Segunda-Feira, 10 de abril de 2017

 
 

Bom dia,


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Semanas importantes para o governo Temer. As próximas semanas são cruciais para o sucesso do plano de ajuste fiscal do governo. Nos próximos dias deveremos ter a votação do plano de auxílio aos estados em situação fiscal mais problemática, no Congresso, pauta bastante complicada por conta das contrapartidas (necessárias, vale comentar) pedidas pela equipe econômica para liberar o socorro. Além disso, em meio a tantos feriados, aparentemente Brasília não poderá entrar em ritmo de férias, já que o relator da reforma da Previdência deve apresentar seu texto na próxima semana e o ministro do Supremo Edson Fachin deve divulgar sua decisão em relação à delação da Odebrecht também nas próximas semanas. Ou seja, não são poucos os fatores políticos que afetam diretamente o mercado nas próximas semanas, todos com alto potencial destrutivo, caso as pautas do ajuste fiscal sejam desfiguradas e a percepção sobre a decisão do ministro do STF seja que enfraqueça o governo.

Inflação segue em trajetória de desaceleração. Agora cedo foram divulgados dois índices de preços apurados pela FGV. O IPC-S da primeira semana de abril registrou alta de 0,49%, com um efeito bastante pontual do grupo de Alimentos (que subiu 1,03%). No mais, a variação de preços nas outras categorias teve um comportamento estável ou, até mesmo, de queda frente aos números da última semana de mar/17. Já o IGP-M registrou uma deflação de 0,74% nessa leitura, vindo bastante abaixo das estimativas de mercado que estavam ao redor dos -0,4%. De um modo geral, todos os subíndices que integram o IGP-M apresentaram arrefecimento em relação ao resultado anterior, o que reforça a tese de que a inflação corrente do país está "freando" cada dia mais.

Projeções compiladas pelo Boletim Focus apontam para o mesmo sentido. Como ocorre toda segunda de manhã, o Banco Central divulgou o relatório com as expectativas de mercado para as principais variáveis macroeconômicas do Brasil, sendo que o destaque de hoje ficou com a queda generalizada da inflação para esse ano e para 2018 também. As estimativas para 2017 dos índices IPCA, IGP-M e IGP-DI caíram para 4,09%, 3,99% e 3,57%, respectivamente, além de todas se reduzirem para ano que vem, ficando em torno de 4,5% (centro da meta do Banco Central). Neste contexto, a curva na taxa básica de juros também caiu, com a mediana das projeções indicando a SELIC em 8,50% a.a. no encerramento deste ano, enquanto que na semana passada estava em 8,75% a.a. Essas alterações apresentadas pelo Boletim Focus juntamente com os demais sinais recentes dados pelo Banco Central sugerem que, ao fim da reunião do COPOM nos próximos dias 11 e 12, o corte na SELIC deverá ser de um ponto percentual.
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Semana começa (um pouco mais) mais calma nos EUA. Após a grande agitação antes do pregão de sexta, com os ataques americanos em represália aos ataques químicos na Síria na noite de quinta, payroll e o encontro dos presidentes americano e chinês, a semana parece começar mais amena. A começar pela agenda de indicadores, só teremos as condições do mercado de trabalho, divulgada pelo FED. Além disso, a ofensiva americana em território sírio parece que serviu muito mais como um aviso às nações hostis, amplificado em meio a visita de Xi Jinping a Trump, do que como um sinal de que os EUA vão tomar uma posição mais firme contra o regime sírio. O foco americano no curto prazo parece ser muito mais a Coreia do Norte do que a Síria, o que tem potencial até mais abrangente já que na Síria, os EUA tem que lidar com a aliança entre Putin e o regime de Bashar al-Assad, no caso da Coreia do Norte, as relações entre EUA e China que são diretamente afetadas. No final do dia, teremos discurso da chair do FED, após a ata do FOMC, no meio da última semana, citar venda de ativos em um futuro não muito distante, o que deve manter a cautela dos mercados lá fora.

Confiança do Investidor avança na Zona do Euro. O índice que avalia a confiança dos investidores, medido pelo Sentix, em abril atingiu o  nível mais alto desde 2008, ao registrar 23,9 pontos, frente aos 20,7 pontos registrados em março. Esse desempenho se deve tanto a melhora na situação atual, que passou de 23,8 em março para 28,8 pontos nesta leitura, quanto nas expectativas, onde o índice saiu de 17,8 para 19,3 pontos na mesma base de comparação. A melhora aponta que os temores com relação ao Brexit e com as eleições na França tem ficado em segundo plano, dando espaço à expectativa de crescimento econômico. Todavia, esse dado deve ter pouca influência sobre o mercado bursátil.

Bolsas pressionadas lá fora. Em dia fraco de indicadores, as Bolsas europeias abriram em queda, mesma direção que os mercados de Hong Kong e Shanghai fecharam mais cedo, por conta do aumento das tensões entre EUA e Coréia do Norte e pela crescente indefinição na eleição francesa, que ocorre em duas semanas. Fugiu dessa dinâmica mais negativa, apenas a Bolsa de Tóquio, com o Nikkei fechando em alta nessa segunda.

 
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BRF (BRFS3) retoma as atividades em Mineiros. A BRF recebeu autorização para reativar a fábrica de Mineiros (GO), paralisada desde o início da operação Carne Fraca, já que não foi encontrada nenhuma irregularidade. Na época, a companhia teria dito que a fábrica de Mineiros, que processa carne de frango e peru, respondia por menos de 5% de sua produção. Notícia positiva já que não foi encontrada nenhuma irregularidade em sua fábrica, no entanto, os efeitos negativos da operação ainda predominam dado algumas barreiras impostas por países importadores e a maior fiscalização que os frigoríficos brasileiros terão para exportar. Desta forma, ainda é muito cedo para traçar um panorama de recuperação para a empresa em questões de resultados.

Sanepar (SAPR4) propõe distribuição de dividendos. A Sanepar propôs a distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 0,00778 para ações ON (SAPR3) e de R$ 0,00856 para as PN (SAPR4). A distribuição deve ser ratificada em assembleia geral marcada para o dia 27/04 e as ações passam a ser negociadas como ex-dividendos logo no dia seguinte (28/04). O pagamento deve ocorrer em até 60 dias após a aprovação.

AGO da Linx (LINX3) aprova o pagamento de R$ 20,0 milhões em dividendos. A Assembleia Geral Ordinária dos acionistas, realizada em 07/abr/17, aprovou a proposta da administração da Linx de pagar R$ 20,0 milhões, aproximadamente R$ 0,12 por ação, na forma de dividendos, aos investidores que estavam posicionados ao fim do pregão de sexta-feira. As ações passam a ser negociadas ex-dividendos em bolsa hoje e o pagamento (que ainda não havia sido estabelecido pela companhia) será feito em 28/abr/2017.

CSN (CSNA3) consegue liminar e preocupa transmissoras. Segundo nota do Valor Econômico, a CSN conseguiu uma liminar na Justiça do Distrito Federal para não pagar, por meio da tarifa de energia elétrica, o valor referente a indenização das transmissoras. Para a siderúrgica a notícia é marginalmente positiva. Porém, por outro lado, essa liminar acende uma luz amarela para as transmissoras que tem indenizações a receber (TRPL4, CPLE6, ELET6, CMIG4), pois no mesmo tribunal ocorre uma ação movida pela ABRACE (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia). Tanto a CSN quanto a ABRACE alegam que a responsabilidade dessa indenização (que chega a mais de R$ 62 bilhões) é da União e não deve ser repassada aos consumidores. Contudo, essa novidade traz incertezas quanto ao início do pagamento as transmissoras, por meio da tarifa, previsto para começar em julho desse ano, podendo pressionar as ações do setor de transmissão hoje.

AGENDA DE DIVIDENDOS


Bons negócios.