Sexta-Feira, 19 de maio de 2017

 
 

Bom dia,


1
Diga ao povo que fico... Com a agenda macroeconômica fraca hoje, somente com a divulgação da sondagem industrial, que ainda não tem horário, o mercado amanhece de olho no noticiário político, aguardando detalhes sobre a delação de Joesley Batista. Depois da verdadeira hecatombe de ontem, com a B3 acionando o circuit breaker logo no início do pregão, o pronunciamento do presidente não renunciando ao cargo gerou muita incerteza quanto o andamento da política econômica. O Risco Brasil medido pelo indicador CDS, operou em alta de 28,7%, fechando aos 269 pontos, depois de ter chegado ao menor nível desde 2015 aos 199,32 pontos. O câmbio disparou e as incertezas quanto à redução da taxa de juros agora são maiores. Mesmo após a divulgação do áudio, que, à princípio, parece não trazer um conteúdo tão comprometedor, a crise está instaurada e Temer terá dificuldade para restaurar sua governabilidade. 

a

Nos EUA, agenda vazia nesta sexta-feira. Hoje, não teremos a divulgação de nenhum indicador da economia norte-americana, sendo o único evento agendado, o discurso de James Bullard, presidente do FED de St. Louis, que pode trazer alguma sinalização sobre a condução da política monetária por lá, ainda que Bullard não tenha direito a voto neste ano. Ademais, certamente os investidores continuarão atentos ao noticiário político e aos próximos passos de Trump.

Na Zona do Euro, será divulgada a confiança do consumidor. Em dia de agenda também fraca na Europa, o destaque fica com os dados da confiança do consumidor, referente a maio, cuja expectativa é de uma melhora bastante sutil, após o avanço de 1,4 ponto registrado em abril. Todavia, o índice deve continuar em terreno negativo, reiterando a percepção de que a retomada econômica deve ocorre de forma bem paulatina.

Bolsas em leve alta lá fora. As Bolsas asiáticas fecharam no azul nessa sexta-feira, em dia sem grandes novidades. Na Europa, os principais índices também ensaiam uma recuperação, ainda que leve, após dias pressionados especialmente pelo cenário político americano que só não é mais conturbado que o brasileiro. Vale mencionar a recuperação dos ativos brasileiros negociados lá fora, após a forte desvalorização de ontem, o que indica também uma tendência positiva para o pregão de hoje.

 
a
Cautela é a palavra da vez para as ações da JBS (JBSS3). A companhia, em comunicado ao mercado divulgado hoje, anunciou que sete executivos da empresa e de sua controladora, J&F Investimentos, celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, acordo que foi homologado pelo STF. Este acordo prevê o pagamento, por esses executivos, de uma multa no valor total de R$ 225 milhões, bem como a colaboração com o Ministério Público acerca de todos os fatos. Segundo a companhia, a mesma manterá o mercado informado sobre quaisquer acontecimentos relacionados ao assunto. Consideramos que os papéis da JBS continuarão bastante pressionados, dado todo o seu envolvimento com operações Carne Fraca e Bullish e agora a delação premiada. Noticiários relatam também que a companhia fez operações de câmbio e venda de ações, no entanto, a mesma ainda não se pronunciou sobre estas operações. Somando todos estes fatores, consideramos que o risco atrelado aos papéis está muito elevado para o seu potencial retorno, além disso, com as delações, ainda não se sabe o quanto a companhia terá que devolver aos cofres públicos.

Faturamento da Randon (RAPT4) continua em queda. A companhia anunciou dados da receita líquida consolidada de abril, onde registrou recuo de 6,5% em doze meses. No acumulado dos quatro primeiros meses desse ano, o faturamento líquido acumula retração de quase 18% frente ao mesmo período do ano anterior. Ainda que a trajetória continue sendo de retração, a magnitude da queda já é menor do que a observada ao longo do primeiro trimestre, o que deve mitigar a influência dessa divulgação sobre o desempenho de suas ações.

Petrobras (PETR4) reitera política de preços. O presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou que a brusca variação no câmbio e a crise política não devem afetar a política de revisão mensal dos preços de combustíveis, tampouco seu plano estratégico de parcerias e desinvestimentos. Além disso, Parente também declarou que no consolidado (incluindo receita, custos e dívidas) o impacto da desvalorização do real sobre seu balanço é positiva. Com isso, e tendo em vista a queda livre na cotação de seus ativos ontem, suas ações podem apresentar uma leve recuperação.

BTG (BBTG11, BBTG12 e BPAC11) anuncia novo programa de recompra de ações para todas as classes de ativos. O BTG anunciou o encerramento do antigo programa de recompra de ações e o início de um novo, com prazo de 18 meses, contemplando todas as classes de ativo, nesse processo de reorganização societária que visa segregar os negócios bancários da empresa de participações. Serão adquiridas 16,5 milhões de ações de cada entidade (BBTG12 e BPAC11) ou então de units BBTG11 ainda não convertidas.

Rumo (RAIL3) esclarece notícia sobre trabalho escravo. Na última semana foi veiculada na imprensa uma matéria a respeito da companhia, na qual se destacava que a operadora de logística foi condenada a pagar R$ 15 milhões por jornada extenuante de trabalho. Ontem, a empresa esclareceu, através de comunicado ao mercado, que não foi condenada por trabalho escravo ou condições análogas, mas sim que se trata de uma ação civil pública que versa sobre motoristas de empresas terceirizadas da Rumo. Nessa ação já foi proferida sentença que considerou a terceirização ilícita e a jornada de trabalho excessiva. Por consequência, a justiça condenou, em primeira instância, as empresas por danos morais aos empregados e determinou o pagamento dos R$ 15 milhões citados na reportagem, além de suspender a terceirização da atividade e impor melhores condições de trabalho aos funcionários afetados. Por fim, a Rumo enfatizou que tal decisão é passível de recurso e que o potencial impacto financeiro não representa efeito adverso para o negócio, o que discordamos, uma vez que se esse montante de R$ 15 milhões fosse contabilizado como despesa no 1º Trim/17, reduziria o EBITDA em cerca de 3% ao total que foi reportado pela companhia. Os ativos RAIL3 podem até sofrer uma pressão no curto prazo, mas consideramos que a conjuntura política interna é que, de fato, balizará a trajetória das ações da Rumo nos próximos pregões.

AGENDA DE DIVIDENDOS


Bons negócios.