Quinta-Feira, 6 de abril de 2017

 
 

Bom dia,


1

Placar da Reforma da Previdência assusta! Ontem, no final da tarde, o Estadão divulgou a primeira prévia do que seria a votação da Reforma na Previdência na Câmara, se o texto fosse apreciado hoje na casa. E o placar se mostrou extremamente desafiador para o governo Temer e azedou o ânimo do mercado. Dos 513 deputados, 251 se posicionaram contra a reforma, mesmo com alterações para abrandá-la, o que seria mais do que o suficiente para barrar o projeto. Além disso, dos 95 que votariam a favor do projeto, 84 aprovariam apenas uma versão mais “light” do texto. Ou seja, Temer e cia terão muito trabalho pela frente e o mercado, que antes precificava uma vitória da reforma com alguns ajustes, já deve começar a reprecificar ativos de risco com base em um cenário bem menos assertivo de vitória. Ou seja, juros e dólar revisados para cima e Bolsa bastante pressionada.


IGP -DI surpreende e registra deflação. O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna registrou variação de -0,38% em março, substancial queda frente aos 0,06% de fevereiro e a alta de 0,43% registrada no mesmo período do ano passado. A queda nos preços das matérias-primas brutas, sobretudo de origem agropecuária, foi um dos principais responsáveis por tal desempenho. A deflação nos preços de materiais, equipamentos e serviços e arrefecimento no custo de mão de obra também contribuíram para esse resultado, compensando a aceleração no Índice de Preços ao Consumidor, puxada pela alta nos preços de alimentos e habitação.
a
Política monetária da zona do euro no radar. Em dia sem indicadores, a política monetária tem os holofotes na Europa, com a ata do BCE, que deve ao menos ajudar a suavizar a queda nos mercados após a ata do FOMC, ontem (tem texto sobre FOMC logo abaixo). A ata do BCE, em tom bem mais dovish, aponta que o BCE continuará a recompra de títulos ao menos até o final do ano, ou por um período mais longo, se for necessário e que as taxas de juro continuarão no nível atual, ou ainda mais baixo, durante um período de tempo extenso, bem além do horizonte da recompra de títulos.

Agenda tranquila nos EUA, mas o mercado continuará agitado. Hoje, a agenda dos EUA está bem mais tranquila, só estão programados os dados de pedido de auxílio desemprego, às 9h30, e o discurso do presidente do FED de São Francisco, John Willians, que nem tem direito a voto esse ano, às 10H30, sendo assim o mercado tem uma pausa para digerir todos os dados de ontem e a ata do FOMC. A ata do Fomc mostrou que o Fed continua atento com a inflação, para as próximas reuniões, mas reafirmou que o cenário econômico segue em expansão moderada, e que o mercado de trabalho permanece sólido, com a taxa de desemprego em patamar baixo e que os gastos com consumo vêm crescendo enquanto que os investimentos em ativos fixos parecem ter melhorado. Mas o ponto crucial foi a indicação dos integrantes do Fed quanto a intenção de reduzir os US$ 4,5 trilhões de títulos do Tesouro e papéis hipotecários de seu balanço. Mesmo sem anunciar o cronograma, muito menos o mecanismo para tal redução, o fato gerou forte realização nos mercados. O efeito dessa venda de títulos, equivaleria a elevação dos juros por lá. E como não se bastasse a repercussão da ata, o mercado terá que ficar atento ao encontro, ainda sem hora marcada, dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China. A reunião traz grande receio aos mercados, pela posição de Trump, muito combativa em relação à política comercial chinesa. Além disso, outras questões muito delicadas, como a posição em relação à Coreia do Norte geram apreensão nos mercados nessa quinta.

PMI de serviços da China tem a menor expansão dos últimos seis meses. O PMI medido pela instituição Markit Economics (não oficial) do setor de serviços, que tem foco principalmente em pequenas e médias empresas, recuou para 52,2 pontos em março, frente aos 52,6 pontos registrados em fevereiro. Esse resultado se deu principalmente pelo crescimento mais gradual da entrada de encomendas e pela pressão de custos. Ainda que tenha se mantido na área que indica expansão da atividade, esse foi o pior desempenho registrado desde setembro de 2016.

Bolsas operam em ritmo de cautela, com algumas exceções. A sinalização de que o FED deve reduzir seu balanço de ativos (texto acima) trouxe cautela para grande parte do mercado bursátil, com destaque para o índice do Japão, Nikkei, que mais cedo fechou com queda de 1,4%. Como exceção a bolsa de Shanghai, na China, ignorou a queda do PMI (também com texto acima) e seguiu trajetória de valorização, em razão da criação de uma nova zona econômica especial, o "projeto de mil anos", anunciado no último final de semana. Na Europa, nem a ata mais dovish do BCE impede quedas em Londres e Frankfurt.

 
a
Smiles (SMLE3) vai comprar mais passagens antecipadas da Gol (GOLL4). As duas companhias anunciaram um aditivo ao acordo de compra antecipada de passagens pela Smiles no valor de R$ 480 milhões. Consideramos o acordo favorável para ambas as partes, já que a Smiles é forte geradora de caixa, já distribui 100% do lucro através de proventos e compra as passagens com bom desconto, por conta da antecipação. Já para a Gol, é um importante reforço de caixa em um momento que a companhia trabalha forte para reduzir seu endividamento e melhorar sua estrutura financeira. Desde o começo do ano passado, a Gol reduziu seu endividamento em R$ 4,7 bilhões.

CARF derruba recurso da B3 – BM&FBovespa (BVMF3). No âmbito do julgamento que trata da amortização do ágio gerado pela incorporação da Bovespa Holding S.A. pela BM&F em maio de 2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negou o recurso apresentado pela bolsa paulista. A companhia, que agora, depois da fusão com a Cetip passou a ser nomeada de "B3", esclareceu que, após o término de todos os procedimentos no CARF, submeterá a discussão à análise do Poder Judiciário, bem como que o valor atualizado do processo, em 31/dez/2016, era de R$ 1,18 bilhão. A B3 reafirma seu entendimento de que o ágio foi constituído regularmente, em estrita conformidade com a legislação fiscal, e também afirmou que continuará sua amortização. Adicionalmente, a empresa não pretende fazer neste momento provisionamento contábil de qualquer valor já que continua classificando a probabilidade de perda como remota. De toda forma, as ações BVMF3 podem ser penalizadas no curto prazo.

CADE atende pedido de Estácio (ESTC3) e Kroton (KROT3). Ontem, o tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que analisa o caso de união entre as operações das companhias aprovou o pedido de extensão do prazo de análise por mais sessenta dias da data anteriormente estabelecida como limite para seu parecer. Assim, o processo poderá ser encerrado até a data de 27/jun/2017 e este vencimento ainda pode ser prorrogado por mais trinta dias, no máximo, mediante decisão justificada. Em vista da complexidade da transação, acreditamos que o órgão antitruste deverá propor os chamados "remédios" para aprovar a fusão das empresas, entre eles a venda de ativos no mercado de ensino à distância e, até mesmo, a alienação e/ou congelamento da captação em algumas instituições de ensino presencial. Continuamos a monitorar de perto os possíveis riscos para a aprovação pelo CADE, mas, de todo modo, as ações ESTC3 e KROT3 já reagiram a partir da tarde do pregão ontem, o que certamente diminuirá o fluxo de negócios com os ativos hoje.

AGENDA DE DIVIDENDOS


Bons negócios.