Terça-feira, 6 de novembro de 2018

 
 

Bom dia,


Agenda doméstica. A ata do Copom, divulgada mais cedo, é o destaque da agenda por aqui, com o comitê ressaltando a importância de aprovação das reformas para a manutenção da taxa em um patamar baixo. Nas projeções do banco, o IPCA, com Selic constante em 6,5% e câmbio constante em R$ 3,70, é de 4,4% nesse ano, 4,2% em 2019 e 4,1% em 2020, lembrando que a meta para o ano que vem é de 4,25% e 4,0% no ano seguinte, ou seja, mesmo sem aumentos na Selic, a inflação não fugiria muito da meta, o que pode levar o mercado a precificar uma taxa mais comportada no médio prazo. O fator que pode impedir isso é exatamente o engajamento do novo governo na aprovação das reformas necessárias para o ajuste fiscal. A ida de Bolsonaro à Brasilia será acompanhada de perto pelo mercado atrás de alguma sinalização quanto à reforma da previdência, principalmente.

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Hoje é dia de PMIs da Markit.O PMI de composto da zona do euro confirmou a desaceleração antecipada pelo dado prévio, mas a queda acabou sendo um pouco menor que a esperada. Também na Alemanha, o dado composto veio abaixo de setembro mas acima da prévia divulgada em outubro. Ainda hoje saem os dados referentes ao Brasil.

Bolsas em compasso de espera. As eleições legislativas americanas são destaque na agenda internacional. A expectativa é que a maioria no Congresso seja retomada pelos democratas, enquanto republicanos devem manter alguma vantagem no Senado. Caso isso ocorra, a tendência é o mercado precificar um crescimento menor na economia, devido a uma maior dificuldade de Trump em aprovar medidas de estímulo, mas um ritmo menor de elevação dos juros por lá. À espera do resultado, os índices futuros americanos operam próximos da estabilidade, como ocorreu nos pregões asiáticos e ocorre nos europeus.

   


Resultado consistente da Petrobras (PETR4). Mesmo com o impacto do acordo judicial firmado nos EUA, a companhia apresentou números saudáveis. A cotação do Brent no mercado internacional e o câmbio impulsionaram a margem na venda de derivados. Por outro lado, diante do menor volume de produção de óleo, houve um aumento na necessidade de importação, sobretudo de diesel, inibindo maiores ganhos de margem no período. Ainda assim, o EBITDA atingiu R$ 29,9 bilhões este trimestre, alta de 55% em um ano, com margem de 30% e lucro líquido de R$ 6,6 bi. Não fosse o acordo mencionado, o EBITDA teria sido de R$ 33,4 bilhões e o lucro de R$ 10,3 bi neste trimestre. A alavancagem da companhia também é destaque positivo, com a relação dívida líquida/ EBITDA caindo para 2,9x contra os 3,2x registrados no 2T18. Será distribuído JCP no valor de R$ 0,085 (líquido de IR) por ação, com data ex no próximo dia 22 de novembro. O pagamento vai ocorrer em 03 de dezembro e o yield é baixo, de 0,3% para as ações preferenciais.

Resultado da AES Tietê (TIET11) melhora.
A estratégia de comercialização junto a maior alocação de energia e ao preço médio de venda alavancaram o faturamento do trimestre, mesmo diante da queda de 32,9% no volume bruto de energia gerada. Soma-se a isso o controle sobre custos e despesas e o EBITDA avançou 29,8% em um ano, com ganho de 2 pontos percentuais na margem. O lucro líquido, entretanto, foi afetado pela maior despesa financeira do trimestre, em reflexo do endividamento gerado pelas recentes aquisições. A geradora irá distribuir dividendos de R$ 0,1001 por unit, o equivalente a um yield de 0,9%. Os papéis ficarão ex na sexta-feira (09/11) e o pagamento deve ser realizado ainda esse mês, no dia 22. Suas ações devem responder de forma positiva às divulgações.

Forte resultado da Marcopolo (POMO4).
Novas regras impostas a ônibus rodoviários alavancaram a demanda do segmento no mercado doméstico, onde a venda de urbanos também avançou, com a definição de tarifas e entregas para o programa Caminhos da Escola. O market share da Marcopolo sobre a produção nacional de ônibus chegou a  58,9% neste trimestre, alta de 14,3 p.p. em doze meses e de 1,4 p.p. em três. As operações no México e na Austrália foram os destaques no mercado externo. Houve expressiva diluição dos custos fixos, o que aliado os esforços da companhia para contenção de despesas e custos indiretos propiciou o ganho de 7,2 p.p. na margem EBITDA, que atingiu o maior patamar em quase cinco anos, em 10,5%. As ações POMO4 devem reagir de forma positiva ao balanço, que foi ainda melhor que o esperado.

Magazine Luiza (MGLU3) reporta forte resultado.
A companhia mais uma vez reporta bom desempenho, mesmo em meio ao um cenário econômico mais fraco, com alta do dólar e forte concorrência. O e-commerce cresceu 55%, as vendas nas lojas físicas e as vendas nas mesmas lojas evoluíram 24% e 16%, respectivamente, finalizando o trimestre com crescimento de 28,5% em sua receita líquida, se comparado ao mesmo período de 2017. Já as margens, como esperado, vieram mais contraídas, como reflexo do aumento significativo na participação do e-commerce, que passou de 31,3% para 36,2% das vendas totais, e do maior investimento para fidelizar os clientes. No entanto, a Magalu continua tendo ganho de market share e grande lucratividade. Para o próximo período, a companhia conta com as vendas da Black Friday e do Natal, além disso, espera inaugurar cerca de 40 lojas no 4T18. Acreditamos que as suas ações tendem a performar positivamente no pregão de hoje, com a continuidade do bom desempenho e as perspectivas ainda positivas.

Resultados sem grandes surpresas do Banco ABC (ABCB4). A margem financeira do banco veio mais pressionada nesse trimestre, por conta da estagnação da carteira de crédito na comparação com o 2T18 e spreads mais comprimidos, mas esse efeito foi compensado pelo crescimento nas receitas de prestação de serviços, com destaque para mercado de capitais e M&A, e pelo bom controle de despesas do ABC. O banco ainda está distante do guidance de crescimento da carteira de crédito para o ano fechado, mas vale lembrar que além dos fatores extraordinários que tivemos esse ano como greve dos caminhoneiros e uma eleição das mais imprevisíveis, o quarto trimestre dos últimos anos sempre foi o de maior crescimento para a carteira. Não esperamos uma forte reação aos números apresentados.

Números mais pressionados da BB Seguridade (BBSE3). Além da queda da taxa de juros que comprime o resultado financeiro da companhia, os números operacionais também vieram abaixo do apresentado nos últimos trimestres, com destaque para a retração nos prêmios emitidos nos segmentos de vida, rural e auto na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O ROE da BB Seguridade também foi o menor entre o reportados nos últimos trimestres, ficando em 38,1%, queda de 1,6 p.p. em três meses e de 8,3 p.p. na comparação com o 3T17. Esperamos reação negativa do mercado aos números.

BTG (BPAC11) com números em linha com 2T18. O banco viu suas receitas mais pressionadas na área de investment banking, mas isso foi compensado pelo resultado de equivalência patrimonial de algumas investidas e pelo consistente crescimento nas receitas de crédito (redução das despesas de PDD) e da área de asset management. Dessa forma, o lucro líquido ajustado do banco veio exatamente em linha com o reportado no 2T18. Não esperamos um impacto relevante da divulgação nos papéis do banco.

Banco Pan (BPAN4) mostra avanço no seu resultado. O banco viu seu lucro evoluir 16% em três meses, mesmo com retração na margem financeira. As despesas com PDD e com pessoal mostraram retração entre os períodos e a inadimplência segue trajetória negativa. A originação de crédito voltou a crescer, após uma desaceleração por conta da retração na cessão de crédito para a Caixa, levando a um bom crescimento da carteira do banco. Esperamos reação marginalmente positiva para o resultado.

Vulcabras (VULC3) tem resultado fraco.
A companhia reportou fraco desempenho neste 3T18, com queda de 6,3% em sua receita líquida, com forte redução na receita de calçados esportivos, sendo a categoria mais afetada pelo cenário macroeconômico interno e também pela relevante queda do mercado externo, ocasionada principalmente pelo mercado argentino. O EBITDA apresentou redução de 34,7%, ainda sob o efeito da paralisação ocorrido nos meses de maio/junho, aliado ao acirramento da competição pela participação no mercado e pelo crescimento da conta outras despesas, em virtude do processo de aquisição da Under Armour Brasil. Com isso, o lucro líquido do 3T18 ficou 40,1% menor se comparado ao mesmo período do ano de 2017. Consideramos que suas ações devam ter impacto negativo no pregão de hoje, pelo fraco desempenho e as perspectivas ainda nada animadores para o mercado de atuação.

Marfrig (MRFG3) tem expressiva melhora em suas vendas.
A companhia reportou crescimento de 21% em sua receita líquida e 23% no EBITDA, frente ao mesmo período do ano anterior, devido ao cenário positivo na produção de carne bovina tanto no Brasil quanto nos EUA, além do dólar mais forte, sendo o principal impulsionador da receita, já que a companhia tem cerca de 90% de suas vendas dolarizadas. Entretanto, o seu resultado final veio mais fraco, refletindo os maiores custos com a aquisição da National Beef e o efeito da valorização do dólar sobre as suas dívidas. Considerando a venda da Keystone, que está prestes a ser concluída, a empresa terá grandes melhoras nos próximos resultados. A expectativa é que a venda da Keystone permita uma redução da alavancagem para 2,57x o EBITDA. Hoje essa relação está em 3,2x. Esperamos reação positiva do mercado no pregão de hoje pela melhora de seus números operacionais.

Prévia da Gol (GOLL4) mostra retração em outubro. A cia aérea teve uma piora na taxa de ocupação tanto no mercado doméstico quanto em voos internacionais, mesmo com redução na oferta, por conta de uma queda maior da demanda por seus voos. Nos voos domésticos, a retração na demanda foi de 1,9% e nos internacionais de 10,3%, todas as comparações com o mesmo mês do ano anterior. Essa divulgação pode levar a uma realização no curto prazo, tendo em vista a forte performance recente dos papéis.

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