Quarta-Feira, 22 de março de 2017

 
 

Bom dia,


1Governo recua na Reforma da Previdência e deverá contingenciar R$ 40 bilhões hoje. O Planalto deu ontem o primeiro passo para trás no projeto de lei que tramita no Congresso Nacional para reformular a Previdência Social do país. Ao retirar os servidores estaduais e municipais da proposta original, rendeu-se às pressões dos policiais civis e dos professores e jogou essa "bomba" para os governadores e prefeitos, mas, ao mesmo tempo, deu um "tiro no próprio pé", pois os mesmos poderes executivos terão menos interesse em ajudar o governo federal em aprovar a principal medida de ajuste para aliviar as contas da União. Por outro lado, a decisão reduz bastante a resistência de parcela expressiva da base governista à reforma, facilitando sua tramitação nas casas legislativas. Em suma, seguimos com o cenário de que a Reforma da Previdência será aprovada, mas com uma versão mais leve do que a apresentada originalmente pelo governo federal. Ainda no assunto contas públicas, hoje será publicado o relatório bimestral do Ministério do Planejamento que faz a avaliação das receitas e despesas da União, bem como ajustes ao orçamento federal. Nesse sentido e para cumprir a meta de déficit primário de R$ 139 bilhões deste ano, deverá ser anunciado um contingenciamento de gastos em torno de R$ 40 bilhões, previsto em média pelo mercado, assim como não se pode descartar a possibilidade de elevação na carga tributária, sobretudo através de impostos sobre combustíveis, de forma a contribuir para o atingimento da meta federal.

IPCA - 15 desacelera no mês de março. O IPCA-15 ficou em 0,15% em março e 4,73% no ano, dentro da expectativa do mercado, mas bem abaixo do último número divulgado, 0,54% em fevereiro. Das nove categorias que compõe o indicador oito delas apresentaram reduções. O comportamento dos preços mais que reforçam a continuidade da redução nas taxas de juros.

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Agenda econômica fraca lá fora. Nos EUA, teremos os dados de vendas de residências usadas, que devem ter ficado mais fracas em fevereiro, e os estoques de petróleo e derivados. Porém, o principal foco de atenção dos investidores ainda fica sob a incerteza quanto à capacidade do presidente Trump aprovar sua agenda econômica no Congresso mantém em alta a aversão ao risco. Na Zona do Euro, em jan/17, o balanço de pagamentos registrou um excedente de € 24,1 bilhões, em linhas com as expectativas. A conta corrente acumulada em 12 meses terminou com um superávit de € 357,9 bilhões (ou 3,3% do PIB do bloco), em comparação com os € 321,6 bilhões (ou 3,1% do PIB) registrados em jan/16, enquanto que a conta financeira apurou uma significativa redução no investimento direto (tanto estrangeiro quanto de residentes) no bloco econômico europeu. Apesar disto, esse indicador dentro do esperado pouco deverá movimentar o mercado bursátil hoje.

Dia de Bolsas no vermelho. As Bolsas asiáticas fecharam com fortes quedas nessa quarta, com destaque para o índice da Bolsa de Tóquio, onde ganha força a visão de que o banco central japonês está em uma encruzilhada entre subir os rendimentos dos títulos para responder a alta nos treasuries americanos ou manter o nível atual para não impactar o crescimento econômico e a meta de inflação por lá. Na Europa, os índices também operam no negativo, com o receio do mercado em relação à força de Trump para aprovar suas medidas de estímulo econômico no Congresso norte-americano, como comentamos no texto acima. Por aqui, além da pressão vinda do cenário externo, soma-se a isso o recuo do governo na questão da reforma da Previdência (texto mais acima) e podemos esperar mais um pregão pressionado por aqui, também.

 
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EBITDA, margem e desalavancagem são destaques no resultado da Petrobras (PETR4). O EBITDA ajustado de R$ 24,7 bilhões e a margem de 35,1% atingida no 4T16 representam expressiva melhora, tanto na comparação anual quanto na trimestral. Esse desempenho reflete, em boa medida, questões como o menor registro de impairment e provisões, além da melhora no resultado operacional do segmento de exploração e produção, impulsionado pelo crescimento da produção, maior preço de venda de petróleo no mercado doméstico e redução de despesas gerenciáveis. Outro destaque positivo foi a geração de fluxo de caixa livre positivo em R$ 41,5 bilhões em 2016, ante os R$ 15,8 bilhões registrados em 2015, em razão de fatores como a maior margem nas vendas de diesel e gasolina, redução nos custos com importação e recuo de 32% no volume de investimentos. Além desses fatores, a alavancagem da companhia também foi favorecida pela apreciação do real ante do dólar no derradeiro trimestre do ano passado e pelo programa de desinvestimento, assim seu endividamento líquido caiu 20% em doze meses enquanto o índice dívida líquida/ EBITDA saiu dos 5,11x registrados no 4T15 para 3,54x neste trimestre. A despeito do lucro de R$ 2,5 bilhões no 4T16, no consolidado do ano a estatal registrou prejuízo de R$ 14,8 bilhões, o que impossibilita a distribuição de proventos pelo terceiro ano consecutivo. Em suma, esse desempenho corrobora a percepção de que a nova gestão está comprometida com a redução de custos, ganho de eficiência operacional e redução da alavancagem, o que deve propiciar a gradativa melhora de resultados ao longo de 2017. Reiteramos nossa visão positiva e recomendação de compra para os ativos da Petrobras.

Hoje será o julgamento da fusão entre BM&FBovespa (BVMF3) e Cetip (CTIP3) pelo CADE. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) iniciará às 10h a sessão em que será feita a análise da combinação dos negócios das empresas. Espera-se a aprovação da transação, mas com a aplicação de "remédios" pelo CADE, sobretudo no que se refere a concorrência via preços e a barreira à entrada de novos competidores. De todo modo, o parecer final do órgão antitruste brasileiro irá movimentar as ações das companhias em bolsa.

Números surpreendentes da Kroton (KROT3). A instituição de ensino superou as projeções de mercado para o desempenho no 4º Trim/16. No comparativo com o derradeiro trimestre de 2015 com os dados ajustados pela venda a Uniasselvi, a receita líquida cresceu 2,3% (enquanto se previa uma redução na casa dos 3%), o EBITDA aumentou 2,0% e lucro líquido subiu 19,3% entre os períodos. Adicionalmente ao desempenho melhor que o esperado, a companhia distribuirá dividendos aos acionistas posicionados ao fim do pregão de 28/mar/17, o que deverá levar ainda mais as ações KROT3 para o campo positivo. Serão distribuídos R$ 125,6 milhões em proventos, equivalentes à R$ 0,08 bruto por ação, aproximadamente, sendo que o pagamento será feito em 10/abr/17 e o dividend yield está próximo a 0,6% considerando a cotação de fechamento de ontem.

Tegma (TGMA3) também supera as projeções de mercado. Apesar da fragilidade operacional em razão do contexto econômico interno, a receita líquida da companhia caiu 11,2% em relação ao 4º Trim/15, ante as estimativas que apontavam para um tombo na ordem de 18%. Enquanto que o EBITDA de R$ 32 milhões e o lucro líquido de R$ 13 milhões reportados no último trimestre do ano passado vieram bastante além da mediana das projeções, R$ 21,0 milhões e R$ 3,6 milhões, respectivamente. Esperamos reação positiva dos investidores diante desse desempenho melhor do que o esperado.

AGENDA DE DIVIDENDOS


AGENDA DE RESULTADOS


Bons negócios.