Quinta-Feira, 23 de março de 2017

 
 

Bom dia,


1Congresso aprova terceirização, mas o mercado continua de olho na Previdência. O governo teve uma importante vitória no Congresso, ontem. Foi aprovado o texto que libera a terceirização em todas as atividades das empresas. Porém, mesmo com a aprovação, a votação trouxe algumas notícias não muito positivas, como o voto contrário de parte da base aliada de Temer. E a terceirização não tem o mesmo potencial “explosivo” da reforma da previdência, por exemplo, o que pode trazer a leitura de que o governo terá de fazer mais concessões para aprovar a reforma. Ontem ainda, como comentamos em nosso diário, o governo anunciou que o orçamento para 2017 tem rombo de R$ 58,2 bilhões (dentro da expectativa que era em torno de R$ 60 bi). Como também comentamos ontem, os cortes de gastos do governo não serão suficientes para cobrir esse montante (espera-se que os cortes fiquem em torno de R$ 40 bi) e serão necessárias receitas adicionais, que podem passar por aumento de impostos.

O IPC-S de março, apresentou elevação. O IPC-S, que mede a 3ª quadrissemana de março apresentou variação de 0,39%, 0,04 p.p. acima da taxa registrada na última divulgação. Nesta apuração, quatro das oito classes de despesas que compõem o índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação, com a maior contribuição do grupo Alimentação (0,25% para 0,42%). 

A prévia da Sondagem da Indústria sinaliza avanço. A sondagem da Indústria referente a março mostrou avançou de 2,9 pontos no Índice de Confiança da Indústria em relação ao número final do mês anterior, para 90,7 pontos. A alta decorre de melhora tanto da consideração sobre a situação atual quanto da perspectiva para os meses seguintes. O Índice da Situação Atual subiu 2,5 pontos, para 88,9 pontos, e o Índice de Expectativas, 3,4 pontos, para 92,7 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (NUCI) aumentou 0,2 p.p. na prévia de março, para 74,5%. Na métrica de médias móveis trimestrais, o NUCI avançou 0,6 p.p., também para 74,5%, registrando a terceira alta consecutiva nesta base de comparação.

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Nos EUA, Trump e Yellen no radar. Não apenas Trump, mas o Congresso que deve votar a proposta de reforma da saúde do presidente em substituição ao Obamacare, proposta que encontra resistência dos dois extremos do espectro político norte-americano, entre os mais conservadores e os mais liberais. A votação é vista como um teste da capacidade da articulação política de Trump para assuntos de maior interesse do mercado, como as medidas para estimular a economia. Esse assunto deve dominar a atenção do mercado e até mesmo o discurso da chair do FED, sempre cercado de expectativa, dessa vez deve ter papel secundário no noticiário econômico, tendo em vista que com o comunicado após a última reunião do FOMC, não há mais dúvidas quanto ao gradualismo na alta de juros por lá. De indicadores, o Departamento do Trabalho divulga o número de pedidos de auxílio desemprego agora de manhã e o Censo americano divulga as vendas de moradias novas no final da manhã.

Confiança do consumidor cai na Alemanha. O levantamento feito pelo GfK aponta que a confiança do consumidor para abril caiu para 9,8 pontos, abaixo da expectativa do mercado que era manutenção do nível observado em março em 10,0 pontos. O instituto atribuiu a queda à alta na inflação por lá. No início da tarde, teremos o mesmo indicador relativo a zona do euro sendo divulgado pela Eurostat, onde a expectativa é de ligeira melhora, mas com o índice ainda no campo negativo.

Bolsas em alta tímida. Após pregões bem pressionados, o dia é de alta bem leve nas Bolsas asiáticas e europeias. Os mercados estão à espera principalmente das notícias referentes à votação no Congresso da proposta do governo Trump para a saúde (texto acima). Por aqui, a expectativa é que o cenário político doméstico (também com texto acima), deva pressionar a abertura do pregão, mas o IBOV também deve responder ao noticiário internacional no decorrer do dia.

 
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Even (EVEN3) divulga números um pouco abaixo do esperado. Os números da incorporadora vieram fracos no último trimestre de 2016, o que já era esperado, tendo em vista o cenário muito desfavorável para as empresas do setor nos últimos anos, com aumento dos distratos e queda forte na demanda, mas o resultado líquido da Even veio ainda abaixo da expectativa média de mercado, com um prejuízo de R$ 26,0 milhões. A dívida da companhia está em um patamar elevado, de 57% do PL e a incorporadora não teve geração de caixa positiva em mais um trimestre. São fatores que devem fazer com que os seus papéis continuem pressionados no curto prazo, mas lembramos que a aceleração esperada para a queda de juros por aqui é muito favorável para a Even e é esperada para breve a regulação da questão dos distratos, ponto muito pedido pelas empresas do setor, que podem voltar a impulsionar os papéis das incorporadoras, o que pode ajudar os ativos EVEN3, que por conta dos fatores negativos que comentamos, estão descontados em relação aos pares em Bolsa, mas com um perfil de risco também mais elevado.

Eucatex (EUCA4) reportou números satisfatórios em meio ao cenário complicado. A companhia apresentou no 4T16, contração de 1,7% em sua receita líquida e no comparativo anual ficou estável. No Segmento Madeira, a redução da receita foi menor que a queda no volume, devido à considerável participação de produtos de maior valor agregado, bem como dos aumentos de preços praticados. A Receita das Exportações, mesmo diante de forte desvalorização cambial, apresentou expansão de 17,6% no 4T16 e de 22,9% em 2016, reflexo da ascensão contínua desse mercado. O Segmento de Tintas registrou incremento de 4,1%, no trimestre, e de 2,5%, no ano, resultado dos preços mais elevados (+6,4%), em 2016 em relação ao ano de 2015. A Eucatex conseguiu reduzir seus custos e despesas e, como consequência, o EBITDA aumentou 1,9% em relação ao alcançado no 4T15. A margem EBITDA atingiu 16,4%, ante 15,9% obtido em igual período do ano anterior. Por fim, o lucro líquido no 4T16, foi beneficiado pelas melhoras no lucro bruto, EBITDA e resultado financeiro, apresentando assim crescimento de 182,9%, quando comparado ao 4T15, e no acumulado do ano, ficou 140,0% superior ao ano anterior. Para 2017, as expectativas são melhores, dado os juros menores, inflação mais baixa, melhora nos índices de confiança do consumidor e da indústria, resultando na diminuição do alto endividamento das empresas e famílias. Tais fatores, unidos à liberação do FGTS, possibilitam a retomada dos investimentos e do consumo, porém a recuperação da atividade econômica ainda deve ser lenta. Acreditamos que suas ações possam performar no campo positivo.

Renova (RNEW11) apresenta fraco resultado e segue com situação financeira delicada. O início do suprimento de energia para contratos no mercado livre beneficiou a receita líquida do trimestre, enquanto que as iniciativas adotadas para readequação de sua estrutura e ganho de produtividade contribuíram para a redução das despesas administrativas. Mas, as boas notícias param por ai. Os custos gerenciáveis denotaram forte alta, devido ao maior dispêndio com compra de energia para revenda, serviços de terceiros e seguros. Não obstante, a realização de uma provisão para impairment de ativos, no montante de R$ 261,7 milhões, levou o EBTIDA negativo em R$ 246,9 milhões no 4T16. Expurgando esse impairment e outros fatores que não tem efeito caixa o EBITDA seria positivo em R$ 1,1 milhão, resultando numa margem de apenas 0,9%. Diante desse resultado operacional e do substancial aumento nas despesas financeiras, a Renova reportou prejuízo de R$ 424,6 milhões no último trimestre de 2016. A geradora ressalta que a estratégia de readequação da estrutura de capital implementada ao longo do último ano, a revisão do plano de negócios e a possível alienação do projeto Alto Sertão II, por R$ 650 milhões, perfazem um cenário menos desafiador em 2017. Todavia, mantemos certo ceticismo com relação a uma melhora operacional mais contundente no curto prazo. Além disso, sua situação financeira segue bastante delicada. Portanto, reiteramos nossa recomendação de cautela na exposição aos ativos da Renova, que podem ficar pressionados no pregão de hoje por conta de tal desempenho.

CPFL Renováveis (CPRE3) também reporta números mais fracos. A geração de energia da CPFL Renováveis avançou 13,3% ante o 4T15, com a entrada em operação comercial de alguns parques eólicos mais do que compensando o impacto da menor afluência hídrica sobre a produção das Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs. Todavia, a despeito desse crescimento e do maior faturamento do trimestre, o EBITDA recuou expressivamente ante o 4T15, principalmente por questões como o maior custo com compra de energia para revenda, realização de baixa em inventário físico e provisão para baixa em projetos. Ademais, a maior despesa financeira também contribuiu para a reversão do lucro registrado doze meses atrás em prejuízo de R$ 26,2 milhões no derradeiro trimestre de 2016. Esse desempenho pode trazer impacto marginalmente negativo para CPRE3 no pregão de hoje.

CADE aprova fusão entre BM&FBovespa (BVMF3) e Cetip (CTIP3). Ontem, em sessão iniciada às 10h, mas que foi encerrada somente após o fechamento do pregão, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a união das empresas mediante a celebração de Acordo de Controle de Concentração (ACC), por meio do qual as companhias assumem compromissos de: (i) viabilizar as regras de acesso ao mercado; (ii) dar tratamento isonômico à outras infraestruturas de mercado financeiro; (iii) instalar mecanismos de governança dos preços de produtos e serviços; e (iv) garantir as condições de acesso à prestação de serviços em sua central depositária de renda variável. O ACC permanecerá em vigor pelo prazo de cinco anos, sendo que os compromissos assumidos serão objeto de acompanhamento dos órgãos regulatórios competentes. Posto isso, a consumação da operação se dará em 29/mar/17, último dia de negociação dos ativos CTIP3 em bolsa. Os acionistas da Cetip receberão, para cada ação detida, 0,9384908 ação BVMF3 mais o valor de R$ 31,83525013, de acordo com os termos de troca estabelecidos, no entanto, esses dois números ainda serão atestados e divulgados ao mercado em 28/mar/17 e o pagamento será feito até o dia 02/mai/17. Acreditamos que a consumação da operação trará importantes ganhos de escala, sinergias operacionais e financeiras e melhores perspectivas no que tange ao crescimento desse mercado no país. Dessa forma, acreditamos que as ações de ambas as empresas continuaram exibindo o movimento de alta no curto prazo.

Prejuízo da Oi (OIBR4) aumenta ainda mais e recuperação judicial ganha "novos capítulos". A operadora de telefonia apresentou números piores que as expectativas de mercado que já eram pessimistas. Na comparação com o 4º Trim/15, a receita líquida caiu 5,7%, o EBITDA recorrente 2,2% e o prejuízo líquido das operações continuadas aumentou 29,8%. Apesar desse resultado bastante fragilizado, as ações OIBR4 poderão reagir hoje em bolsa em função do aditamento apresentado junto ao plano de recuperação judicial em curso. Novas condições foram propostas aos credores da companhia que envolvem a conversão de dívida em ações, venda de ativos relevantes da empresa para quitação de débitos e renegociação de prazos de pagamento. Seguimos acompanhando de perto o desenrolar dessa situação da Oi, mas acreditamos que a tendência de alta volatilidade em seus papéis permanecerá em virtude das inúmeras incertezas que cercam a companhia.

Desempenho regular da Senior Solution (SNSL3) já estava na conta do mercado. Para o 4º Trim/16, esperava-se que a companhia reportasse números ainda tímidos por conta da integração das aquisições realizadas. Nesse sentido, houve na comparação anual crescimento de 26,4% na receita líquida, mas o EBITDA caiu 7,6% e o lucro líquido 58,8%, sendo este último bastante impactado pelos benefícios fiscais registrados no 4º Trim/15. De todo modo, suas ações pouco deverão reagir ao resultado dentro do esperado. Adicionalmente, o conselho de administração da companhia aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no montante bruto de R$ 1,1 milhão, aproximadamente R$ 0,09 por ação e correspondente a um yield de 0,6%. Os acionistas posicionados ao fim do pregão de 27/mar/17 terão direito aos proventos, as ações ficam ex-JCP a partir de 28/mar/17 e o pagamento será realizado a partir de 22/mai/17, porém sem qualquer atualização monetária.

Em termos de rentabilidade, resultado da Movida (MOVI3) ainda ficou devendo. A locadora de veículos apresentou forte evolução na receita líquida (+30,5% sobre o 4º Trim/15), no entanto, o processo de ramp up das operações ainda segue inibindo os ganhos de margem da companhia. Nesse sentido, houve expressiva queda tanto no EBITDA quanto no lucro líquido entre os trimestres. Acreditamos que suas ações poderão reagir negativamente no pregão de hoje.

Boa divulgação da Alliar (AALR3) que fez mais uma aquisição. A empresa de medicina diagnóstica apresentou números interessantes no último trimestre do ano passado. Em termos recorrentes, houve avanço nas principais linhas de sua DRE, sendo de 23,0% na receita líquida, de 4,3% no EBITDA e de 14,9% no lucro líquido, todos em relação ao 4º Trim/15. Além do resultado, a companhia anunciou a compra da Multiscan por R$ 104 milhões, numa transação com EV/EBITDA de 6,9x e P/L de 9,2x estimados para 2017 pela própria Alliar e que estão em linha com os últimos movimentos do setor. Neste contexto, entendemos que as ações AALR3 terão dois gatilhos para subir no curto prazo em bolsa.

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Bons negócios.