Quarta-Feira, 12 de abril de 2017

 
 

Bom dia,


1

“Lista do Fachin” levanta dúvidas sobre governabilidade de Temer. Ontem, o mercado foi pego de surpresa no meio da tarde, com a divulgação da lista mais temida em Brasília. A lista do Fachin, desdobramento da “delação do fim do mundo”, reúne o nome dos políticos alvos de abertura de inquérito decorrentes da delação da Odebrecht. Entre eles, 8 ministros do governo Temer, os presidentes das duas casas do Congresso, além de 30% de todo o Senado, outros 38 deputados e 3 governadores. O mercado já esperava a divulgação da lista, mas estimava que ela fosse liberada apenas após a Páscoa. Esse timing é importante, já que o governo poderia ter tempo de terminar o relatório da reforma da Previdência antes da divulgação. E agora o efeito das aberturas de inquérito no andamento das reformas propostas pelo governo é bastante incerto (há quem diga que pode acelerar as reformas) e é o ponto que deve nortear os mercados daqui para frente. A ideia do governo parece ser passar a imagem de “business as usual”, que as reformas continuam e que cada político citado vai, individualmente, cuidar da própria defesa, mas a contar pela reação de ontem após a divulgação, o mercado não quer pagar para ver.

Comércio frustra expectativas e volume de vendas volta a recuar. As vendas no varejo referentes ao mês de fev/17 caíram 0,2% em relação ao mês de jan/17, contrariando as projeções de mercado que indicavam uma pequena alta sequencial de 0,3%. Entretanto, no conceito "varejo ampliado" (que inclui as vendas de veículos e materiais de construção) houve crescimento de 1,4% sobre o primeiro mês deste ano, porém também ficou abaixo das estimativas que apontavam para +1,7%. Esse resultado reforça a tese de que a recuperação econômica ainda segue muito lenta no Brasil e que a redução mais forte nos juros pode contribuir para uma retomada mais vigorosa.
   
SELIC deve ir a 11,25%. Após o fechamento do pregão também terminará a reunião do COPOM, da qual se espera o corte de um ponto percentual na taxa básica de juros. Essa redução mais forte agora é, praticamente, um consenso no mercado, uma vez que o desempenho recente do processo desinflacionário, abre espaço para uma maior flexibilização da política monetária para estimular a ainda fraca atividade econômica no país. Esta intensificação foi inclusive citada pelo Banco Central no último Relatório Trimestral de Inflação. Como estas projeções foram calculadas a partir das curvas de juros e câmbio do Boletim Focus, existe a possibilidade desse ritmo de queda em 100 pontos-base ser mantido na reunião seguinte, nos dias 30 e 31 de maio.

a
Inflação na China segue abaixo das expectativas. A inflação ao consumidor (CPI) ficou em 0,9% no mês de março, abaixo das projeções de mercado que apontavam para uma alta de 1,0% no mês. Os grandes responsáveis por este resultado foram os preços dos alimentos e de bens de consumo, que voltaram a recuar no mês em análise. Já a inflação ao produtor (PPI) avançou 7,6% em março, acima dos 7,5% estimado pelo mercado, mas ficou abaixo dos 7,8% registrado em fevereiro. Ainda na China, serão divulgados os dados da Balança Comercial referente a março, com estimativas de um superávit de US$ 12,5 bilhões.

Desemprego no Reino Unido fica estável. O valor da taxa de desemprego do Reino Unido permaneceu inalterado em 4,7% no trimestre até fevereiro, repetindo o resultado dos três meses passados até janeiro, segundo dados da ONS. O indicador também ficou em linha com as expectativas de mercado. Já os dados de salários mostram preocupações. Os salários reais cresceram apenas 0,1% na mesma base de comparação, mostrando certa preocupação, pois sinaliza que com as recentes acelerações da inflação vem afetando fortemente o avanço dos salários o que poderá afetar o consumo e prejudicar a atividade.

Relações diplomáticas são destaque no noticiário norte-americano. A agenda econômica deve ficar em segundo plano nesta quarta-feira, onde os holofotes estarão voltados para o encontro entre o secretário de Estado dos EUA e o chanceler da Rússia, em meio a tensões na Síria, o que pode trazer certo nervosismo e aversão global ao risco. Voltando para as divulgações, o destaque fica principalmente com o resultado fiscal mensal, referente a março, que pode  trazer um déficit maior do que o registrado na última leitura. Também devem ser divulgados os estoques de petróleo bruto e o índice de preços de importações e exportações, que devem trazer pouca, ou nenhuma, influência para a bolsa paulista hoje.

Bolsas pressionadas. Nessa quarta, os mercados ainda estão tomados pela cautela, no dia do encontro entre o Secretário de Estado americano e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia. A relação entre os dois países, que parecia caminhar tranquilamente no governo Trump, foi abalada pelos eventos na Síria, na última semana, e azedou o humor dos mercados, junto com o avanço das tensões entre EUA e Coreia do Norte, com a China como um coadjuvante nada irrelevante. Londres e Frankfurt, os principais mercados europeus, operam perto da estabilidade, enquanto na Ásia, o Nikkei fechou com queda de 1,04%, com o índice de Shanghai acompanhando no sinal negativo. Apenas a Bolsa de Hong Kong mostrou força no final do pregão, após passar boa parte do tempo no vermelho.

 
a
CCR (CCRO3) pede revisão do contrato da MSVia. A companhia encaminhou à ANTT pedido para a revisão do contrato da rodovia que corta o Mato Grosso do Sul. No pedido, a CCR cita o tráfego 35% inferior ao projetado, por conta da crise, dificuldade na obtenção de licenças ambientais e mudanças nas bases para o financiamento do BNDES. O pedido já era esperado e caso seja acolhido pela agência, pode ser um driver importante para os papéis. Por ora, a reação do mercado deve ser neutra.

Cemig (CMIG4) enfim divulga balanço, mas números são fracos. Parte da queda de 86,4% no lucro de 2016 ante 2015 se deve ao reconhecimento de perdas, no montante de R$ 763 milhões, por desvalorização nos investimentos na sua subsidiária Renova. Todavia, mesmo expurgando esse efeito e os outros itens não recorrentes, o resultado final de 2016 foi 48,9% menor do que o registrado no ano anterior. O volume de energia vendida caiu 6,49% em 2016, pressionando o faturamento do período, enquanto que a rubrica de custos foi impactada pelo aumento nas provisões para crédito de liquidação duvidosa, culminando na retração de EBITDA e margem. A companhia anunciou a rolagem de R$ 5,8 bilhões de dívidas, a um custo bem superior a média setorial, e ainda assim sua situação financeira segue bastante delicada, com a relação dívida líquida/ EBITDA ficando em quase 5,0x e com quase 30% da dívida bruta alocada no curto prazo. Os papéis da companhia podem reagir de forma negativa a tal divulgação.

Prumo (PRML3) fará novo laudo de avaliação no âmbito da OPA. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que o fundo Mubadala não deve ser considerado como titular de ações em circulação para fins da oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Prumo. Os minoritários da companhia já haviam questionado à autoridade do mercado de capitais a relação entre o Mubadala e o EIG, controlador da empresa de logística. No documento oficial sobre o caso, a CVM diz que a posição do fundo foi determinante, já que sua participação representava mais de 50% dos votantes. A autarquia determinou que a Prumo deve esclarecer, até amanhã, como será preservado o direito dos titulares de ações em circulação que efetivamente decidirem sobre a realização de nova avaliação da companhia. Dessa forma, entendemos que os ativos PRML3 deverão se movimentar positivamente em bolsa no curto prazo em razão da possibilidade de uma oferta maior do que os R$ 10,53 por ação estabelecido nessa OPA.

Revisão Tarifária da Sanepar (SAPR4) em pauta hoje. A agência reguladora do Paraná - AGEPAR marcou para hoje às 11 horas a próxima deliberação sobre a revisão tarifária da Sanepar. O mercado deve ficar atento ao resultado dessa audiência, pois ontem os papéis já reagiram de forma positiva, principalmente pelo otimismo com relação a uma possível mudança no diferimento de oito anos proposto anteriormente. A expectativa atual é de um ajuste inicial maior do que os 5,7% anunciados na primeira proposta, e um diferimento da outra parcela do ajuste por um ciclo de quatro anos.

AGENDA DE DIVIDENDOS


Bons negócios.