Sexta-feira, 10 de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


Vendas no varejo apresentam mais um resultado negativo. Em junho de 2018, o volume de vendas no varejo variou -0,3% frente a maio, na série com ajuste sazonal, segundo resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 1,5% nesse período. Ficando também abaixo das perspectivas de mercado que esperavam por uma alta de 0,10% no mês e de 2,4% no ano. Já as vendas no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, avançaram 2,5% em relação a maio de 2018, compensando, em grande parte, a perda registrada no mês anterior (-5,1%).
   
IGP-M sobe na primeira prévia de agosto. O índice subiu 0,70% na primeira prévia de agosto, após ter aumentado 0,41% na última divulgação. Com esse resultado, o índice acumulou alta de 6,66% no ano e avanço de 8,89% em 12 meses.

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PIB britânico acelera em linha com o esperado. O principal termômetro de atividade econômica registrou crescimento mais robusto no Reino Unido neste segundo trimestre de 2018. O indicador, que havia subido 1,2% no 1T18 na comparação anual e 0,2% em relação ao derradeiro trimestre do ano passado, acelerou as taxas de crescimento para 1,3% e 0,4%, respectivamente, na leitura prévia deste 2T18. A economia britânica se beneficiou da maior atividade nos setores de serviços (0,5%) e de construção (0,9%), ao passo que a produção industrial caiu 0,8% no trimestre, apesar de ter registrado ligeira recuperação no mês de junho. De todo modo, os dados oficiais divulgados na manhã de hoje vieram dentro das projeções de mercado e não devem influenciar muito o rumo dos mercados.
   
Agenda nos EUA. Está prevista para agora cedo a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) norte-americano referente ao mês passado, que deve ter ligeira aceleração na comparação sequencial. Embora o dado possa sugerir que o avanço nos preços se fortalece, as indicações recentes dadas pelas autoridades monetárias têm ancorado as expectativas em torno do ritmo de aumento dos juros por lá. No mais, conheceremos também o resultado fiscal em julho e o indicador de perfuração de poços que poderá movimentar as cotações internacionais do petróleo.

Mercados apreensivos nesta sexta-feira. A aversão ao risco (de hoje) se dá pela expressiva desvalorização cambial na Turquia, com a lira turca chegando a cair 12% ante o dólar em meio ao pronunciamento do presidente do país sobre um novo modelo econômico. As principais Bolsas asiáticas tiveram novo pregão de realização, mesma tendência vista nos principais índices acionários europeus enquanto escrevemos esse trabalho. Por aqui, a repercussão do primeiro debate televisivo dos presidenciáveis associada à divulgação de novas pesquisas eleitorais deverão balizar o rumo da Bolsa paulista, que também se movimentará pelos resultados corporativos que detalhamos a seguir.

 


Cyrela (CYRE3) tem trimestre sem grandes surpresas. A companhia conseguiu entregar crescimento na receita, derivada da boa performance de vendas nesse trimestre, mas isso veio principalmente das vendas de lançamentos, 51% vendidos. Por outro lado, com um volume alto de entregas e vendas de estoque em ritmo fraco, o estoque de imóveis prontos da Cyrela aumentou 19,6% em apenas três meses, chegando a R$ 3,1 bilhões, sendo cerca de R$ 2,7 bilhões de participação da companhia e o restante de parceiros. A geração de caixa da Cyrela nesse trimestre veio em linha com o observado há um ano. Esses números já eram largamente esperados após a prévia divulgada no mês passado e devem ter pouca influência nos papéis da companhia.

Quem também não trouxe grandes novidade foi a MRV (MRVE3). A empresa entregou números em linha com os últimos trimestres, com boa elevação no top line e margem bruta em linha com os trimestres anteriores, ainda que ligeiramente abaixo. As despesas comerciais também vieram um pouco pior que nos últimos trimestres, mas isso pode ser explicado pelo volume forte de lançamentos no trimestre, para compensar os atrasos nas aprovações que ocorreram no começo do ano. A geração de caixa da MRV seguiu saudável nesse trimestre. Assim como no caso da Cyrela, não esperamos uma reação forte do mercado à divulgação, já que os números vieram em linha com as expectativas.

Bom trimestre da BrMalls (BRML3), mesmo com pressão nas vendas. Quando olhamos no conceito de vendas mesmas lojas, houve redução de 1,3%. Isso acaba pressionando o aluguel percentual cobrado dos lojistas, o que junto com a venda de participações em shoppings entre os períodos levou a uma queda de 6,8% na receita líquida da companhia. A companhia conseguiu reduzir bastante suas despesas, com destaque para a queda nas despesas com PDD, que beneficiaram a margem EBITDA no trimestre. O resultado financeiro também melhorou bastante com a redução dos juros, do endividamento líquido da companhia e da liquidação dos bônus perpétuos, eliminando a variação cambial do resultado financeiro, sendo que no 2T17 houve impacto negativo de R$ 67,8 milhões. Com isso, o FFO (lucro líquido + depreciação + amortização) ajustado mais do que dobrou na comparação anual. Tanto os efeitos positivos quanto negativos desse trimestre já eram esperados, mitigando o efeito do resultado nos papéis.

Resultado ainda pressionado da JHSF (JHSF3), mas com pontos positivos. A companhia viu as vendas nos seus shoppings se elevarem em 5,4% na comparação anual, com elevação mesmo no conceito mesmas lojas (+0,3%). Os aluguéis também apresentaram variação positiva, de 4,8% no mesmo conceito. A receita líquida nos shoppings da JHSF cresceu 14% em um ano, com avanço nas margens. As despesas da companhia caíram na mesma comparação, com destaque para redução das despesas administrativas na holding e para a recuperação de créditos na segmento de incorporação. O resultado financeiro veio 30% melhor, por conta dos esforços da companhia em reduzir seu elevado endividamento. Ainda assim, o resultado líquido foi de apenas R$ 6,4 milhões, sendo que apenas de variação no valor justo das propriedades da companhia foram reconhecidos R$ 18,1 milhões, sem qualquer efeito caixa, ou seja, os números seguiriam no negativo sem esse impacto. Nossa leitura do resultado foi mais positiva, ainda que os números sigam aquém do ideal.

Crescimento de volume impulsionou o trimestre da B3 (B3SA3). Como destacamos na publicação matinal de ontem, os maiores volumes negociados nos mercados de ações, derivativos e no balcão, além da recuperação no financiamento de veículos trouxeram avanços em relação aos números recorrentes do 2º Trim/17. A receita líquida cresceu 28,8%, acima das estimativas de mercado que detalhamos ontem, e as despesas operacionais ajustadas tiveram pequeno avanço de 4,2% em um ano, contribuindo para o salto de 43,8% no EBITDA e de 80,3% no lucro líquido, ambos em termos recorrentes e na comparação com o 2º Trim/17. Acreditamos que os papéis B3SA3 deverão reagir positivamente hoje em função da ótima performance neste trimestre.

Performance acima do esperado da CVC (CVCB3). Na análise comparativa pró-forma em razão das aquisições realizadas, a receita líquida subiu 12,7%, com maior fluxo de embarque no período. Enquanto que a captura de sinergias e a disciplina no controle de gastos operacionais levaram o EBITDA avançar 18,7% e o lucro líquido ter significativa alta de 63,2% na mesma base de comparação. Todas essas variações nas principais linhas da DRE da CVC vieram um pouco além do que o mercado aguardava, como destacamos na publicação matinal de ontem. Portanto, esperamos reação positiva dos ativos CVCB3 na sessão de hoje.

JSL (JSLG3) também superou as boas expectativas para seu resultado. O grupo logístico viu sua receita líquida avançar 6,9% em relação ao 2º Trim/17, enquanto que o crescimento no EBITDA foi ainda maior, de 28,3%, além da evolução de 255,4% no lucro líquido, que passou de R$ 13,9 milhões há doze meses para R$ 25,1 milhões no 1º Trim/18 e neste último trimestre para R$ 49,4 milhões. Consideramos que os ativos JSLG3 devem reagir positivamente ao desempenho melhor que o esperado, como detalhamos no diário de ontem.

Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3) tem bom resultado. O grupo de saúde apresentou boa evolução de resultados, tendo seus números incrementados pela aquisição feita em fevereiro do grupo Cruzeiro do Sul, que conta com uma carteira de 48 mil beneficiários, um hospital e outras unidades de atendimento de saúde. Com isso, em relação ao 2º Trim/17 se teve expressivo crescimento de receita líquida (15%), EBITDA ajustado (49%) e lucro líquido ajustado (53%). Vale destacar que todos os segmentos de atuação tiveram crescimento de faturamento, sendo 14,1% nos planos de saúde, 8,9% em planos exclusivamente odontológicos e 24,8% nos serviços hospitalares, todos na mesma base de comparação. Esperamos reação positiva das ações GDNI3 diante deste resultado.

Natura (NATU3) reporta forte queda em seu lucro líquido. A companhia reportou crescimento em sua receita líquida, com elevação de 13,6% no 2T18 em relação ao 2T17, com destaque para o aumento do faturamento no Brasil, América Latina e da Aesop, com crescimento de 6,7%, 20,6% e 36,0%, respectivamente. Já a The Body Shop apresentou receita líquida 1,1% menor no trimestre. O EBITDA veio 8,5% maior, impulsionado por todos os negócios da empresa. Contudo, o lucro líquido foi novamente impactado pelos custos com incorporação da The Body Shop e despesas financeiras relacionadas à sua aquisição. Suas ações devem responder negativamente no pregão de hoje. 

Marisa (AMAR3) novamente reporta fraco desempenho. A companhia, por mais um trimestre, reportou fraco desempenho, com queda 3,1% em sua receita líquida, refletindo os menores números tanto na receita de varejo quanto de produtos financeiros, com redução de 2,8% e 4,0%, respectivamente, por conta do menor fluxo de clientes em dias de jogos da Copa e também durante a greve dos caminhoneiros, além das temperaturas mais amenas no início do inverno, que pressionam as vendas de roupas pesadas. Mesmo que a companhia tenha reportado queda nas receitas e pressão na margem bruta, o controle das despesas e o reconhecimento de créditos tributários mais que compensaram fazendo com que o EBITDA do período viesse maior 12% em comparação ao 2T17. Contudo, a Marisa encerrou o trimestre com elevação em seu prejuízo líquido maior que o reportado no mesmo período de 2017. Tal variação está relacionada à elevação em suas despesas financeiras. A companhia também reportou elevação em sua alavancagem, passando de uma dívida líquida/EBITDA de 2,5x que já era alta, para 2,8x no 2T18. Com o fraco desempenho reportado, acreditamos que suas ações possam ficar pressionadas no pregão de hoje.

Performance de Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3) não vieram tão boas. A Lojas Americanas reportou queda de 58% em seu lucro líquido ante mesmo período de 2017, enquanto a plataforma digital B2W mostrou leve crescimento no prejuízo líquido. O EBITDA da Lojas Americanas apresentou queda de 6% e o faturamento consolidado ficou praticamente estável na mesma base de comparação. Os números deste trimestre da Lojas Americanas foram influenciados negativamente pelo efeito calendário, uma vez que as vendas relacionadas à Páscoa ficaram concentradas no primeiro trimestre do ano. Já a controlada B2W teve leve crescimento de 3% no EBITDA e a receita líquida também ficou praticamente estável, vindo 0,2% menor se comparada a do 2T17.

Guararapes (GUAR4) reporta números satisfatórios. A companhia reportou elevação de 10,8% em sua receita líquida, com aumento de 5,5% na receita de mercadorias. As vendas mesmas lojas apresentaram crescimento de 1,9% no 2T18 se comparado ao mesmo período de 2017, impactada pelo menor fluxo de clientes nas lojas e pelo clima desfavorável. O EBITDA ajustado cresceu 5,3% e o lucro líquido ficou maior em 8,2% no 2T18. Como a empresa apresentou números nada fora do esperado não acreditamos que o anuncio do resultado possa movimentar suas ações no pregão de hoje.

Fertilizantes Heringer (FHER3) reporta números ruins, mas dentro do esperado. A companhia reportou fraco desempenho neste 2T18, refletindo a sazonalidade do setor e os problemas enfrentados com a greve dos caminhoneiros e a forte desvalorização da taxa de câmbio no período. O resultado líquido no 2T18 foi negativo em R$ 277,3 milhões, contra um resultado líquido negativo de R$ 99,5 milhões do 2T17. O EBITDA foi negativo em R$ 63,9 milhões no 2T18.

BRF (BRFS3) reporta fraco desempenho. A companhia reportou fraco desempenho neste 2T18, com elevação de seu prejuízo líquido, EBITDA negativo e pequeno aumento em sua receita líquida. Seus números foram fortemente afetados pela greve dos caminhoneiros, pela elevação do custo dos insumos, pela depreciação do câmbio e pelos impactos dos custos com as operações da Polícia Federal. Outro ponto de atenção é a sua alavancagem que está em 5,69x. Mesmo que a companhia venha a negociar suas dívidas, como vem acontecendo, a sua alavancagem continua sendo um ponto de atenção.

Sabesp (SBSP3) tem lucro abaixo do esperado. O faturamento e o EBITDA da companhia foram favorecidos neste 2T18 pelo reajuste tarifário aplicado no ano passado, bem como pela alta de 3,1% no volume faturado, em doze meses. Além disso, o controle de custos e a reversão de uma provisão propiciaram o ganho de margem no período. Entretando, o lucro líquido recuou  45,2% frente ao 2T17, sobretudo em razão do impacto do câmbio sobre as despesas financeiras. Dessa forma, vislumbramos que suas ações devem responder de forma marginalmente negativa à divulgação.

Iochpe (MYPK3) tem bom desempenho. Em linha com as estimativas, a Iochpe apresentou números robustos neste trimestre. O faturamento avançou expressivamente em todas as áreas de atuação da companhia, com o desempenho da América do Sul sendo favorecido pela retomada da demanda no Brasil e com o mercado externo sendo alavancado não só pelo contínuo crescimento da demanda, mas também pela desvalorização cambial do período. Os custos foram impactados pela inflação global das matérias-primas, o que corroeu parte do ganho advindo da maior diluição dos custos fixos. O EBITDA da companhia saltou mais de 40% em um ano e, diante da menor despesa financeira, o lucro líquido avançou quase 80% na mesma base de comparação. Ainda que o bom desempenho já fosse esperado, vislumbramos que as ações MYPK3 tendem a reagir de forma positiva à divulgação.

Wiz (WIZS3) chega a acordo com a Caixa Seguridade. O acordo preserva a maior parte do acordo atual entre as partes até fevereiro de 2021, com alterações nas comissões do segmento habitacional. Além disso, o contrato para serviços de back office foi estabelecido por dez ano, assim como o contrato da operação de consórcios, com elevação em algumas comissões no segmento. A Wiz estaria liberada para atuar com outras seguradoras e balcões desde já. Ainda vemos o nível de incerteza pós-2021 como muito elevado, o que tira a atratividade dos papéis da companhia.

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