS3). Elaboramos um relatório para explicar ao investidor todo o desenrolar da Operação Carne Fraca e seus impactos para o setor de Frigoríficos, detalhando quais as empresas mais afetadas e como ficou a situação das exportações. Clique aqui e saiba mais sobre esses aspectos e sobre a nossa visão e perspectivas para o setor.

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Bons negócios.