Quarta-feira, 8 de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


Inflação sob controle. Uma série de indicadores hoje, com destaque para o IPCA de julho que teve variação de 0,33%, bem abaixo da taxa 1,26% de junho. O IGP-DI de julho também veio bem mais comportado que o do mês anterior quando sofreu forte pressão da greve dos caminhoneiros, em 0,44% contra 1,48% há um mês, vindo até um pouco abaixo da mediana de mercado. Já o IPC-S da primeira semana de agosto mostrou variação de 0,20%, levemente acima da última divulgação, mas longe de mostrar uma pressão nesse novo mês.

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Agenda americana. À espera do CPI, na sexta, os investidores americanos ficam de olho no discurso do presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, que tem direito a voto nesse ano, e no dado semanal de estoque de petróleo que sempre mexe com a cotação da commodity. Fora isso, não temos grandes novidades, parece que com as férias no hemisfério norte, as negociações em torno das disputas comerciais de Trump deram uma esfriada.

Bolsas sem uma direção definida.
Na China, o dia foi bem negativo, com resultados corporativos mais negativos servindo de gatilho para a realização dos ganhos do pregão de ontem. Na Europa, sem grandes novidades, as Bolsas operam de lado, em sua maioria com leves ganhos.


   


Minerva (BEEF3) reporta maior prejuízo neste 2T18. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 926,0 milhões. O principal impacto no resultado líquido foi à variação cambial do trimestre, devido à exposição da dívida ao dólar (aproximadamente 77%). Além disso, o 2T18 também trouxe o impacto negativo na linha de outras despesas operacionais, por conta da adesão ao Programa de Regularização Tributária Rural (PRR) a respeito do Funrural. Já sua receita líquida veio 44,8% acima se comparado ao mesmo período do ano anterior. Um dos fatores que colaboraram para esse desempenho acima do estimado foi a melhora no mercado internacional. O EBITDA ajustado veio 27% acima do EBITDA do 2T17, entretanto a margem EBITDA ficou em 9,5%, queda de 1,3 p.p. na mesma base de comparação. Outro ponto negativo foi a elevação de sua alavancagem,  com a dívida líquida/EBITDA ajustado dos últimos 12 meses em 5,0x, impactada pela apreciação do dólar no período e pelas recentes aquisições. Além do resultado a Minerva também anunciou a revisão de seu guidance, com estimativa da receita líquida consolidada para o ano de 2018 ficando no intervalo de R$ 15,0 bilhões a R$ 16,0 bilhões. Essa atualização teve como premissa a desvalorização do real e também do peso argentino frente ao dólar. Outro anúncio foi seu plano de abrir o capital de sua subsidiária Athena Foods, na bolsa de valores do Chile e, na sequência, realizar a oferta pública inicial de ações na Bolsa de Comércio de Santiago. A estimativa é que a implementação aconteça em 12 meses.

Iguatemi (IGTA3) tem trimestre sólido, a despeito de período complicado. Entre os efeitos negativos desses três meses destacam-se a greve dos caminhoneiros que influenciou o fluxo de pessoas nos shoppings naquele período, a Copa do Mundo que sempre tem um efeito bem negativo para o setor e o fato da Páscoa ter acontecido no 1T18, o que favoreceu aquele trimestre em detrimento do 2T18. O principal efeito foi visto no aluguel percentual, que caiu 11,6% na comparação com o 2T17. Ainda assim, esse efeito foi mais do que compensado pela elevação do aluguel mínimo e das locações temporárias, resultando em uma elevação de 3,3% na receita líquida. Os custos e despesas vieram um pouco mais pressionados, comprimindo um pouco a margem da companhia, mas que segue dentro do guidance para o ano. A redução das despesas financeiras, com a queda da Selic, foi de 30,6%, o que resultou em um FFO (lucro líquido + depreciação e amortização) 13,6% maior. Sem grandes surpresas, esperamos reação marginalmente positiva do mercado à divulgação.

Resultados sem surpresas da BrProperties (BRPR3). A receita líquida da companhia veio em linha com a reportada há doze meses, sem grandes alterações na vacância entre os dois períodos. As margens vieram um pouco mais pressionadas e o resultado financeiro sofreu um impacto pontual tanto da variação cambial quanto da puxada da inflação após a greve dos caminhoneiros, o que levou a uma queda de praticamente R$ 15 milhões no FFO. Não vemos o resultado como um driver importante para o papel por não trazer grandes novidades e vale lembrar que no 3T18, a companhia anunciou um contrato com a Caixa para a locação de 36 mil m² no Rio de Janeiro, mercado mais problemático para o setor, o que deve alavancar os próximos resultados.

CSU (CARD3) tem melhora na rentabilidade. Na comparação com o 2T17, todas as linhas do resultado da CSU apresentaram retração, especialmente pela saída do BMG da base de clientes da empresa, porém, vale destacar que mesmo assim, a companhia entregou margem EBITDA e margem líquida superiores às de um ano atrás. A base de cartões faturados caiu 32,8% nesse período enquanto a receita líquida da divisão caiu bem menos, 25,3%. Além disso, vale destacar o anúncio da volta da companhia à adquirência, em parceria com o Tribanco e a plataforma CSU.Digital que ampliou a oferta de produtos para os emissores de pequeno e médio porte. Vemos o atual patamar de preço dos papéis da companhia como uma oportunidade.
 
BTG (BPAC11) tem mais um sólido trimestre. Os números foram parecidos e completamente diferentes do 1T18. Explico, o lucro líquido do banco foi bem parecido com o de três meses atrás, assim como a receita consolidada. Porém, as divisões do banco mostraram performances distintas, o que deixa uma mensagem positiva para os próximos resultados. Isso porque os números vieram melhorem em divisões ligadas a gestão de ativos, com boa entrada de recursos entre os períodos, e empréstimos corporativos, que são divisões que tendem a ter um desempenho mais constante, então o bom resultado desse trimestre é um bom termômetro do que teremos nos próximos. Já as mesas do BTG vieram com números bem mais pressionados, compensando boa parte da melhora de outras divisões, porém, o resultado das mesas acaba sendo mais volátil e menos previsível, então não serve como um bom termômetro para os próximos trimestres. Vale destacar também o ótimo desempenho da divisão de investment banking do BTG, com destaque para as operações de M&A, mas essa divisão também não tende a ser tão previsível. Em linhas gerais, consideramos bom o resultado do banco e esperamos reação positiva.

Tupy (TUPY3) supera expectativas. O desempenho operacional da Tupy foi ainda melhor do que o esperado neste 2T18, o que deve favorecer o desempenho de suas ações no curto prazo. O crescimento do mercado norte-americano aliado a desvalorização do câmbio mais do que compensou o impacto da greve dos caminhoneiros e a alienação do negócio de granalhas (no segundo semestre do ano passado). Soma-se a isso os frutos advindos da reestruturação operacional realizada em 2017 e, apesar da expressiva alta global no custo de suas principais matérias-primas, o EBITDA ajustado avançou mais de 70,9% em doze meses, com a margem saindo de 11,5% no 2T17 para 14,8% agora. Não fosse a greve, a margem teria atingindo 16% neste trimestre. Além dos resultados, a companhia anunciou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 0,22108 por ação, o que corresponde a um yield de 1,05%. Os papéis ficarão ex na próxima terça-feira (14/08)  e o pagamento será realizado ainda esse mês, no dia 24.

Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3) também apresentam bom desempenho. Conforme comentamos na publicação matinal ontem, ambas as siderúrgicas reportaram forte resultado operacional, apesar dos impactos decorrentes da paralisação no setor de transporte rodoviário, com o maior volume de vendas propiciando a diluição dos custos fixos e o ganho de rentabilidade. Na Gerdau, houve melhora em todos os segmentos de atuação, com destaque para as operações nos EUA. O EBITDA da companhia alcançou R$ 1,8 bilhão no período, o melhor resultado trimestral desde 2008, representando uma alta de 56,8% ante o 2T17. Já na CSN o destaque ficou com o forte aumento das vendas de aço no mercado interno, o que junto ao melhor desempenho da área de mineração puxou o faturamento do período. Nesse caso, o EBITDA atingiu R$ 1,4 bilhão, crescimento de 58,5% em doze meses. A alavancagem da Gerdau se manteve estável, em 2,7x dívida líquida/ EBITDA, enquanto a da CSN segue como ponto de atenção, em 5,34 vezes. De toda forma, vislumbramos que GGBR4 e CSNA3 devem repercutir seus balanços de forma positiva ao longo do pregão hoje.

Sanepar (SAPR11) tem resultado resiliente. Apesar do impacto da nova estrutura tarifária sobre o volume faturado de água, que recuou 4,5% em comparação ao 2T17, a companhia teve bom desempenho, com o crescimento de 4,8% no número de ligações de esgoto e de 2,5% em água contribuindo para o maior faturamento do período. Houve boa gestão na rubrica de custos e despesas, o que propiciou o ganho de 3,9 p.p. na margem EBITDA, enquanto a menor despesa financeira do período contribuiu para alavancar o lucro líquido, que avançou 28,9% em doze meses. Suas ações devem responder de forma positiva ao resultado, em que pese a menor conversão de EBITDA em caixa operacional no período, questão que deve ser explorada na teleconferência marcada para as 10h.

Bom desempenho da Rumo (RAIL3). Em termos operacionais, os números da companhia vieram em linha com as expectativas que destacamos na publicação de ontem, com a receita líquida crescendo 10,5% e o EBITDA 15,1% em relação ao 2º Trim/17. O resultado financeiro ainda ficou negativo, em R$ 459,7 milhões, neste período com efeito não caixa de R$ 80 milhões da marcação a mercado de derivativos e R$ 22 milhões em reconhecimento de despesas financeiras já pagas no âmbito do reperfilamento da dívida em 2016, culminando no prejuízo líquido de R$ 34,5 milhões, bem próximo dos R$ 30,2 milhões negativos reportados no 2º Trim/17. O desempenho operacional da Rumo foi positivo e em linha com o guidance apresentado pela companhia, o que poderá limitar um pouco a reação positiva que esperamos dos papéis RAIL3 no pregão de hoje.

Performance além do esperado da Tegma (TGMA3). O 2º Trim/18 da empresa de logística foi bom e até superou das estimativas de mercado. Em relação ao 2º Trim/17, a receita líquida teve alta de 10,6%, já o EBITDA mais do que dobrou, saindo de R$ 20 milhões para R$ 45 milhões, e o lucro líquido cresceu 17%. Além do balanço, a Tegma divulgou que distribuirá proventos aos acionistas posicionados ao fim dessa sexta-feira, dia 10, e o pagamento deverá ocorrer no próximo dia 22. Serão R$ 0,24 de dividendos por ação mais R$ 0,07 de JCP líquido de IR, aproximadamente, totalizando R$ 0,31 e representando um yield de 1,7%. Diante do desempenho superior ao aguardado, esperamos reação positiva dos ativos TGMA3 no curto prazo.

Resultado do Hermes Pardini (PARD3) veio apenas regular. Depois do forte balanço de 2017 e da performance mais fraca no 1º Trim/18, os números da companhia de medicina diagnóstica neste segundo trimestre de 2018 apresentaram tímida recuperação. Houve pequeno avanço de 5,1% na receita líquida, porém os maiores custos, sobretudo com pessoal e na compra de materiais para exames, levou a redução em 12,7% no EBITDA ajustado e, por fim, a melhora no resultado financeiro contribuiu para o ligeiro aumento de 4,8% no lucro líquido, todos na comparação com o 2º Trim/17. Avaliamos que as ações PARD3 poderão ficar pressionadas pelos números ainda fragilizados neste trimestre.

Santos Brasil (STBP3) divulga balanço hoje. Em relação ao 2º Trim/17, as projeções de mercado apontam para uma boa recuperação de desempenho. Estima-se que a receita líquida subirá 13%, haverá a reversão do EBITDA negativo em R$ 4,9 milhões para algo em torno de R$ 30 milhões agora e que prejuízo líquido diminuirá bastante dos R$ 20,7 milhões registrados há doze meses. Entendemos que as previsões mais otimistas podem favorecer os ativos STBP3 em bolsa.

Já a Ser Educacional (SEER3) divulga seu desempenho antes da abertura de amanhã. Esperam-se números um pouco pressionados da instituição de ensino superior por conta do atraso no cronograma do FIES neste 1º Sem/18 e também pelos maiores dispêndios operacionais com a entrada dos novos polos de EAD. Ainda assim, em relação ao segundo trimestre de 2017 devemos ver um pequeno avanço de 2,5% na receita líquida, mas tanto o EBITDA quanto o lucro líquido tendem a recuar nessa comparação. Entretanto, vale salientar que nos últimos trimestres a Ser Educacional tem nos surpreendido e que não será novidade se seus números que conheceremos amanhã vierem além das previsões de mercado.

Engie (EGIE3) deve ter bom desempenho. A elétrica deve apresentar números resilientes neste 2T18, com a maior capacidade de produção, sobretudo pela incorporação das usinas hidrelétricas de Jaguara e Miranda, no final do último ano, alavancando o faturamento do período. Ademais, a alta nos preços e gestão de custos e despesas devem propiciar números mais robustos. A média das estimativas aponta para um EBITDA de cerca de R$ 1 bilhão, alta de quase 25% em doze meses, com margem de aproximadamente 50% no período. Essa perspectiva pode trazer influência positiva para EGIE3 ao longo do pregão hoje.

Randon (RAPT4) deve seguir com forte resultado. A despeito dos impactos da greve dos caminhoneiros, a Randon deve ter sólido desempenho neste trimestre, com o maior volume de vendas contribuindo para diluição dos custos no período. O EBITDA deve registrar alta anual de quase 30%, segundo a média das estimativas. Suas ações devem responder de forma positiva diante de tal expectativa.


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