Quinta-Feira, 16 de março de 2017

 
 

Bom dia,


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De negativa para estável. A agência de risco Moody´s alterou a perspectiva do rating soberano, de negativa para estável, mantendo a nota em "Ba2". No comunicado a agência citou a estabilização da economia e os sinais de recuperação nas contas públicas para justificar a melhora e também já estão incluindo as reformas. Além disso, destacou que as instituições estão se recuperando e ficando mais sólidas. Entretanto, a Moody's fez algumas observações que, segundo eles, são importantes para a continuidade da melhora, sendo elas a aprovação da reforma da Previdência e o risco político. O recrudescimento desse risco e a não aprovação da reforma da previdência podem levar ao rebaixamento da nota.

Reforma da Previdência, Lista de Janot e derrota da União no STF no noticiário político. As grandes manifestações que afligiram o país ontem e o vazamento de novos nomes citados nas delações de executivos da Odebrecht começam a dificultar o andamento da Reforma da Previdência, tanto que ontem a comissão especial optou por estender até sexta-feira o prazo para a apresentação de emendas (até então já haviam sido apresentadas 146 emendas). Não obstante, ontem o Superior Tribunal Federal também decidiu tirar o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, o que pode gerar um impacto de cerca de R$ 20 bilhões por ano na arrecadação. Levando em consideração o período entre 2003 e 2014 e o impacto da decisão chega a R$ 250 bilhões. O Ministério da Fazenda já anunciou que irá recorrer, para que a decisão passe a valer apenas em 2018 e para que não ocorra a devolução retroativa do que foi recolhido nos últimos cinco anos.

IPC-S apresenta leve aumento. O índice de preços ao consumidor semanal (IPC-S) apresentou leve alta de 0,01 p.p, saindo de 0,34% para 0,35%, da primeira para a segunda quadrissemana de março. Das oito classes de despesas que compõem o índice, cinco apresentaram elevações. Com a maior contribuição vinda do grupo alimentação que saiu de 0,11% para 0,25% e também subiram os grupos de habitação (0,61% para 0,72%), saúde e cuidados pessoais (0,50% para 0,56%), vestuário (-0,05% para 0,25%) e despesas diversas (0,49% para 0,70%).
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Juros nos EUA dentro do esperado. O Federal Reserve elevou a taxa de juros para o patamar entre 0,75% e 1%. A votação foi 9 a 1. No comunicado Yellen com um tom mais dovish, mostrou que a decisão é justificada pelos dados de melhoria no mercado de trabalho e que a atividade econômica continua expandindo moderadamente. E que as atenções continuam no controle da inflação, sendo esta a única variável que acabou alterando a decisão do Fed de manutenção para a alta neste mês de março. Junto com o comunicado, o FOMC divulgou suas projeções para a economia. Com o PIB para 2017 seguindo em 2,1% e para 2018 passou de 2% para 2,1%, e 2019 segue em 1,9%. A inflação (PCE) segue em 1,9% em 2017, ficando dentro da meta de 2% em 2018, no mesmo patamar para o ano de 2019 em diante. E a taxa de desemprego veio inalterada, 4,5% entre 2017 e 2019, já para o longo prazo foi revisada de 4,8% para 4,7%. E por fim, a mediana das projeções mostrou que a taxa de juros seguem com perspectivas de mais duas elevações em 2017, finalizando o ano em 1,4% e para 2018 em 2,1% e em 2019 a projeção saiu de 2,9% para 3%, permanecendo assim no longo prazo.

Agenda está cheia, mas não deve trazer novidades.
A agenda norte americana de hoje conta com a divulgação de dados do mercado imobiliário, com o número de novas construções residenciais, onde a perspectiva é de uma leve melhora. Em sentido oposto, para o número de concessão de alvarás e para a Sondagem Industrial da Filadélfia a estimativa é de arrefecimento frente à última divulgação. Em destaque, fica a divulgação do número de pedidos de auxílio desemprego, onde a expectativa é de uma estabilização frente ao resultado anterior. De toda forma, esses índices não devem mudar a percepção de um crescimento moderado da economia, trazendo pouca influência para o mercado bursátil.

BC chinês elevou os juros.
Logo após o anuncio da elevação dos juros nos EUA, o Banco Central da China elevou seus juros interbancários de curto prazo em 0,10 ponto, vindo dentro da expectativa de mercado que ainda aponta novos aumentos. E diferentemente da China, o Japão, manteve a taxa de depósito negativa em -0,1%, em reunião do BOJ e também não alterou o ritmo do programa de compra de bônus, que permanece em 80 trilhões de ienes.

CPI da zona do euro fica dentro das estimativas de mercado.
O índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro subiu 2% na comparação anual de fevereiro, ante um aumento de 1,8% observado em janeiro, segundo a agência Eurostat. Mesmo vindo em linha com as estimativas de mercado este resultado é considerado o maior desde janeiro de 2013, o que acabou ultrapassando a meta do BCE, que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2,0%. E em relação ao mês anterior, o CPI da região avançou 0,4% em fevereiro, também ficando dentro das expectativas de mercado. E o núcleo do CPI do bloco, que exclui os preços de energia e de alimentos, apresentou alta de 0,9% na comparação anula de fevereiro e aumento 0,4% ante o mês de janeiro. 

Banco da Inglaterra mantém juros e compra de títulos. Em linha com o que era esperado, o BoE manteve a taxa de juros em 0,25% e também manteve, por unanimidade, o programa de compra de títulos. Essa decisão levou em consideração o crescimento moderado da inflação e da atividade, bem como os riscos derivados do Brexit e das políticas anti- comerciais que podem ser adotadas por Trump.

Partido Liberal leva a melhor na Holanda. Ao contrário do que apontou as pesquisas de opinião das últimas semanas, o candidato de extrema direita, Geert Wilders, foi derrotado pelo atual premiê Mark Rutte, do Partido Liberal, que obteve a maioria dos assentos na Câmara e no Senado, devendo ser reconduzido ao poder em um ambiente de ampla coalização. A notícia traz certo alento aos mercados, afastando o risco de uma nova ruptura no bloco Europeu e tirando força dos movimentos populistas que ainda ameaçam outros países, como a França.

Bolsas no azul nessa quinta. Repercutindo o comunicado do FOMC de que manterá o gradualismo na subida de juros por lá, as Bolsas asiáticas fecharam em alta, com destaque para o salto de 2,08% em Hong Kong. Na Europa, a euforia também se faz presente nos mercados, na esteira não só do comunicado percebido como dovish, mas também do resultado da eleição holandesa e da decisão do BoE (tem textos acima sobre as novidades na Europa). Por aqui, a Bolsa já repercutiu o comunicado do FOMC no final do pregão de ontem e o impacto das novidades europeias devem ter efeito menor, ainda assim, a expectativa é de um pregão positivo, após elevação da perspectiva do rating soberano de negativa para estável, mesmo com as notícias no cenário doméstico (especialmente político, também com texto acima) não ajudando.

 
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Resultado resiliente da BrMalls (BRML3). Batendo o olho nos números da companhia, pode-se ter a impressão (equivocada) de que esse trimestre foi um desastre. Retração nas principais linhas do resultado, EBITDA negativo e prejuízo. Porém, houve um impacto de R$ 837,0 milhões no resultado de variação do valor do portfólio, que não tem qualquer efeito no caixa da companhia, é uma “marcação a mercado” do valor dos shoppings da BrMalls. Descontando esse efeito, os números da companhia mostraram uma leve retração frente ao reportado há doze meses, o que consideramos positivo, tendo em vista que o varejo teve o pior natal dos últimos anos. Além disso, comparando o 4T16 com os demais trimestres do ano, já vemos o início da recuperação nas margens da companhia, fruto de um bom trabalho de controle de custos e despesas. Tendo em vista o resultado que consideramos sólido e o ciclo bastante favorável de redução de juros por aqui, continuamos a recomendar os papéis da BrMalls.

Resultado sólido da Wiz, antiga Par Corretora (PARC3). Com um modelo de negócios em que boa parte da receita da companhia (51% em 2016) vem de vendas realizadas em períodos anteriores, a companhia ganha em previsibilidade, ainda assim, se destacou pelo bom crescimento no top line nesse trimestre. O destaque negativo, porém, vem da perda de margens, pelo aumento na alíquota no PIS e COFINS recolhidos, na provisão de PLR e no pagamento de earn out de uma aquisição de 2014, que é quando parte do pagamento de uma aquisição está condicionada ao atingimento de certas metas. Com bom resultado, dentro do esperado, a troca de nome não deve significar mudança na tendência positiva de seus papéis, que acumulam valorização nos últimos meses.

Dividendos da Cielo (CIEL3). A companhia vai distribuir R$ 0,166764667 por ação para os acionistas que acordarem com os papéis da companhia em carteira hoje. Papéis já abrem o pregão ex-proventos e o pagamento será no dia 31 de março. O yield da operação, no entanto, é bem baixo, de 0,6%.

TCU exige ajustes nas vendas da Petrobras (PETR4). Ontem o Tribunal de Contas da União autorizou a continuidade das privatizações da petrolífera, mas exigiu que o procedimento de venda seja ajustado, o que faz com que o processo comece praticamente do zero. Apenas dois projetos ficaram de fora das exigências, os blocos de Baúna e Tartaruga Verde, na Bacia de Santos, e o campo de Saint Malo, que fica no trecho americano no golfo do México. A companhia reafirmou sua meta de parceria e desinvestimento no montante de US$ 21 bilhões no biênio 2017 -2018, ainda assim a decisão do órgão pode afetar o cronograma de desalavancagem da estatal. A despeito dessa decisão, que pode trazer uma pressão para seus papéis no curtíssimo prazo, seguimos otimistas com relação à execução de seu plano estratégico.

Vale (VALE5) está prestes a concluir venda. A mineradora anunciou que está prestes a concluir a venda de parte da sua participação na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala para a Mitsui. O negócio deve render cerca de US$ 770 milhões logo após a conclusão da transação, prevista para ocorrer até o final desse mês, e até US$ 2,7 bilhões após a conclusão do project finance. Essa transação está relacionada ao processo de desinvestimento estratégico da Vale. A notícia, aliada a nova alta do minério de ferro, pode favorecer os papéis da mineradora no pregão de hoje.

Contax (CTAX3) apresentou melhoras, mas seu resultado ainda foi bastante fraco. A operadora de call centers divulgou seus números do 4º Trim/16 que, em termos pró-forma, registraram tombo de 11,4% na receita líquida. Porém, houve a reversão do EBITDA negativo para uma geração de caixa (medida por esse indicador financeiro) de R$ 7,0 milhões, bem como o prejuízo líquido foi inferior em 63,5% ao reportado no 4º Trim/15. No entanto, esse desempenho pouco deverá impactar nas negociações dos ativos CTAX3, uma vez que o processo de reestruturação que já contou com reperfilamento das dívidas, chamada de capital em bolsa e venda de ativos (marca Allus que operava na América Latina) seguirá como seu principal driver em bolsa. Seguimos alertando sobre os inúmeros riscos no investimento na empresa, mas também temos ressaltado o grande retorno potencial para os investidores propensos a correr muitos riscos em renda variável.

Estácio (ESTC3) reportou números distintos das expectativas. A instituição de ensino realizou eventos não recorrentes no 4º Trim/16, tais como a provisão para o aproveitamento acadêmico do FIES e a venda da carteira de clientes por R$ 46,7 milhões. Dessa forma, na comparação recorrente, a receita líquida subiu 8,2% e o EBITDA cresceu 30,1%, ambas as altas bem superiores ao que o mercado esperava. Já a linha final da DRE veio menor do que o esperado, com queda de 35,8% sobre o 4º Trim/15 em virtude do resultado financeiro negativo em R$ 25,3 milhões e maiores impostos pagos no período. Ainda assim, entendemos que a performance operacional melhor do que as estimativas deverá influenciar positivamente suas ações no pregão de hoje.

Julgamento da fusão entre BM&FBovespa (BVMF3) e Cetip (CTIP3) finalmente tem uma data. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) incluiu na pauta da sessão de 22/mar/17 a análise da combinação dos negócios das empresas. São esperados a aplicação de "remédios" pelo CADE, sobretudo no que se refere a concorrência via preços e a barreira à entrada de novos competidores. De todo modo, a definição do julgamento tende a movimentar as ações das companhias no curto prazo.

JCP da Cetip (CTIP3). O conselho de administração da companhia aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no montante de R$ 29,7 milhões, aproximadamente R$ 0,11 bruto por ação e correspondente a um yield de 0,2%. Os acionistas posicionados ao fim do pregão de 21/mar terão direito aos proventos, as ações ficam ex-JCP a partir da próxima quarta-feira (22/mar) e o pagamento ocorrerá no dia 31 deste mês.

Proventos da OdontoPrev (ODPV3). A companhia distribuirá juros sobre o capital próprio (JCP) no montante de R$ 12,6 milhões, aproximadamente R$ 0,02 bruto por ação e correspondente a um yield de 0,2%. Os acionistas posicionados ao fim do pregão de 20/mar terão direito aos proventos, as ações ficam ex-JCP a partir da próxima terça-feira (21/mar) e o pagamento ocorrerá na data de 05/abr/17.

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Bons negócios.