Sexta-Feira, 24 de março de 2017

 
 

Bom dia,


1Agenda do Brasil só depois da abertura do mercado. Só teremos os dados de Contas Externas de fevereiro, às 10h30, para a Conta Corrente o mercado espera um superávit de US$ 200 milhões, no mês anterior, em janeiro, as contas externas registraram um déficit de US$ 5,085 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto a expectativa é de superávit de US$ 4,6 bilhões. Mas o que irá movimentar o mercado é o desenrolar das operações Carne Fraca e Lava Jato, além de comunicados do governo quanto à criação ou não de novos impostos.

a
Alta no PMI da Zona do Euro. O PMI composto da zona do euro, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços, subiu a 56,7 em março, atingindo o maior nível desde abril de 2011, segundo dados da IHS Markit. O resultado de março surpreendeu o mercado, que previa queda marginal do PMI composto, fechando em 55,8. Já o PMI de serviços da zona do euro subiu para 56,5, ante os 55,5 em fevereiro, ficando acima da perspectiva de mercado, que previa queda para 55,3. E o PMI industrial do bloco também avançou para 56,2 na prévia de março, ante os 55,4 em fevereiro, a previsão de mercado também era de declínio, ficando em 55,2. Na Alemanha, os mesmos indicadores também apresentaram altas, passando de 56,8 para 58,3 no composto, de 54,4 para 55,6 no de serviços e de 56,1 para 57,0 pontos no industrial.

Agenda carregada nos EUA. Depois de um período de calmaria, a agenda de hoje nos EUA está bem carregada. Às 9h30 tem a prévia das Encomendas de Bens Duráveis em fevereiro, com expectativa de 1,0% no mês e 0,6% no ano. E às 10h45 teremos a prévia do PMI Industrial de março, com projeções de aumento, ficando em 54,8 pontos. Ainda hoje estão previstos diversos discursos de presidentes regionais do FED, a começar por Charles Evans de Chicago, às 9h30, mesmo horário da primeira fala de John Williams, de São Francisco, que volta a falar às 14h. Também discursarão os dirigentes James Bullard, de St. Louis, às 10h, e William Dudley, de Nova York, às 11h00. Por fim, mas não menos importante, ficou para hoje a votação no Congresso do projeto do Trump em substituição ao Obamacare, que tem concentrado as atenções do mercado, por seu o primeiro termômetro da influência do novo presidente na casa.

Bolsas mundiais praticamente estáveis nesta sexta-feira. Na Ásia, os mercados avançaram ligeiramente em meio aos dados econômicos recentes ainda resilientes e os temores quanto a desaceleração da atividade mais adiante por lá. Enquanto isso, na Europa, os investidores assimilam os indicadores recém-divulgados do continente (tem texto detalhado acima), mas, em geral, os principais índices de ações estão caindo abaixo de 1%. Aguardando a agenda norte-americana (também destacada acima), os índices futuros nos EUA exibem ligeira alta. Já aqui no Brasil a volatilidade deverá novamente se fazer presente no Ibovespa em virtude do noticiário político e corporativo ainda bastante carregado.

 
a
Resultado tímido da Cyrela (CYRE3), mas que supera a expectativa. A companhia entregou números com queda relevante na comparação com igual trimestre do ano anterior. No bottom line, o tombo foi de 68,4%, mas ainda assim, o lucro líquido superou a expectativa média de mercado. Além disso, vale destacar a boa geração de caixa no trimestre, que ficou em R$ 156 milhões, revertendo a tendência dos últimos trimestres. As vendas da companhia mostraram alguma recuperação no trimestre, mas ainda estão em um nível bem abaixo do histórico da Cyrela, e o estoque ainda está em um patamar bem elevado, o que acaba machucando a rentabilidade da incorporadora. Como já comentamos em diários anteriores, apesar de não esperarmos melhora consistente para o setor em 2017, alguns fatores como baixa de juros e mudanças regulatórias devem manter o desempenho dos papéis no campo positivo nesse ano, e a nossa recomendação é de buscar as opções menos arriscadas entre as incorporadoras e a Cyrela faz parte desse grupo.

Gafisa (GFSA3) tem prejuízo maior que o esperado. A incorporadora reportou números piores que o esperado pelo mercado nesse trimestre, com o prejuízo acima do esperado, mesmo considerando os números ajustados, sem contar o impairment da Tenda e ajustes no estoque e no banco de terrenos. Algumas notícias positivas vieram com a divulgação, como a geração forte de caixa, a melhora na velocidade de vendas e distratos menores na comparação anual, praticamente em linha com o 3T16, mas a leitura deve ser mais negativa e pode pressionar os papéis no pregão de hoje.

Rossi (RSID3) diminui prejuízo, mas números ainda estão longe do ideal. A companhia tem feito um trabalho de reestruturação forte, conseguiu reduzir bastante as despesas administrativas, mas os números ainda foram muito impactados por distratos, menores que o pico visto no 2T16, mas acima do trimestre imediatamente anterior. No ano, o prejuízo foi de R$ 514,4 milhões. Como dissemos, nossa recomendação é pela exposição às empresas menos arriscadas no setor, por isso, apesar de vermos desconto nos papéis da companhia, não recomendamos exposição pelo nível de risco que entendemos como muito elevado.

Tecnisa (TCSA3) divulga números fracos e aumento de capital. Além do resultado, com prejuízo de R$ 251,5 milhões no 4T16 e distratos ainda altos, mas cadentes, a companhia anunciou que vai fazer mais um aumento de capital de até R$ 150 milhões, à R$ 2,60 por ação, 11,5% abaixo do fechamento de ontem. A possível diluição para os atuais acionistas que não participarem do aumento é de 9,4% a 17,4%, dependendo da demanda. Além dos números bastante pressionados, o aumento de capital tende a pressionar os papéis da companhia no curto prazo.

Helbor (HBOR3) reporta resultado fraco nesse trimestre. Distratos elevados, em linha com os demais trimestres do ano, vendas fracas e a elevação no custo final de um projeto no Rio, pressionaram bastante os números trimestrais da incorporadora que trouxe forte prejuízo no 4T16, bem pior que o dos últimos trimestres. No ano, o prejuízo foi de R$ 103,2 milhões. O endividamento da companhia continua em um patamar muito elevado, ficou em 101,4% do PL nesse trimestre. Esperamos reação negativa do mercado à divulgação e tendo em vista o perfil de risco elevado da companhia, ela não está em nossas recomendações para o setor no curto prazo.

BrPharma (BPHA3) nenhum remédio cura. A companhia novamente apresentou resultados negativos, com perda de faturamento, EBITDA negativo e prejuízo. O elevado nível de endividamento e a concentração de boa parte das obrigações no curto prazo ocasionaram uma piora sensível em seu capital de giro, trazendo reflexos como a perda de crédito junto aos fornecedores e consequente queda substancial no abastecimento e nos níveis de estoques ao longo de todo o exercício. Este ciclo contínuo levou a queda significativa das vendas. A única solução para a companhia é se desfazer de seus ativos, como já fez com a drogaria Rosaria adquirida pela Profarma, no entanto, o único ativo “bom” em seu negócio é a drogaria Big Ben que já teve alguns interessados, mas ainda não andou. Acreditamos que suas ações sofrerão com mais um desempenho negativo, desta forma, não recomendamos o posicionamento neste ativo.

Telefônica Brasil (VIVT4) propõe distribuir de R$ 1,9 bilhão em dividendos. A companhia divulgou a proposta para a Assembleia Geral Ordinária (AGO) dos acionistas que será realizada em 26/abr/17. Pela proposta da administração, que precisa ser aprovada em AGO, a companhia distribuirá cerca de R$ 1,9 bilhão, aproximadamente R$ 1,06 por ação ordinária (VIVT3) e R$ 1,17 por ação preferencial (VIVT4), na forma de dividendos aos seus acionistas posicionados ao fim do dia da AGO. Diante da cotação de ontem, esses proventos correspondem a um dividend yield acima de 2,5% para ambas as classes de ações. Além disso, a companhia anunciou o cronograma de pagamentos (tabela abaixo) dos proventos do exercício de 2016 que inclui também esse montante de dividendos propostos para AGO.



Mesmo com o último trimestre mais fraco, JSL (JSLG3) cumpriu o guidance de 2016. A operadora de logística apresentou números abaixo das nossas expectativas, com avanço de 11,9% na receita líquida, queda de 5,5% no EBITDA recorrente e reversão do lucro em prejuízo líquido no 4º Trim/16 em relação ao que foi reportado no 4º Trim/15. Ainda assim, a companhia conseguiu atingir suas projeções para o ano passado, embora seus resultados tenham ficado muito mais próximo do piso do que do teto do guidance. Não esperamos grande reação dos ativos JSLG3 no pregão de hoje em função do resultado ligeiramente aquém das nossas previsões.

BM&FBovespa (BVMF3) apresentará novo guidance já contemplando a Cetip (CTIP3). A bolsa paulista divulgou que as suas projeções para 2017 foram descontinuadas em razão da consumação da fusão com a Cetip, conforme destacamos nas duas últimas edições dessa publicação matinal. Contudo, a companhia já adiantou que prevê capturar gradualmente cerca de R$ 100 milhões em sinergias operacionais como resultado dessa combinação entre as empresas. As novas projeções serão anunciadas posteriormente ao mercado por meio de fato relevante, porém acreditamos que as ações das companhias já poderão reagir positivamente no pregão de hoje em virtude da estimativa apresentada pela BM&FBovespa.

JCP da Locamerica (LCAM3). O conselho de administração da companhia aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no montante de R$ 5,6 milhões, aproximadamente R$ 0,09 por ação e correspondente a um yield de 1,2%. Os acionistas posicionados ao fim do pregão de 28/mar/17 terão direito aos proventos, as ações ficam ex-JCP a partir da próxima quarta-feira e o pagamento será feito no dia 06/abr/17.

Linx (LINX3) abre novo programa de recompra de ações. A companhia irá adquirir até dois milhões de ações, cerca de 1,2% do total em circulação no mercado, em até um ano e meio (vencimento em 23/set/18). As ações recompradas serão mantidas em tesouraria, canceladas ou serão destinadas a quaisquer outros planos mediante a aprovação em assembleia geral. As ações LINX3 poderão reagir positivamente ao novo programa de recompra.

JCP da Guararapes (GUAR4). A companhia pagará juros sobre capital correspondentes a R$ 0,3872 por ação ON e R$ 0,4259 por ação PN (valores brutos). O pagamento será efetuado na data a ser deliberada na AGO de 2018 (sim, no ano que vem). Farão jus aos juros os acionistas detentores de ações em 28.03.2017. Dessa forma, a partir de 29/03 as ações serão negociadas ex-jcp.

Light (LIGT3) apresenta melhora operacional, mas resultado final segue negativo. No segmento de distribuição, houve aumento marginal (0,6%) no volume de vendas ante o 4T15, porém o reajuste tarifário aplicado em novembro, com efeito médio de -12,25%, pressionou o faturamento do período. O destaque positivo dessa área ficou com a redução de 0,68 p.p. nas perdas totais aliado a redução de 36,2%, no consolidado de 2016 ante 2015, nas despesas destinadas ao combate das perdas não técnicas, em reflexo da estratégia implementada pela nova gestão. Já no negócio de geração, houve crescimento de 27,4% no volume vendido  e acréscimo de 8,5% no preço médio, ambos na comparação trimestral, o que foi parcialmente compensado pelo maior dispêndio com compra de energia. O EBITDA de ambos os segmentos apresentou expressiva melhora, com a margem EBITDA consolidada saindo dos 15,2% registrado doze meses atrás para 22,2% neste 4T16. Entretanto, a despesa financeira quase que dobrou no período e o resultado de equivalência patrimonial foi negativamente afetado pelo impairment de ativos realizado na Renova e Guanhães, levando ao prejuízo de R$ 194 milhões no derradeiro trimestre de 2016. Ainda que esse prejuízo não fosse esperado, a melhora em termos operacionais deve se sobressair, trazendo impacto levemente positivo para seus papéis no pregão de hoje.

Resultado da CPFL Energia (CPFE3) fica aquém das estimativas. O segmento de distribuição foi o principal responsável pelos números mais fracos neste 4T16. A alta de 3,9% no volume de vendas ao mercado cativo se deve principalmente a aquisição da distribuidora RGE (em junho 2016), pois desconsiderando esse efeito as vendas teriam recuado 6,9% em doze meses, principalmente pela redução da demanda na classe industrial. A receita líquida ficou praticamente estável, mas houve aumento no custo com compra de energia, no dispêndio com construção da infraestrutura de concessão e entidade de previdência privada além das despesas adicionais na linha de pessoal, material e serviços derivadas da incorporação da RGE. Com isso o EBITDA recuou 12,6% entre o 4T16 e o 4T15, enquanto que a deterioração no resultado financeiro culminou em um lucro 62,2% menor no mesmo período. Ainda que abaixo do esperado, tal resultado deve trazer impacto apenas marginalmente negativo aos papéis CPFE3, uma vez que estes tem sido movimentados mais pelo pedido de OPA, em análise pela CVM.

Randon (RAPT4) reporta fraco resultado. Como esperávamos, o desempenho da Randon continuou bastante pressionado no 4T16. A queda de quase 50% no volume de venda de vagões e a retração nas vendas de semirreboques e sistemas de acoplamento pressionaram o faturamento do período. Apesar das iniciativas de redução de gastos e otimização de recursos terem contribuindo para a redução dos custos e despesas, o aumento das provisões para contingências e pensões aliado a realização de um impairment  na divisão de autopeças, no montante de R$ 20 milhões, pressionou o EBITDA e a margem do período, que caíram 95,2% e 2,5 p.p. respectivamente, na comparação com o 4T15.  Expurgando o efeito não recorrente com impairment e os custos advindo das iniciativas de reestruturação o EBITDA teria recuado 33,3% na mesma base de comparação. Não obstante, a deterioração no resultado financeiro ampliou o prejuízo do trimestre, que alcançou R$ 48,4 milhões. A companhia divulgou guidance para 2017 com previsão de uma receita líquida 7,6% superior a registrada em 2016. Os números reportados pela companhia ficaram ainda mais fraco do que já era esperado, portanto, seus papéis podem apresentar desempenho negativo hoje.

Conselho da Usiminas (USIM5) elege novo Diretor Presidente. O conselho de administração da Usiminas aprovou por maioria dos votos a destituição do Sr. Rômel Erwin de Souza do cargo de diretor presidente e diretor vice-presidente de tecnologia e qualidade e elegeu Sergio Leite de Andrade para esses cargos. Leite já tinha ocupado o cargo de diretor presidente no meio do ano passado, mas foi afastado por liminar judicial obtida por uma das sócias majoritárias da siderúrgica, a Nippon Steel. Agora, vale ficar de olho se essa nova eleição colocará um fim na disputa societária entre Nippon Steel e Ternium-Techint ou se a decisão trará novos desdobramentos judiciais.

AGENDA DE DIVIDENDOS


AGENDA DE RESULTADOS


Bons negócios.