Sexta-feira, 27 de julho de 2018

 
 

Bom dia,


Confiança industrial fica estável. A sondagem da FGV com os agentes do setor apurou estabilidade no nível do índice de confiança entre junho e julho, ao permanecer em 100,1 pontos. No entanto, após passar por um período de expansão a partir do quarto trimestre do ano passado, a utilização da capacidade instalada registrou neste mês a segunda redução consecutiva, para 75,7%, chegando ao menor nível desde fevereiro deste ano.

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PIB americano vem ainda melhor que o esperado. A primeira prévia do indicador acabou de sair e ficou em 4,1%, superando as projeções já otimistas do mercado que estavam em 4,0% redondo. O número foi puxado pelas exportações e pelo consumo das famílias, que vieram bem fortes. Ainda na agenda temos a confiança do consumidor, medida pela Universidade de Michigan, e o índice de perfuração de poços de petróleo.

Dia positivo antes do PIB americano. Ainda sem o efeito da divulgação de agora há pouco, as Bolsas operam em ligeira alta, com exceção das Bolsas chinesas que fecharam em baixa mais uma vez pressionadas pela falta de acordo, ou ao menos de sinalizações positivas, entre EUA e China, como ocorreu no caso europeu. Com o número um pouco acima do esperado do PIB e a temporada de balanços com a Amazon divulgando fortes números após o Facebook decepcionar na véspera, a tendência é que esse movimento positivo continue.

 
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Greve dos caminhoneiros pressiona Ecorodovias (ECOR3). Como esperado, a paralização do final de maio influenciou bastante os números da companhia que terminou o 2T18 com redução de 5,1% no tráfego em suas rodovias na comparação com o mesmo período do ano passado. Com os reajustes menores por conta do arrefecimento da inflação, a receita bruta de pedágio da companhia caiu 3,8% na mesma comparação. A Ecorodovias fez um bom trabalho em controle de custos e despesas, o que mitigou o efeito negativo da greve na margem EBITDA, que caiu apenas 0,6 p.p.. A companhia fez um exercício desconsiderando a cobrança por eixo suspenso e o período entre 21 de maio a 03 de junho para comparar os dois últimos segundos trimestres sem o efeito da greve, o que levaria a uma alta de 2,8% no tráfego consolidado, porém, há o efeito do tráfego represado durante a greve nos dias posteriores a ela, que não houve no 2T17 e acaba dificultando a comparação mesmo assim. Esperamos pouca reação do mercado à divulgação.

Multiplan (MULT3) tem bom trimestre, a despeito de fatores negativos. As vendas dos lojistas nos shoppings da companhia avançaram 2,2% na comparação com o 2T17 e caíram apenas 0,8% no conceito mesmas lojas, mesmo com o efeito negativo da greve dos caminhoneiros no final de maio, da Copa do Mundo, no final de junho, e do fato da Páscoa ter caído no 1T nesse ano. Com o aumento das vendas dos lojistas beneficiando o aluguel percentual e ganho real no indicador de aluguel mesmas lojas, a receita de locação da Multiplan cresceu 4,7% na comparação com o 2T17. O FFO, espécie de lucro líquido ajustado do setor saltou 14,9% na mesma comparação. Esperamos reação positiva do mercado.

Resultado aquém do esperado da Localiza (RENT3). Como destacamos na publicação matinal de ontem, pela incorporação da Hertz Brasil já se esperava crescimento na comparação com o 2º Trim/17, que houve, mas não na proporção que as projeções de mercado indicavam. A receita líquida subiu 29,3%, o EBITDA 16,4% e o lucro líquido 9,7% entre os períodos. Segundo a Localiza, os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros e o acordo coletivo retroativo a dez/17 para os funcionários de Minas Gerais impactaram os resultados deste trimestre em cerca de R$ 39 milhões no EBITDA e em R$ 29 milhões o lucro líquido. Desconsiderando esses fatores, seu desempenho teria ficado dentro das previsões, ou seja, não esperamos fortes reações dos papéis RENT3.

Em linha com as expectativas o resultado do Fleury (FLRY3). O grupo de medicina diagnóstica registrou crescimento de 12,7% na receita líquida e de 18,1% no EBITDA, mas o lucro líquido recuou 1,5% diante da menor posição de caixa da companhia frente a registrada no 2º Trim/17. Isso ocorreu em meio ao forte processo de expansão orgânica do grupo que ainda atravessa o processo de maturação das unidades novas que deverão elevar suas margens operacionais nos próximos trimestres. Em virtude do resultado dentro do esperado, não esperamos grandes reações dos papéis FLRY3 em bolsa. Porém, cabe registrar que a empresa distribuirá aos acionistas posicionados na próxima terça-feira, dia 31, juros sobre o capital próprio equivalente à R$ 0,16 líquido por ação, aproximadamente, que serão pagos em 15/ago/18. O yield desse pagamento é pequeno, de 0,6%, considerando a cotação de fechamento de ontem.

Hering (HGTX3) novamente apresenta piora em seu resultado. Com temperaturas mais altas do que a média histórica nos meses de abril e maio, principalmente no Sudeste e Sul (que representam 80% das vendas da companhia), além disso, o impacto da greve dos caminhoneiros em maio acabou por prejudicar a desempenho dos canais multimarcas e franquias, em razão dos cancelamentos de pedidos, além das dificuldades nos abastecimentos de lojas e entrega de matéria prima. Outro ponto que afetou os números da companhia neste trimestre foi o cenário econômico ainda bastante desafiador. A receita líquida caiu 10,8%, com queda nas vendas mesmas lojas de 2,3%. O EBITDA reduziu 20,9% perdendo 2,1 p.p. na margem e o lucro líquido veio pior em 34,9% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Desta forma, acreditamos que suas ações tendem a responder negativamente no pregão de hoje.

Lojas Renner (LREN3) novamente surpreende com seus números. A companhia reportou bons números mesmo com um cenário totalmente adverso para as empresas de vestuários. O 2T18 foi marcado pelo bom desempenho de vendas, mesmo com as temperaturas mais elevadas, o efeito da greve dos caminhoneiros e o menor fluxo nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo, as vendas mesmas lojas vieram 2,5% maior se comparado ao 2T17. No entanto, a correta composição de estoques e a execução operacional contribuíram para minimizar os efeitos, com isso a Lojas Renner reportou crescimento de 9,2% na receita líquida, com ótimo desempenho vindo da Camicado e a Youcom, com aumentos de 12,1% e 29,3%, respectivamente. A geração de caixa também ficou positiva no período, além disso, a companhia conseguiu reduzir suas despesas financeiras, fechando o trimestre com crescimento de 41,9% em seu resultado final. Com mais um trimestre de números fortes acreditamos que as ações da empresa seguirão no campo positivo.

Como esperado, Grendene (GRND3) reporta fraco desempenho. A companhia reportou fraco desempenho neste 2T18, uma vez que por questões de sazonalidade o segundo trimestre é o de menor nível de atividade em seu setor de atuação, além disso, a greve dos caminhoneiros acabou afetando as operações internacionais. Além disso, o período reservou maiores despesas financeiras, bem maiores que o aumento em seu resultado operacional e EBIT, resultando na queda de 28,4% em seu resultado final. Mesmo com números piores, a companhia continua com caixa líquido e mantém uma boa distribuição de proventos. Em AGO foi aprovada a distribuição de R$ 0,03741 por ação, pagos a partir de 22 de agosto. Farão jus ao recebimento dos dividendos os acionistas inscritos até o dia 06 de agosto. Desta forma, as ações da Grendene passarão a ser negociadas ex-dividendo a partir de 07 de agosto, o dividend yield da operação é de 0,46%.

Usiminas (USIM5) volta a dar prejuízo. O desempenho operacional da siderúrgica foi fraco neste trimestre, a paralisação no setor de transportes afetou o volume de vendas no mercado interno e externo, fato que aliado ao maior custo com matéria-prima, com o maior volume de provisões judiciais e ao impacto da variação cambial sobre despesas financeiras culminou na reversão do lucro em prejuízo de R$ 19 bilhões. O EBITDA caiu 30% em um ano e a margem caiu de 28% para 16% no período. A expectativa era de um resultado mais fraco, como ressaltamos na edição de ontem, porém, ainda assim, os números ficaram aquém das estimativas, o que tendem a pressionar suas ações no pregão de hoje.

Resultado da Copasa (CSMG3) aquém do esperado. O desempenho da companhia ficou praticamente estável frente ao 2T17, com a mudança na metodologia contábil da PPP do Rio Manso impactando os custos, junto com a situação hídrica mais adversa, que elevou a rubrica de serviços de terceiros. O volume de provisões também aumentou no trimestre, corroendo o ganho de 9,5% na receita líquida e levando ao recuou de 2,1 p.p. margem EBITDA , em doze meses. Os papéis CSMG3 devem responder de forma negativa à divulgação.

Prejuízo da Paranapanema (PMAM3) aumenta. A companhia registrou EBITDA negativo em R$ 53,3 milhões neste trimestre, a parada programada para manutenção da fábrica da Bahia foi um dos responsáveis por tal desempenho, pois além do menor volume disponível para venda, também houve dispêndios no processo e a menor diluição dos custos fixos. O aumento do preço do cobre no mercado internacional e a valorização do dólar contribuíram para o maior faturamento no período, único destaque positivo da divulgação. O câmbio, por outro lado, também trouxe impacto para o resultado financeiro, aumentando as despesas. Assim o prejuízo saiu dos  R$ 73,2 milhões registrados há um ano para -R$ 288 milhões agora. Embora números fracos já fossem esperados, as ações da companhia tendem a ficar pressionadas no curto prazo.

Vendas da Copel (CPLE6) voltam a crescer. O volume total de energia vendida pela elétrica cresceu 6,5% ante o mesmo período do ano anterior, puxado pela recuperação da demanda de clientes residenciais no mercado cativo e pela maior comercialização no mercado livre. Por outro lado, a classe industrial continuou pesando do lado negativo, com o consumo sendo afetado pela contínua migração de clientes para o mercado livre e pelo impacto pontual da greve dos caminhoneiros. De toda forma, diante da alta nas vendas, os papéis CPLE6 devem responder de forma marginalmente positiva.

Petrobras (PETR4) anuncia acordo de leniência de fornecedor. A companhia irá receber R$ 549 milhões, em até 90 dias, da SBM, além de ter o abatimento do valor nominal de US$ 179 milhões de pagamentos futuros, devido ao acordo de leniência firmado entre a SBM Offshore e a SBM Holding com a Advocacia Geral da União. Agora, a SBM volta a estar apta para participar de contratações futuras, bem como das licitações em curso, desde que passe por "todos os filtros e controles de conformidade a que estão submetidos os fornecedores" da estatal. A novidade deve trazer impacto apenas marginalmente negativo para as ações da Petrobras, que vão continuar voláteis, respondendo não só a cotação internacional do petróleo, mas também ao noticiário político.
   
Delator da Operação Lava-Jato cita Oi (OIBR4) em pagamento de propina. De acordo com a reportagem de ontem do G1, o operador do esquema de corrupção no governo do Rio de Janeiro afirmou em delação premiada que, em 2008, houve acerto entre o governo e a Oi para renovação do contrato de telefonia e que o valor de propina ajustado foi de R$ 4 milhões. O delator citou que o valor foi ajustado com um ex-presidente da Andrade Gutierrez (uma das controladoras da Oi à época) e que os valores eram pagos por um ex-executivo da empresa. Em nota à matéria, a Oi informou que a atual administração da companhia desconhece o assunto e que a Andrade Gutierrez não tem mais participação na empresa. Ainda assim, acreditamos que a notícia poderá pressionar seus ativos em bolsa no curto prazo.

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