Quarta-feira, 27 de junho de 2018

 
 

Bom dia,


Redução da meta de inflação de 2021 deve ser recebida com ceticismo pelo mercado. Ontem, o Conselho Monetário Nacional fixou a meta para o IPCA de 2021 em 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para mais ou para menos. Cabe lembrar que no último ano o conselho já havia alterado a meta para 2020, fixando em 4,0%. Essa abordagem gradual e as expectativas ancoradas, segundo a equipe econômica, vão fazer com que o país conviva com uma inflação menor, convergindo com a taxa média dos demais países emergentes, de forma sustentada. Todavia, embora a avaliação seja de que a medida está na direção correta, ainda há muitas dúvidas quanto à política econômica do próximo governo e, portanto, a mudança, por ora, pouco deve influenciar as projeções para inflação de médio / longo prazo.
    
Confiança do Comércio recua em junho. A piora na confiança reflete o ritmo mais lento da economia, o menor avanço do mercado de trabalho e ainda há impacto da greve dos caminhoneiros. O índice de situação atual recuou, assim como o índice de expectativas.

a

Balança comercial no radar norte-americano. Às vésperas da divulgação final do PIB do primeiro trimestre, os investidores ficam atentos aos números da balança comercial em maio, que, ao registrar novo déficit, deve aumentar a tensão em torno da política comercial de Donald Trump. Destaque também para a prévia de maio das encomendas de bens duráveis e para o volume pendente de vendas de moradias. O discurso de Eric Rosengren deve ficar em segundo plano, já que o representante do Fed de Boston só volta a possuir direito a voto no comitê de política monetária em 2019, enquanto os estoques de petróleo certamente vão influenciar o desempenho da commodity ao longo do dia.

Bolsas seguem pressionadas na Ásia. Ainda repercutindo os temores quanto uma política protecionista dos EUA e seus impactos para a economia global, a maior parte dos índices asiáticos registraram novas perdas nesta quarta-feira. Na Europa, as Bolsas operam entre a estabilidade e leves ganhos, puxadas por empresas do setor de energia, que se recuperam diante da recente alta na cotação do petróleo. Por aqui, diante do mais do mesmo lá fora, o noticiário político interno ganha ainda mais relevância, devendo ditar o rumo do Ibovespa, que deve operar com liquidez reduzida após as 15h.

 

a
Santander (SANB11), Smiles (SMLS3) e Banco Inter (BIDI4) anunciam proventos. O banco espanhol vai pagar dividendos de R$ 0,1606 por unit SANB11 para os acionistas posicionados até o final do dia 4 de julho, com os papéis passando a ser negociados ex-dividendos já na quinta-feira, dia 5. Yield é de 0,5% e o pagamento será em 27 de julho. Já a Smiles paga JCP de R$ 0,0715 (valor já líquido) por ação, yield baixinho de 0,14%, aos acionistas posicionados ao final do pregão dessa sexta, dia 29, ficando ex na segunda-feira. Pagamento será em 20 de julho. O Banco Inter anunciou JCP e aumento de capital ao mesmo tempo. Os acionistas terão direito a R$ 0,1008 (também já líquidos) por ação. Escrevi que terão direito, pois não necessariamente irão receber esse valor. Pois o banco sugere que os acionistas usem esse provento para aumentar o capital do banco. O aumento será feito ao custo de R$ 11,9481 mais de 15% abaixo do fechamento de ontem. Os acionistas poderão aumentar o número de ações detidas em 0,8444%. Ou seja, pouco mais de 0,008 ações para cada ação detida atualmente. Não coincidentemente, 0,844% de R$ 11,9481 dá exatamente o valor líquido do JCP (R$ 0,1008). Tanto o JCP quanto o direito de preferência na subscrição serão para os acionistas que passarem esse final de semana comprados no papel, já que o último dia cheio é o dia 29 de junho e os papéis já estarão ex-JCP e ex-subscrição na abertura do pregão do dia 2 de julho. O período de subscrição é de 5 de julho até 6 de agosto. O pagamento do JCP e o aumento de capital ocorrem no dia 15 de agosto.

HNA vai sair do capital da Azul (AZUL4). Os chineses vão fazer uma oferta no exterior das ações detidas pelo grupo. São 58,13 milhões de ações (cerca de 17% do capital da cia aérea brasileira). Com isso, o grupo deixa de ter o direito de indicar membros do conselho da Azul. A decisão dos chineses já era esperada, tendo em vista que eles estavam se desfazendo de diversos investimentos no exterior, por isso não vemos um impacto relevante para a companhia e ainda consideramos o preço atual uma oportunidade para se posicionar nos papéis da Azul.

Eletropaulo (ELPL3) fará aumento de capital.  A nova controladora da companhia, Enel, anunciou a realização de um adiantamento para futuro aumento de capital de R$ 900 milhões. Essa operação está relacionada com o aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, que será realizado mediante a emissão de novas ações, em até 30 dias após a data em que for obtida a última aprovação regulatória referente a aquisição das ações da Eletropaulo pela Enel, no leilão do dia 04/06. Outra novidade é que a ANEEL concedeu anuência prévia para tal mudança de controle. Todavia, tais informações já eram esperadas e, portanto, devem exercer pouquíssima influência sobre os papéis ELPL3 hoje.

Movida (MOVI3) detalha aumento de capital. O grupo JSL já havia anunciado no início deste mês que o pagamento da incorporação integral da Borgato seria feito parte em dinheiro, parte em ações JSLG3 e parte em novas ações emitidas pela subsidiária de rent a car. Ontem, a Movida informou os termos desse aumento de capital social que poderá atingir o montante de R$ 312,5 milhões diante da emissão de até 49,9 milhões de ações ao preço de R$ 6,26. A controladora já se comprometeu em subscrever 32,0 milhões das novas ações, o que corresponde ao valor mínimo para realizar esse aumento de capital. Será concedido aos acionistas da companhia no encerramento do pregão de 03/jul/18, o prazo de sessenta dias para o exercício do direito de preferência, iniciando-se em 04/jul e terminando em 02/set/18, inclusive. A partir de 04/jul, as ações serão negociadas ex-direito à subscrição. Segundo a Movida, a transação permitirá que a companhia continue executando seus planos de negócios e atuando, de forma bem posicionada, no mercado de locação de veículos, com crescentes oportunidades, sendo que o aumento de capital visa fortalecer sua estrutura de capital num momento de instabilidade político-econômica do país. De todo modo, acreditamos que seus ativos deverão ficar pressionados em bolsa até a conclusão desta oferta.

AGENDA DE DIVIDENDOS



Bons negócios