Quarta-feira, 15 de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


IBC-BR acelera, enquanto IGP-10 desacelera. O índice de atividade foi divulgado há pouco pelo Banco Central e mostrou alta de 3,29% na comparação com maio, vindo um pouco acima do previsto, se recuperando da queda provocada pela greve dos caminhoneiros. Já o índice de inflação apresentou variação de 0,51% em agosto, contra 0,93% em julho, com desaceleração nos preços ao produtor, ao consumidor e nos custos da construção.

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Agenda americana. Bateria de indicadores esperada para hoje, com vendas no varejo e produção industrial, ambas referentes a julho, em destaque, logo no começo do dia, devendo mostrar alguma desaceleração em relação à divulgação anterior. O índice Empire State, do Fed de NY, que mede a atividade industrial na região também deve ser acompanhado de perto pelos investidores. O estoque semanal de petróleo deve ajudar a balizar os preços da commodity. Além disso, a Turquia anunciou taxação de produtos americanos em retaliação à medida anunciada pelos EUA, dando sinais que a disputa entre os países não está perto de acabar e elevando a aversão ao risco global.

Aversão ao risco domina os mercados. A quarta-feira é marcada por mais uma sessão negativa nos principais mercados bursáteis ao redor do globo. Os temores em relação à guerra comercial se intensificaram com a retaliação anunciada pelo governo turco contra os EUA, via aumento de taxas de importação. As bolsas na Ásia tiveram um pregão negativo, o que também é visto na Europa, que praticamente ignorou a aceleração da inflação para 2,5% no Reino Unido, acima da meta anual para o CPI de 2%. Aqui no Brasil, os reflexos externos deverão repercutir no Ibovespa, mas as divulgações de novas pesquisas eleitorais e também de balanços corporativos tendem a movimentar o benchmark da Bolsa paulista.

 


CCR (CCRO3) tem trimestre sem surpresas (dentro do possível). O tráfego nas rodovias da companhia foi bastante impactado pela greve dos caminhoneiros nesse trimestre. Esse efeito foi compensado pela elevação na tarifa média de pedágio e dos números vindos das outras concessões da empresa, com destaque para o ramp up do metrô de Salvador e para o bom crescimento na ViaQuatro, a linha amarela do metrô de SP, favorecido pela abertura de novas estações. Dessa forma, receita, EBITDA e lucro líquido vieram praticamente em linha com o reportado há doze meses, se desconsiderarmos os efeitos não recorrentes do trimestre, com destaque para os gastos com aquisição de participação na ViaQuatro e na ViaRio. Não esperamos que os números tenham um forte efeito nos papéis da companhia.

Trisul (TRIS3) tem mais um trimestre saudável. A companhia entregou top line e lucro bruto em linha com o reportado há três meses, mas boa evolução no EBITDA e no lucro líquido, até um pouco acima do esperado. Essa melhora decorre da queda dos gastos com consultorias nesse trimestre e de receitas classificadas como outras receitas operacionais, que vinha quase zerada nos últimos trimestres e nesse veio positiva em R$ 4 milhões, o que ajudou no salto do bottom line de R$ 12,8 milhões para R$ 17,4 milhões. Esperamos que os números sejam bem recebidos pelo mercado.

Desempenho pressionado da Qualicorp (QUAL3). Como destacamos na publicação matinal de ontem, a mudança no modelo de comercialização das carteiras da administradora de planos de saúde gerou impacto em seu faturamento que caiu 1% em relação ao 2º Trim/17, mas ficando dentro das previsões de mercado. Cabe registrar o tombo na base de beneficiários nas carteiras administradas pela companhia, de 4,5 milhões há doze meses para 2,6 milhões neste 2º Trim/18. Mesmo com o controle de gastos operacionais em vigor, houve queda de 9,7% no EBITDA entre os períodos. O lucro líquido só avançou 24,0% porque no 2º Trim/17 houve o impacto do distrato da carteira Potencial, o que reduziu a base de comparação com os R$ 88,6 milhões reportados nesse último trimestre. Esperamos reação negativa dos investidores por conta de mais um trimestre com números frágeis apresentados pela Qualicorp.

Resultados acima do esperado de Kroton (KROT3) e Estácio (ESTC3), enquanto Anima (ANIM3) decepcionou. As três empresas do setor educacional soltaram seus balanços que vieram distintos das expectativas de mercado. A Kroton teve um desempenho regular, com a receita líquida estável (0,4%), EBITDA ajustado recuando 6,1% e lucro líquido ajustado -10,2%, porém esses números ficaram melhores que as previsões de mercado que estavam bastante pessimistas. Já a Estácio registrou alta de 5,5% no faturamento líquido, de 7,9% no EBITDA e de 42,5% no lucro líquido, superando as estimativas para este 2º Trim/18. Por fim, a Anima até conseguiu entregar o avanço de 6,2% na receita líquida como se esperava, mas seu EBITDA caiu 10,5% e o lucro líquido tombou 84,0% sobre o reportado no 2º Trim/17, bem abaixo das projeções para este trimestre. Esperamos reação positiva dos ativos KROT3 e ESTC3, enquanto podemos ver os papéis ANIM3 pressionados.

Liq (LIQO3) apresentou resultado muito fraco. A operadora de call centers divulgou seus números do 2º Trim/18 que registraram expressiva queda de 20,7% na receita líquida em relação ao faturamento do mesmo trimestre de 2017. Houve a reversão do EBITDA positivo em R$ 6,2 milhões para R$ 32,6 milhões negativos agora. E o forte impacto do resultado financeiro fez o prejuízo aumentar entre os períodos. Contudo, esse desempenho pouco deverá impactar nas negociações dos ativos LIQO3, uma vez que a companhia atravessa um longo processo de reestruturação de seus negócios, que detalhamos mais em nosso recente relatório de contato direto.

Aumenta o prejuízo acumulado da JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).  A JBS apresentou prejuízo líquido de R$ 911,1 milhões no 2T18, contra um lucro líquido de R$ 309,8 milhões visto no mesmo período do ano anterior, reflexo do impacto da variação cambial. Já o resultado final da Marfrig foi impactado pela adesão da empresa ao programa de renegociação da dívida do Funrural e também pelo impacto da apreciação cambial sobre os juros e dívida. Na parte operacional já ajustado pela aquisição da National Beef, a Marfrig, apresentou crescimento de receita líquida e EBITDA, reportando alta de 21% e 87% em relação ao reportado no 2T17, respectivamente. E a JBS também apresentou melhores números operacionais com aumento de 12,8% no EBITDA, mesmo com os problemas enfrentados com a greve dos caminhoneiros no Brasil e crescimento 8,4% em sua receita líquida. Verificamos que o grande causador da queda no resultado final das companhias foi a apreciação do dólar sobre o valor em reais das dívidas em moeda estrangeira, pois as duas companhias conseguiram melhorar suas vendas e acabaram elevando sua geração de caixa em meio ao cenário mais desafiador. Mesmo mostrando certa melhora nas vendas de carne bovina, o que poderá elevar o preço de suas ações no pregão de hoje, ainda mantemos nossa recomendação de seletividade para investimentos em empresas deste setor. 

SLC (SLCE3) apresenta excelente resultado. A companhia reportou forte crescimento do lucro líquido, que avançou 115,1%, no EBITDA, que cresceu 115%, e em sua receita líquida, 35,4% maior se comparado com um ano antes. Esse bom desempenho reflete principalmente a receita da cultura da soja e aos recordes de produtividade alcançados em praticamente todas as culturas. No período em análise, a companhia também conseguiu reduzir a sua alavancagem, passando de uma dívida líquida / EBITDA de 2,6x (2T17) para 1,3x (2T18). Além de mostrar forte desempenho, a empresa segue otimista e mantém sua perspectiva da continuidade de melhores safras. No mês de julho foi divulgado fato relevante com a primeira intenção de plantio para a safra 2018/19, na qual a SLC pretende atingir 455 mil hectares, crescimento de 12,5% em relação à área plantada do período anterior, decorrente da incorporação da Fazenda Pantanal, unidade 100% arrendada situada na divisa entre os estados do Mato Grosso do Sul e Goiás e também se espera avanço na área de algodão, que deverá atingir 121 mil hectares, crescimento de 27,2% em relação à área destinada a essa cultura na safra 2017/18. Com o bom resultado reportado e as perspectivas ainda positivas, acreditamos que suas ações irão performar positivamente no pregão de hoje.

Positivo (POSI3) reverte lucro para prejuízo neste 2T18. A Positivo registrou prejuízo líquido de R$ 11,6 milhões no 2T18 contra um lucro líquido de R$ 2,2 milhões no 2T17. O EBITDA Ajustado apresentou redução de 75,8%, acompanhado de queda de 5,9 p.p. na margem EBITDA. Esse resultado foi impactado fortemente pela alta do dólar e pela elevação no custo dos insumos. Já que a receita líquida do período veio maior em 11,4%, decorrente do avanço no faturamento no mercado de governo, com expansão de 77,8% e varejo com alta de 5,4%.

Copel (CPLE6) tem lucro acima do esperado. Os números reportados pela elétrica foram favorecidos por questões como o crescimento do mercado a fio da distribuidora, o reajuste tarifário aplicado em junho do ano passado e o maior volume de energia comercializada no mercado livre. Ademais, a readequação do quadro de pessoal também trouxe uma contribuição positiva, que foi parcialmente compensada pelos maiores custos com compra de energia e com encargos do setor. Assim, expurgando efeitos não recorrentes, relacionados a reversão de provisões, o EBITDA da companhia ficou estável ante o 2T17 e o lucro líquido mais que dobrou na mesma base de comparação. Seus papéis devem reagir de forma positiva à divulgação.

Já a Cemig (CMIG4) registra prejuízo neste 2T18. O impacto da variação cambial sobre empréstimos e financiamentos, mas especificamente sobre os Eurobonds emitidos ao final do ano passado, elevou expressivamente a despesa financeira do trimestre, culminando na reversão do lucro de R$ 138,1 milhões registrado há doze meses para um prejuízo de R$ 60,4 milhões agora. Em termos operacionais, houve importante melhora no segmento de distribuição, puxada pela alta de cerca de 5% no volume faturado e pelo reajuste tarifário, mas a área de geração, por outro lado, foi afetada não só pelo menor volume de vendas, mas também pelo maior dispêndio com compra de energia e encargos setoriais no período em análise. O EBITDA subiu cerca de 10% ante o 2T17 e também frustrou as expectativas. Logo, suas ações tendem a responder de forma negativa.
 
Cesp (CESP6) tem fraco resultado operacional. A primeira vista a companhia apresentou bom desempenho, com o lucro líquido saindo de R$ 66,8 milhões para R$ 340,9 milhões em doze meses, porém, esse resultado reflete principalmente o acordo extrajudicial com o ministério público de Mato Grosso do Sul, que, ao extinguir ações judiciais, culminou na reversão de provisões, inflando o resultado em R$ 353,4 milhões neste trimestre. O desempenho operacional em si foi bem fraco, sobretudo pelo maior custo com compra de energia para revenda. O EBITDA ajustado caiu mais de 40% em um ano enquanto a margem saiu dos 50,6% registrados no 2T17 para 26,2% agora. Dessa forma, vislumbramos que a divulgação tende a pressionar os ativos CESP6 ao longo do pregão hoje.

Lucro da Eletrobras (ELET6) avança. Destaque positivo para a gestão de custos e despesas, com a rubrica de pessoal caindo quase 6% em doze meses, e para a redução de 13% na dívida líquida. Todavia, o EBITDA  gerencial, ajustado por não recorrentes, teve queda expressiva, em razão de maiores encargos setoriais e de novas provisões, enquanto a menor despesa financeira do período propiciou a alta de 20% no lucro gerencial. Considerando os não recorrentes, o lucro teria saltado dos R$ 344 milhões registrados no 2T17 para R$ 2,8 bilhões agora. O desempenho da elétrica foi misto, porém, a divulgação deve ter impacto apenas marginalmente positivo sobre os papéis da Eletrobras, que no curto prazo vão continuar refletindo, principalmente, as expectativas em torno do processo de privatização das distribuidoras, previsto para o final desse mês.

Ferbasa (FESA4) tem bom resultado. A desvalorização do câmbio e a recuperação dos preços mais do que compensaram a queda de quase 2% no volume total de vendas, na comparação anual. Com isso, o faturamento da Ferbasa subiu quase 30% no período, com o controle de custos e despesas propiciando uma alta ainda maior, de quase 60%, no EBITDA ajustado e ganho de 9,4 p.p. na margem, que atingiu 36,5% neste 2T18. As ações da companhia tendem a responder de forma positiva à divulgação.

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