Sexta-feira, 3 de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


Chapas presidenciais tomam forma. O calendário das convenções nacionais dos partidos chega ao fim neste próximo domingo e as articulações políticas são muito intensas na reta final. Os destaques de hoje ficam para a definição dos vices de Geraldo Alckmin e Marina Silva. Com a aliança feita com os partidos do chamado "centrão", muitos nomes foram lançados para compor a chapa encabeçada pelo tucano, que ontem chegou ao acordo em torno da indicação da senadora Ana Amélia, porém o anúncio oficial da chapa deverá ser feito somente amanhã. Já a candidatura de Marina conquistou sua primeira coligação partidária e a chapa presidencial deverá ser oficializada também amanhã tendo como vice o ex-deputado federal Eduardo Jorge. A corrida eleitoral deverá movimentar os mercados na sessão de hoje que, em termos de agenda econômica, está pouco relevante.

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PMIs desaceleram na China e na Zona do Euro. Tendo como pano de fundo os receios com as disputas comerciais dos EUA ao longo do mês passado, as sondagens de atividade referente à julho retrataram o menor nível de expansão ao arrefecerem em relação aos patamares finais registrados em junho. Na China, o PMI composto saiu de 53,0 pontos para 52,3 no mês passado e o PMI do setor de serviços tombou de 53,9 pontos para 52,8, vindo até abaixo das previsões de mercado. Já o PMI composto do bloco econômico europeu recuou menos, para 54,3 pontos de 54,9, enquanto que o indicador do setor de serviços diminuiu um ponto percentual nessa leitura, de 55,2 pontos em junho para fechar julho em 54,2. Além dos PMIs, tivemos no velho continente a divulgação das vendas no varejo, que avançaram 0,3% na passagem de maio para junho e 1,2% na comparação com jun/17, porém esse resultado ficou abaixo da mediana das projeções de mercado, em 0,4% e 1,4%, respectivamente.
   
Mercado de trabalho é destaque nos EUA. Além da taxa de desemprego do mês passado, que deve recuar dos 4% atuais para 3,9%, o ganho médio por hora também deve apresentar ligeira melhora, enquanto o número de criação de empregos deve seguir forte, mas um pouco aquém do registrado em junho. A agenda dessa sexta-feira ainda conta com a divulgação de dados do setor de serviços e com números da balança comercial de junho, que deve apresentar novo déficit da ordem de US$ 43 bilhões, alimentando os temores quanto a um recrudescimento das relações comerciais, principalmente entre Washington e Pequim.

Bolsas divergem nesta manhã. Enquanto na Ásia a maior parte das Bolsas encerraram o pregão com novas perdas, diante de indicadores mais fracos da China e de uma nova desvalorização do yuan, na Europa os índices operam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, no embalo de resultados corporativos e com investidores à espera de dados da economia norte-americana. Por aqui, a temporada de balanços deve dar algum ânimo aos investidores, com destaque para o resultado da Petrobras, que comentamos a seguir, e o noticiário político balizando os rumos do Ibov.

 
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Lucro da Petrobras (PETR4) supera expectativas. Além do melhor desempenho operacional, que já era esperado, a expressiva redução das despesas financeiras também contribuiu para a alta de 44,6% no lucro líquido em apenas três meses, para R$ 10,07 bilhões. Questões como a alta na cotação do petróleo, a desvalorização do real, o maior market share e aumento das vendas de combustíveis no mercado interno explicam, em boa medida, o EBITDA ajustado de R$ 30,06 bilhões neste segundo trimestre, 16,6% maior que o 1T18, com margem de 35,6%. O desempenho mais pressionado nos segmentos de distribuição, devido, principalmente, a greve dos caminhoneiros, e de gás e energia, pelos maiores dispêndios com importação de GNL, ficaram em segundo plano, assim como o menor volume de produção. Voltando às boas notícias, o fluxo de caixa livre de R$ 16,37 bilhões também foi destaque positivo, assim como a redução de sua alavancagem financeira. Ademais, a companhia anunciou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 0,0425 por ação, com pagamento a ser realizado ainda esse mês, no dia 23. A data ex é o próximo dia 14/08 e o yield é de apenas 0,2%. Contudo, suas ações devem reagir de forma positiva à divulgação, já que os números foram ainda mais positivos do que era esperado.

Forte resultado do IRB (IRBR3).
A companhia de resseguros entregou forte crescimento no top line com prêmios retidos saltando 37,4% na comparação com o 2T17, com destaque para os prêmios emitidos no exterior, com forte crescimento. Mesmo no mercado brasileiro, o IRB consolidou ainda mais sua liderança, com ganhos de market share, que no 2T17 foi de 44% contra 46% no trimestre em análise. A sinistralidade veio com redução de 4,7 p.p., o que ajudou na rentabilidade da companhia. O resultado financeiro veio menor, por conta da redução dos juros, ainda assim, o lucro líquido avançou 24,0% na comparação anual, vindo acima da expectativa para esse trimestre. Esperamos reação positiva do mercado à divulgação.

SulAmérica (SULA11) também traz números positivos. Destaque para o crescimento nos prêmios, especialmente no segmento de saúde e odonto, o principal da SulAmérica, que foi de 15,0% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. A sinistralidade mostrou melhora, destaque aqui para o ramo de automóveis com redução de 7,8 p.p. no indicador. O índice combinado, que mostra a relação entre as despesas e as receitas, veio menor, o que significa melhora operacional, pelos fatores que comentamos acima. O resultado financeiro mostrou deterioração, assim como no caso do IRB, como era de se esperar, pela queda na Selic entre os trimestres, mas o lucro líquido da empresa apresentou boa evolução. Também esperamos reação positiva do mercado aos números da seguradora.

Mais um trimestre consistente do Banco ABC (ABCB4), sem grandes surpresas. Os números vieram bem em linha com o apresentado no último trimestre, com crescimento moderado da carteira. Destaque para a elevação da margem financeira com o mercado, compensada pelo nível um pouco maior de despesas de PDD, ainda que sigam bem abaixo do patamar observado no mesmo período do ano passado. Outro ponto positivo da divulgação foi o bom avanço das receitas de serviços, com fees de mercado de capitais e M&A 58,6% maiores em apenas três meses. Vale destacar que já no 3T18, o banco lançou uma plataforma digital de investimentos voltada para o varejo, chamada ABC Personal. Vemos os números de forma positiva, mas bem dentro do esperado para esse trimestre.

Mesmo com queda no faturamento, Le Lis Blanc (LLIS3) eleva suas margens. A companhia reportou queda de 2,1% em sua receita líquida, com vendas mesmas lojas crescendo apenas 0,9%, se comparado ao 2T17. Esse fraco desempenho reflete o ambiente mais desafiador, marcado por eventos extraordinários como a greve dos caminhoneiros e jogos da Copa do Mundo. Entretanto, o maior volume de vendas a preço cheio, com redução de 50,3% no volume de vendas com descontos no período e o maior controle de custos e despesas elevaram as margens da empresa neste 2T18. O EBITDA ficou 8,8% maior, com margem de 29,4%, 2,9 p.p. acima do 2T17. O lucro líquido deste 2T18 foi de R$ 30,3 milhões, contra R$ 8,3 milhões no 2T17. Contribuíram para esse resultado, além da melhora operacional refletida no aumento de EBITDA, uma menor despesa financeira e menor volume de depreciação e amortização

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