Quarta-Feira, 5 de abril de 2017

 
 

Bom dia,


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Banco Central retifica projeções no Relatório de Inflação. Na noite de ontem, o Banco Central anunciou que as projeções de inflação no seu Relatório Trimestral de Inflação saíram com alguns erros, e deve mexer bastante com o mercado hoje. No cenário de juros e câmbio constantes, a projeção para inflação (IPCA) em 2017 era de 3,9% e foi corrigido para 3,6%, a previsão para 2018 também mudou, saindo de 4% para 3,3% ficando bem perto do piso da meta. Para o cenário híbrido, juros constantes e dólar de mercado (Focus), o IPCA projetado para 2017 indicava 3,9% e foi corrigido para 3,7%. Já para 2018, a projeção indicava uma inflação de 4,2% passando para 3,5%. O restante da publicação não foi alterada. As mudanças devem elevar as apostas para uma aceleração ainda maior no corte de juros nas próximas reuniões.

Prorrogado o julgamento da chapa Dilma e Temer. Nem deu tempo para que o relator desse seu voto no julgamento no TSE, que foi suspenso para que novos depoimentos fossem anexados ao processo, o que acabou animando o mercado no pregão de ontem. Outra parte foi o tempo que Temer terá para trabalhar sua agenda de governo e a ainda nomeará dois ministros no TSE, já que os ministros Henrique Neves e Luciana Lóssio já estão no fim de seus mandatos. E por falar em agenda política, a PEC da Reforma da Previdência deve ser votada na Comissão Especial somente depois da páscoa.
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PMIs oficiais de mar/17 ficam ligeiramente abaixo do esperado na Zona do Euro. As sondagens de atividade econômica já haviam sido mensuradas no mês passado e os números preliminares foram revisados para baixo nessa leitura final para mar/17. O PMI de serviços do bloco europeu ficou em 56,0 pontos no mês passado, ante prévia de 56,5 e registro de 55,5 em fev/17, ou seja, houve avanço marginal, mas não tão vigoroso quanto à primeira leitura indicou. Semelhantemente, o PMI composto atingiu 56,4 pontos, frente aos 56,7 apurados previamente e 56,0 reportados há dois meses. Ambos as sondagens vieram aquém da mediana das expectativas de mercado que estavam mais próximas das leituras anteriores que foram divulgadas. Vale destacar o desempenho da maior economia do bloco que puxou esses resultados para cima. O PMI composto alemão chegou aos 57,1 pontos no mês passado e a sondagem de serviços atingiu 55,6 pontos, subindo um ponto em relação aos números de fev/17 (56,1 e 54,4, respectivamente). Mesmo com o resultado oficial levemente inferior as estimativas, o cenário econômico europeu continua a sinalizar uma melhora consistente da dinâmica da atividade por lá que é bem recebida pelos mercados mundo afora.

Agenda carregada nos EUA. Começando às 9h15, com o dados de emprego no setor privado, onde a expectativa do mercado era para a criação de 189 mil postos no mês de março, mas foram criados 263 mil, superando a projeção com alguma folga, o que deve animar o mercado hoje. Saem mais tarde dois indicadores de atividade no setor de serviços, em março, o PMI, da Markit, às 10h45 e ISM às 11h, com previsão de piora para 57,0 contra 57,6 no mês anterior. E no final da tarde vem a ata do FOMC, após o aumento de juros na última reunião.

PMIs da China serão divulgados mais tarde. No finalzinho do dia, o instituto Caixin divulgará os PMIs (não oficiais) do setor de serviços e o composto (que inclui o setor de serviços e indústria), ambos referentes ao mês de março. Com certeza essa divulgação trará influência para a abertura do pregão de amanhã, ainda que a expectativa seja de uma estabilização da atividade, após o índice de serviços cair ao menor patamar dos últimos quatro meses na última leitura.

Bolsas em alta. Os mercados asiáticos fecharam no azul nessa quarta-feira, impulsionados pela volta das Bolsas chinesas após feriado, repercutindo um grande plano de investimentos do governo Chinês em uma nova zona econômica. As dúvidas em relação ao desenrolar da reunião entre Trump e Xi Jinping, amanhã, acabaram ficando para segundo plano. Na Europa, o dia também é majoritariamente positivo, com o DAX, da Bolsa de Frankfurt fugindo da regra. A grande expectativa do dia gira em torno da ata do FOMC e dos indicadores na agenda americana (texto mais acima). Por aqui, fatores internos devem trazer ventos positivos para o Ibov, com destaque para a errata do Bacen sobre o seu relatório de Inflação (texto na parte sobre mercado interno).

 
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Gol (GOLL4) divulga prévia com as estimativas do 1T17. A cia aérea anunciou suas estimativas iniciais para os números do 1T17 com dados que apontam recuperação de margem bem forte. A empresa espera margem operacional entre 12,0% e 12,5%, contra 8,3% no mesmo trimestre do ano anterior e 7,4% no 4T16. A Gol estima queda de 3,0% a 3,5% na receita ponderada pela oferta de assentos, mas uma queda nos custos de 6,0% na mesma métrica (ex-custos de combustíveis). Em geral, esperamos que o mercado receba os números prévios positivamente.

Petrobras (PETR4) conclui venda de NTS. A petrolífera anunciou a conclusão da venda de 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste – NTS para um fundo gerido pela Brookfield Brasil Asset Management Investimentos. Com isso a estatal recebeu o pagamento de US$ 4,23 bilhões, sendo US$ 2,59 bilhões referentes à venda das ações e US$ 1,64 bilhão  referente a debênture conversíveis em ações emitidas pela NTS, com vencimento em dez anos, para substituição de sua dívida com a Petrobras. Outros US$ 850 milhões, também referente à venda das ações, será recebido parcelado em cinco anos. A estatal, que continua com participação de 10% na NTS, também informou que continuará a utilizar as instalações de transporte de gás natural da NTS, por meio dos contratos já existente, além da Transpetro continuar responsável pela operação e manutenção dos ativos, por meio de um novo contrato firmado nesta operação, com vigência de dez anos. Ainda que a venda já tivesse sido anunciada em setembro de 2016, a conclusão dessa transação deve favorecer os papéis PETR4 hoje.

Itaúsa (ITSA4) compra participação em empresa vendida pela Petrobras (PETR4). A companhia anunciou que adquiriu participação de 7,65% na Nova Transportadora do Sudeste, empresa que opera gasodutos nos estados de SP, Rio e Minas, conectando-os ao gasoduto Brasil-Bolívia, aos terminais de GNL e às plantas de processamento de gás. A participação foi comprada do fundo de participações que comprou 90% da companhia da Petrobrás. O negócio foi fechado por US$ 292,3 milhões, US$ 220,0 milhões à vista (R$ 696,9 milhões) e o restante nos próximos 5 anos, com câmbio do momento do pagamento. A Itaúsa também adquiriu debêntures conversíveis em ações da NTS, com vencimento em 10 anos e no valor de R$ 442,1 milhões. A NTS tem autorização para operar os gasodutos pelo menos até 2039 e 100% da capacidade está contratada pela Petrobras em contratos com vencimentos entre 2025 e 2031. Tarifa é regulada e reajustada por IGP-M. Uma aposta bastante defensiva da Itaúsa.

Advanced Digital Health (ADHM3) apresenta balanço e plano de capitalização. A empresa pré-operacional de medicina preventiva divulgou seus resultados de 2016 que não possuem efeito comparativo, uma vez que houve mudança de objeto social durante o 1º Sem/16 e também porque não há qualquer receita advinda da operação da companhia. Desta forma, as despesas totais no passado foram de R$ 7,5 milhões, mas o prejuízo líquido foi menor, de R$ 1,8 milhão, em função das receitas financeiras decorrentes do dinheiro captado pela companhia e que ainda está em caixa. Falando nisso, a controladora da empresa, Metropolis Capital Markets GmbH, comprometeu-se em aportar mais R$ 3,5 milhões nos próximos três meses por meio de empréstimos mútuos entre as partes que terão por finalidade viabilizar o desenvolvimento da plataforma digital da companhia, operação essa que está 90% concluída, segundo fato relevante divulgado hoje. Cabe ressaltar que o guidance apresentado pela empresa prevê faturamento líquido entre R$ 15,0 milhões e R$ 22,0 milhões para este ano diante do início do funcionamento da plataforma digital que tem previsão de começo das vendas agora para o 2º Trim/17. Estamos acompanhando de perto a evolução das operações da companhia e acreditamos que em virtude da nova capitalização de seu controlador, as ações ADHM3 vão reagir positivamente em bolsa.

Notícias dão conta de que intervenção federal poderá ser a única solução para Oi (OIBR4). Algumas reportagens foram publicadas hoje pela imprensa brasileira, tendo destaque duas matérias do jornal Valor Econômico. Nelas, executivos de bancos credores da operadora posicionam-se contrários ao novo plano de recuperação judicial apresentado pela companhia e indicam que, se não houver acerto entre os atuais sócios controladores e os credores da Oi, a intervenção regulatória do governo federal pode ser a única solução para conciliar o acordo entre as partes. De qualquer forma, vislumbramos que em meio à inúmeras incertezas que cercam a operadora, a volatilidade nos seus papéis em bolsa certamente continuará ainda por um bom tempo.

Demanda excede em quase três vezes a oferta de ações da Alupar (ALUP11). A companhia fixou o preço das UNITS em R$ 19,50 na Oferta Pública Restrita concluída ontem, valor 4,6% menor do que o preço de fechamento da ALUP11 no último pregão. Com isso, a companhia captou R$ 833,5 milhões, aumentando seu capital social para R$ 2,15 bilhões. Esse montante deve ser destinado para a obtenção de novas concessões (com destaque para o próximo leilão de transmissão, previsto para o dia 24/04) e aquisição de participação em empreendimentos que já possuem alguma posição ou de novos ativos. A companhia também anunciou que a demanda por UNITS superou em cerca de três vezes o volume ofertado, o que pode trazer algum ânimo para seus papéis no curto prazo. As novas ações devem entrar em negociação no pregão de amanhã (06/04).

AGENDA DE DIVIDENDOS


Bons negócios.