Sexta-feira, 26 de outubro de 2018

 
 

Bom dia,


Cenário eleitoral é destaque doméstico. O último pregão antes do segundo turno será bem agitado após Bolsonaro oscilar 3 p.p. para baixo na pesquisa do Datafolha divulgada ontem. A vantagem do candidato do PSL ainda é folgada e o grau de decisão do voto parece bem elevado, mas o mercado não deve receber bem a informação. Entrando na agenda de indicadores, a FGV divulgou dados do setor de construção civil relativos a outubro mais cedo, com a inflação do setor acelerando, assim como a confiança dos empresários do segmento, muito pautada no fim do período eleitoral. O IBGE divulgou a inflação ao produtor da indústria com forte elevação em setembro. Mais tarde, o destaque é o resultado primário do governo em setembro.

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Dia mais negativo lá fora. O destaque lá fora é a agenda de resultados, com duas das principais empresas de tecnologia, Amazon e Alphabet (Google), reportando números mistos ontem à noite e sinalizando um quarto trimestre mais fraco que o esperado anteriormente, o que já ajudou a pressionar as Bolsas na Ásia. As bolsas europeias também abriram no vermelho, mesma direção dos futuros americanos, especialmente na Nasdaq. O PIB americano acabou de sair e fechou o terceiro trimestre com uma alta de 3,5%, desaceleração em relação ao resultado anterior, mas ainda assim mostrando força na atividade na maior economia do mundo e batendo as estimativas do mercado, o que pode mitigar a pressão dos resultados corporativos nas Bolsas americanas. No resto do dia, agenda vazia lá fora, apenas com o índice de confiança do consumidor que será divulgado pela Universidade de Michigan no final da manhã.

 


Suzano (SUZB3) apresenta forte resultado. A companhia se beneficiou do bom momento para o seu principal produto, já que o preço da celulose se manteve em um patamar elevado no período, e na variação cambial que favoreceu os exportadores nesse trimestre. As vendas da companhia, somando celulose e papel, cresceram 8,7% na comparação com o 3T17, mas a receita teve um salto de 54,4% na mesma comparação. Com controle de custos eficiente, a companhia viu seu EBITDA saltar 78,6% e a geração de caixa praticamente dobrar. No bottom line, a companhia apresentou prejuízo devido ao impacto da variação cambial no endividamento. O mercado já esperava um forte resultado e acreditamos que ajustou ainda mais as expectativas após os números da Fibria virem bem fortes, ainda assim, o cenário eleitoral deve pressionar o câmbio no pregão de hoje, o que somado ao resultado consistente, deve manter as ações da Suzano no campo positivo.

Resultado da CCR (CCRO3) é afetado por isenção de cobrança do eixo suspenso. Após a greve dos caminhoneiros, a isenção foi uma das medidas dos governos estaduais onde a cobrança ainda era permitida, lembrando que nas rodovias federais já não havia essa cobrança. Com isso, o tráfego nas rodovias caiu 4,5%, quando teria ficado estável caso a cobrança tivesse sido mantida. O resultado foi leve retração na receita bruta de pedágio da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Vale ressaltar que como a cobrança do eixo suspenso está prevista no contrato de concessão, as perdas da companhia nesse trimestre e nos próximos deverão ser compensadas pelo poder concedente de alguma forma, seja reajuste, seja extensão de prazo da concessão ou alguma outra forma. Além disso, a companhia teve alguns custos não recorrentes nesse trimestre como o comitê independente de investigação que teve um impacto negativo de R$ 17,7 milhões no EBITDA e rescisões trabalhistas que pressionaram em R$ 31,8 milhões o indicador. O que levou a uma pressão nas margens da companhia. Os números não trouxeram grande surpresa e não vemos ele como um catalisador relevante para os papéis, que devem ficar pressionados no pregão de hoje pela questão eleitoral.

Usiminas (USIM5) reporta números fortes. A recuperação da demanda, o reajuste de preços e o câmbio continuaram alavancando o resultado da companhia, que reverteu o prejuízo registrado há doze meses em lucro líquido de R$ 289 milhões agora. Em siderurgia, as vendas no mercado interno avançaram 18,9% em apenas três meses, e os preços saltaram 2,3% no período, mais do que compensando a alta no preço de suas principais matérias-primas. O segmento de mineração também mostrou expressiva melhora, com a desvalorização do real favorecendo as exportações e resultando na maior diluição dos custos fixos. Com isso, o EBITDA subiu 55,1% em doze meses e 35,4% frente ao 2T18, com ganho de quase 1 ponto percentual na margem. Suas ações devem responder de forma positiva ao balanço, que veio ainda melhor do que já era esperado.

Resultado da Paranapanema (PMAM3) começa a melhorar, mas prejuízo persiste. O câmbio mais desvalorizado favoreceu as exportações no período, que representaram quase 65% da receita líquida. O preço do cobre em alta foi outro fator essencial para o desempenho do trimestre, ainda que a estratégia da companhia de focar em produtos de maior valor agregado e buscar ganhos de produtividade também tenha contribuído com a recuperação. O EBITDA voltou ao campo positivo e atingiu R$ 100,1 milhões neste trimestre, mas com margem ainda comprimida, de 6,8%. O impacto do câmbio e do maior custo da dívida sobre a despesa financeira, entretanto, culminou em mais um prejuízo, agora de R$ 18,8 milhões. Sua situação financeira também segue como ponto de atenção, já que a empresa segue bem longe de cumprir os covenants impostos para o final de 2018 no reperfilamento da dívida, realizado em setembro do ano passado. Contudo, vislumbramos que seus papéis podem reagir de forma positiva, devido aos indícios de que a uma recuperação mais consistente, enfim, pode estar próxima.

Lojas Renner (LREN3) reporta bom desempenho. A companhia registrou melhora em seu resultado neste 3T18 em relação ao mesmo período de 2017, com crescimento de 13,1% na receita de mercadorias, refletindo a maior aceitação da coleção com melhor mix de produtos. Entretanto, a receita com produtos financeiros ficou pressionada em decorrência do comportamento do consumidor mais conservador para o parcelamento das compras com juros. Contudo, o nível de inadimplência continua se reduzindo, mostrando um perfil de crédito mais saudável. Em conjunto com o crescimento da receita de mercadorias, as menores despesas puxaram o EBITDA do período e o melhor resultado financeiro afetou positivamente o lucro líquido, que também foi favorecido por menores impostos e deduções fiscais. Consideramos que a companhia reportou um bom resultado, mesmo em meio a um trimestre bem difícil, com crescimento da concorrência e com cenário econômico fraco, sendo assim, esperamos que suas ações tenham bom desempenho em bolsa no dia de hoje.

Grendene (GRND3) tem fraco desempenho. Os resultados do 3T18 não foram bons. A recuperação da demanda no mercado interno não veio na intensidade esperada, além disso, os níveis de estoques do varejo, no período, estavam mais elevados que o normal, afetando o volume de pares embarcados. Por outro lado, o câmbio teve forte impacto positivo, o que pode ser observado na elevação da receita unitária em reais por par exportado. Entretanto, este impacto nas margens bruta e EBIT não foi suficiente para contrabalançar a elevação de custos. Com isso, o EBITDA e o lucro líquido no 3T18 caíram em relação ao mesmo período do ano anterior. Além do resultado a companhia anunciou dividendos no valor de R$ 0,0524 por ação, para os acionistas posicionados ao final do dia 05 de novembro, passando a ser negociadas ex-dividendos no dia 06. O pagamento será realizado no dia 21 de novembro. Não esperamos resposta positiva das ações da companhia no dia de hoje, mesmo com a divulgação de proventos. Vale salientar que os dividendos anunciados são 35,7% inferiores ao valor distribuído no 3T17.

Pão de Açúcar (PCAR4) vem dentro do esperado. A companhia reportou melhora em seu desempenho neste 3T18, com crescimento de 12,8% em sua receita líquida, resultado da contínua melhora do Multivarejo e do sólido desempenho do Assaí, por mais um trimestre crescendo na casa de dois dígitos. As despesas apresentaram maior diluição em relação ao 3T17, representando 10,2% da receita líquida, refletindo a maturação das lojas, apesar da expansão do número de aberturas e das lojas em construção no período. Desta forma, o EBITDA ajustado teve expressivo crescimento e o lucro líquido teve forte evolução. Com os números dentro do esperado, a divulgação deve exercer influência apenas marginalmente positiva sobre os papéis da companhia hoje.

Fleury (FLRY3) reporta bom resultado. A companhia reportou bom resultado no 3T18, com crescimento de 11% em sua receita líquida e no EBITDA na comparação anual. Já o lucro líquido aumentou 4,4%, em comparação ao 3T17. A melhora do desempenho da companhia vem mesmo diante de um cenário mais pressionado para o segmento premium, por conta do desaquecimento econômico e pela redução do fluxo de clientes, ainda efeito sazonal da Copa do Mundo. O crescimento significativo das marcas regionais, juntamente com ganhos de eficiência e alavancagem operacional, geraram melhora na margem EBITDA que neutralizou os impactos do ramp-up de novas unidades, assim como da mudança no mix de marcas. Para os próximos trimestres, a companhia continua buscando oportunidades de crescimento e de ganhos de eficiência, seja pela expansão orgânica, por meio do plano de expansão, cujo foco no curto prazo está nas marcas regionais, seja na marca Fleury, aumentando a utilização dos ativos existentes por meio da captura de novos clientes e novas ofertas de produtos e serviços.

Novo presidente da Cielo (CIEL3) vem do BB (BBAS3). O banco anunciou o pedido de renúncia do seu atual presidente Paulo Caffareli, que vai assumir o mesmo posto na Cielo. Ele será substituído por Marcelo Labuto, funcionário de carreira do banco. Acreditamos que o mercado deva receber bem o nome de Caffareli na Cielo e vemos impacto neutro no BB pela nomeação de alguém de dentro da estrutura do banco, que estava participando das mudanças implementadas na gestão Caffareli.

Copel (CPLE6) altera, mais uma vez, cronograma de entrada de operação de usina. Agora, “com base na melhor estimativa ajustada dos técnicos e engenheiros envolvidos", a previsão para o início das operações da usina hidrelétrica Colíder é dezembro de 2018. Cabe lembrar que, a princípio, a previsão da inauguração era maio de 2018 e desde então houve sucessivas postergações, para junho, agosto e outubro. Esse atraso, porém, apesar de reduzir a taxa de retorno do projeto, não deve trazer impactos relevantes para o resultado do terceiro e quarto trimestre, já que a companhia conseguiu descontratar toda a energia que deveria ser entregue esse ano, evitando a exposição ao mercado de curto prazo. A novidade deve trazer impacto marginalmente negativo para CPLE6 hoje.

Energias do Brasil (ENBR3) vende PCH. A elétrica concluiu a venda de sete pequenas centrais hidrelétricas, que somam 131,9 MW de capacidade instalada, com prazo final de concessão entre 2025 e 2031, para a Statkraft Energias Renováveis, por R$ 704 milhões. Incluindo a dívida líquida dos empreendimentos, estimada em R$ 113 milhões, a companhia, portanto, irá receber cerca de R$ 591 milhões. A operação está sujeita a aprovação do CADE e da ANEEL e está alinhada com a estratégia da companhia de reciclar o capital investido em ativos de pequeno porte. As ações ENBR3 devem responder de forma marginalmente positiva à novidade.

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