Quinta-feira, 26 de julho de 2018

 
 

Bom dia,


Indicadores positivos da construção civil. Hoje cedo, a FGV divulgou a sondagem da construção e o INCC (inflação do setor) referentes a este mês de julho, que vieram com resultados melhores do que o esperado. No que tange à confiança dos agentes do setor, houve expressiva alta de 1,7 ponto na passagem de junho para julho, quando atingiu 81,0 pontos tanto pela evolução do subíndice de expectativas (2,7 pontos) quanto pelo avanço no subíndice da situação atual (0,6 pontos). Em relação ao INCC, neste mês se teve um leve arrefecimento nos preços ao registrar alta de 0,72%, ante os 0,76% apurados no mês passado. A maior pressão na inflação do setor se mantém pelo grupo de materiais, equipamentos e serviços que foram impactados pela greve dos caminhoneiros recentemente, enquanto que os custos com mão de obra seguem desacelerando, de 0,88% em junho para 0,51% neste mês.

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Decisão do BCE sem novidades. A autoridade monetária manteve o discurso do último comunicado, com taxas de juros inalteradas, assim como o cronograma de normalização da política de recompra de títulos, que deve ser reduzida em setembro e encerrada em dezembro. Além disso, o timing da subida de juros também foi mantido, com expectativa que os juros continuem no mesmo patamar ao menos até após o verão de 2019.

Agenda movimentada nos EUA. Após um desfecho positivo para a reunião entre o mandatário norte-americano com o presidente da Comissão Europeia, o destaque da agenda americana é a balança comercial de junho com um déficit maior que o observado no mês anterior, o que serve de combustível para o discurso de Trump. Mercado também deve ficar atento às encomendas de bens duráveis e aos pedidos de auxílio desemprego.

Europa em alta, China e EUA mais pressionados. As Bolsas europeias operam majoritariamente no campo positivo com a sinalização positiva após a reunião de ontem em Washington, com americanos e europeus suspendendo novas tarifas enquanto as negociações estiverem em curso e com as declarações de Trump que devem trabalhar no sentido de zerar tarifas. Quem destoa desse movimento positivo é a bolsa londrina, em meio ao Brexit. Na Ásia, especialmente na China, o desfecho mais positivo do encontro não foi tão bem recebido já que não há nenhuma sinalização de Trump foi feita em relação à região, o que pode colocar a China ainda mais como foco das disputas comerciais americanas. Os índices futuros americanos abrem a quinta mais pressionados, com destaque negativo para o Nasdaq, com resultados abaixo do esperado do Facebook fazendo os papéis da rede social derreterem nessa sessão. Por aqui, a agenda de resultados se intensifica e deve definir o sinal do Ibov.

 
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Tesouraria pressiona números do Bradesco (BBDC4). O resultado trimestral do banco trouxe uma série de notícias positivas, como a boa evolução nas receitas de prestação de serviços, a expansão no resultado de seguros, previdência e capitalização, a continuidade na retração nas despesas com PDD e até mesmo crescimento da carteira de crédito do banco em um período ainda muito complicado para a economia. Fatores que impactaram muito positivamente o lucro do banco. Ainda assim, o bottom line foi apenas 1,2% maior que o do 1T18. O grande responsável por essa melhora ser apenas tímida foi o resultado de tesouraria do banco (ALM), que caiu de R$ 2,27 bi no trimestre anterior para R$ 1,86 bi. Vale lembrar que no decorrer do trimestre passado, o Copom surpreendeu o mercado ao manter a taxa em 6,5% quando as apostas eram de um corte adicional de 0,25 p.p., o que pode explicar esse resultado pior. Dessa forma, vemos os números trimestrais de uma forma “agridoce”, já que os números de ALM podem pressionar os papéis no curto prazo, mas os destaques que listamos no começo do texto traçam um cenário positivo para os próximos trimestres.

Vale (VALE3) reporta bom desempenho, anuncia proventos e recompra. A mineradora anunciou bons números, com maior volume e melhor mix de venda de minério de ferro aliados ao melhor desempenho em metais básicos propiciando um crescimento superior a 40% no EBITDA, na comparação anual, atingindo US$ 3,9 bilhões. Destaque positivo também para o controle sobre despesas administrativas e pré-operacionais, bem como para redução de sua dívida líquida, que saiu de US$ 22,1 bilhões há um ano para US$ 11,5 bilhões agora. O lucro líquido, expurgando efeitos não recorrentes, superou as estimativas, ao atingir US$ 2 bilhões no trimestre. Serão distribuídos R$ 7,7 bilhões em proventos, correspondente ao valor líquido total de R$ 1,2840 por ação, aos acionistas posicionados ao final do dia 02/08. Papéis ficam ex na próxima sexta-feira (03/08) e o pagamento deve ocorrer em 20/09. Yield é de 2,5% em relação ao fechamento de ontem. Além disso, a companhia aprovou a recompra de ações de até US$ 1 bilhão, em doze meses. Diante dessas divulgações, e do lucro acima do esperado, os papéis da companhia tendem a reagir de forma positiva no pregão de hoje.

Carrefour (CRFB3) reporta desempenho favorável. A companhia reportou bom desempenho neste 2T18, mesmo tendo sofrido com a deflação de alimentos e com a greve dos caminhoneiros. Contudo, as vendas mesmas lojas do consolidado do grupo ficaram 3,4% maiores (ex-gasolina) no período em análise. A maior contribuição veio do Atacadão que apresentou expansão 4,5%, já o Carrefour Varejo veio praticamente estável, com elevação de apenas 0,8%. Com isso, as vendas líquidas da companhia apresentaram elevação de 5,3% se comparadas ao 2T17. Já a linha de outras receitas (Carrefour Soluções Financeiras "CSF") cresceram 20%. O EBITDA também veio positivo subindo 12,9%, com margem de 7,6%, aumento de 0,51 p.p. em razão de uma melhora na margem bruta do Atacadão e da CSF, tudo isso, aliado ao maior controle das despesas no Carrefour Varejo. Desta forma, a companhia reportou elevação de 47,2% em seu lucro líquido se comparado ao 2T17. Além do resultado a companhia também anunciou pagamento de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 0,05214 por ação (valor líquido de imposto). Farão jus ao pagamento os acionistas posicionados em 1° de agosto, com o pagamento a ser realizado no dia 22 de agosto. Yield é de apenas 0,37%.

Ambev (ABEV3) apresenta melhores números. Mesmo com o mercado esperando números piores para esse 2T18, dado as expectativas de menores vendas mesmo em ano de Copa do Mundo e pelos problemas enfrentados com a greve dos caminhoneiros, a companhia apresentou elevação de 12,1% em sua receita líquida, com crescimento de volume de 2,6% e da receita líquida por hectolitro (ROL/hl) de 8,6%. O aumento da receita líquida reflete o crescimento em quase todas as operações, incluindo Brasil (+9,3%), América Central e Caribe (CAC) (+16,2%) e América Latina Sul (LAS) (+25,6%), sendo parcialmente compensado pelo Canadá (-2,0%). O EBITDA ajustado veio 15% maior, com margem EBITDA de 39,4% ante os 38,4% do 2T17. O lucro líquido ajustado foi maior em 9,7%, tendo os ganhos parcialmente compensados por despesas de reestruturação, principalmente pelos projetos de dimensionamento e centralização no Brasil e na LAS e as recentes operações no Panamá.

OdontoPrev (ODPV3) apresentou desempenho dentro do esperado. O resultado da operadora de planos odontológicos veio em linha com as estimativas de mercado e, como de costume, a companhia distribuirá dividendos referentes ao balanço trimestral. Indo aos principais números da DRE, a receita líquida cresceu 5,9%, o EBITDA ajustado 9,7% e o lucro líquido ajustado 16,9%. Ressaltou-se especialmente a queda na sinistralidade, principal custo das operadoras, de 46,4% no 2º Trim/17 para 45,5% no mesmo período deste ano. Por conta do resultado dentro das estimativas de mercado, não acreditamos em forte reação das ações ODPV3. Em relação aos dividendos, os acionistas posicionados na próxima segunda-feira, dia 30, terão direito aos R$ 0,05 por ação, aproximadamente, que serão pagos em 05/set/18. O dividend yield desse pagamento é pequeno, de 0,4%, considerando a cotação de fechamento de ontem.

Faturamento da Energias do Brasil (ENBR3) cresce no 2T18. O reajuste tarifário das distribuidoras e o maior volume de energia comercializada estão entre os principais propulsores da receita e do EBITDA neste trimestre. O lucro líquido superou as estimativas, impulsionado pela menor despesa financeira e participação de minoritários. Todavia, a queda anual de 2,6 p.p. na margem EBITDA,  devido aos maiores custos com compra de energia, tende a minimizar a influência positiva sobre os papéis ENBR3 hoje.

Leilão da Eletrobras (ELET6) no radar. A Companhia Energética do Piauí - CEPISA, distribuidora de energia controlada pela Eletrobras, irá a leilão hoje, às 10h, na B3. Os investidores devem ficar atentos ao desenrolar do certame, tanto no que tange às possíveis liminares, visto que alguns sindicatos ainda estão tentando suspender o processo, quanto ao apetite dos investidores pelo negócio, já que no próximo dia 30/08 serão leiloadas as outras cinco distribuidoras da estatal. Segundo matéria do Valor, entre as potenciais interessadas figuram a Equatorial (EQTL3), a Energisa (ENGI11) e a Neoenergia.

Proventos da TOTVS (TOTS3). A companhia distribuirá dividendos e juros sobre o capital próprio nos montantes de R$ 18,0 milhões e R$ 14,7 milhões, nesta mesma ordem, equivalentes à R$ 0,11 e R$ 0,08 líquido por ação, respectivamente. Os proventos somados correspondem a um yield de 0,6%. Os acionistas posicionados ao fim da próxima quarta-feira, dia 1º, terão direito, as ações ficam ex-proventos a partir da quinta-feira que vem e o pagamento será feito em 03/out/18.

Localiza (RENT3) divulga balanço hoje. A incorporação da Hertz Brasil deverá garantir mais um forte resultado para a companhia, com as estimativas de mercado apontando para um crescimento acima de 30% na receita líquida, de 25% no EBITDA e de 28% no lucro líquido, todos na comparação com o 2º Trim/17. Acreditamos que suas ações poderão ficar no campo positivo diante das boas previsões, mesmo considerando a pequena redução de margem esperada em razão da adequação da frota total da locadora.

Fleury (FLRY3) também apresenta seu desempenho após o pregão. O resultado do grupo de medicina diagnóstica deverá vir sólido, com a mediana das projeções indicando para um avanço de cerca de 13% no faturamento da empresa, de 20% no EBITDA, mas de apenas 6% no lucro líquido diante da menor posição de caixa neste trimestre frente à que foi reportada no 2º Trim/17. Ainda assim, entendemos que as ações FLRY3 tendem a reagir positivamente no pregão de hoje.

Copasa (CSMG3) deve reportar bom desempenho operacional. A concessionária deve apresentar números mais fortes frente ao 2T17, puxado pelo reajuste tarifário de 8,69% aplicado a partir de agosto de 2017 e pelo crescimento no número de ligações de água e esgoto. Por outro lado, os custos devem ser impactados pela hidrologia mais adversa, o que tende a minimizar o ganho de margens no período. A média das estimativas aponta para um crescimento de cerca de 20% no EBITDA, para R$ 434 milhões. Tais expectativas devem favorecer o desempenho da companhia no curto prazo.

Usiminas (USIM5) deve reportar números mais fracos. O balanço da siderúrgica, que será divulgado amanhã, antes do pregão, deve registrar números mais fracos, tanto frente ao 1T18 quanto na comparação de doze meses. Isso porque a greve dos caminhoneiros deve ter um impacto relevante no volume de vendas, inclusive nas exportações, fato que aliado a alta global no preço do frete e de matérias-primas deve corroer parte da rentabilidade do trimestre. A média das estimativas aponta para um EBITDA de R$ 595 milhões, queda de 16% frente ao 2T17, com margem de 18% e lucro líquido de R$ 96 milhões. Logo, os papéis USIM5 podem ficar pressionados ao longo do pregão hoje.

Paranapanema (PMAM3) deve seguir com números fracos. Vislumbramos que o desempenho operacional da Paranapanema seguirá fraco neste 2T18, sobretudo porque durante todo o mês de abril houve uma parada programada para manutenção na fábrica da Bahia, o que irá impactar o volume de vendas e a diluição dos custos fixos. A paralisação do setor de transporte rodoviário também deve contribuir para um resultado mais pressionado. Nesse contexto, vislumbramos que o balanço do 2° trimestre não será o gatilho para recuperação de suas ações.

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