Quinta-feira, 2 de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


Produção industrial se recupera da greve e IPC desacelera. O efeito da greve dos caminhoneiros vai sendo superado nos índices de atividade e de inflação e hoje mais dois exemplos. O IBGE divulgou a produção industrial de junho com alta de 13,1% compensando a queda de 11,0% observada no mês de maio. Na comparação com junho de 2017, alta de 3,5%. Tendência é que a partir de julho o índice volte à normalidade, refletindo o real estado da economia. Já o IPC da Fipe, que mede os preços ao consumidor no município de São Paulo, apresentou variação de 0,23% em julho, com destaque para a retração dos preços de alimentos e transporte. Saúde e habitação, na outra ponta, seguiram em alta, o que manteve o índice geral no campo positivo. O IPC vinha de uma alta de 1,01% em maio.

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Inflação ao produtor europeu acelera mais do que o previsto. O PPI referente a junho registrou avanço de 0,4% na comparação com maio e de 3,6% em relação a jun/17, superando a mediana de mercado que estava em 0,2% e 3,4%, respectivamente. Todavia, o aumento de preços no setor de energia (1,1% contra mai/18) foi o que mais inflacionou o PPI nesta leitura e excluindo tal categoria, para medir o denominado núcleo da inflação, o índice teria variado em linha com as projeções de mercado.
   
Banco da Inglaterra eleva taxa de juros. Agora pela manhã, a autoridade monetária confirmou as sinalizações recentes e subiu a taxa básica de juros de 0,5% para 0,75% a.a. em decisão unânime. Apesar da alta nos juros, os dirigentes do  BoE optaram por manter o volume total do programa de compra de ativos em 435 bilhões de libras. O comunicado da decisão destacou que as perspectivas econômicas podem ser influenciadas pelos desenvolvimentos relacionados com a saída do Reino Unido da União Europeia, mas que o aperto monetário neste momento é apropriado para retornar a inflação à meta de 2% ao ano.

Trump volta a ser destaque nos EUA. Após a reunião do FOMC não trazer grandes novidades ontem, ao manter os juros e sinalizar mais duas altas esse ano, confirmando as expectativas, hoje os holofotes se voltam para os próximos passos de Donald Trump, que estuda aumentar o imposto sobre produtos chineses, de 10% para 25%. Em termos de agenda, o destaque fica com os dados do Conference Board sobre encomendas à indústria e de bens duráveis, que devem apresentar alguma aceleração em junho.

Bolsas mundiais pressionadas. Novamente as tensões comerciais entre EUA e China, que detalhamos mais acima, seguem afetando os mercados bursáteis mundo afora. No lado oriental do planeta, os principais índices acionários caíram bem nesta quinta-feira, que ainda reserva a divulgação do PMI composto chinês relativo ao mês passado em que se espera sensível arrefecimento, o que também afeta a cotação das principais commodities ligadas a demanda do gigante asiático. No ocidente, as Bolsas europeias seguem o tom internacional mais negativo e reagem pouco a agenda econômica de hoje, que comentamos anteriormente.

 
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Resultado sem grandes surpresas da Gol (GOLL4), que revisa projeções. A companhia teve um trimestre mais pressionado que o 1T18, como era de se esperar por uma série de fatores como sazonalidade, câmbio, preço do combustível e para fechar com chave de ouro, a greve dos caminhoneiros. Ainda assim, a Gol mostrou evolução na comparação com o 2T17. A receita mostrou bom avanço de 9,0%, mesmo com o efeito considerável da greve no transporte de cargas, cuja receita caiu 2,8%, sendo compensada pela elevação do faturamento com passageiros. A principal linha de custos da companhia, combustível, teve uma alta de 25,9% e pressionou o resultado operacional, ainda assim, a margem operacional veio de 1,0% no 2T17 para 1,8% nesse trimestre. Com R$ 1,0 bi de variação cambial, o resultado financeiro veio negativo em R$ 1,26 bi, levando a companhia a um prejuízo líquido de R$ 1,32 bi. Como comentamos, a Gol revisou suas projeções para os próximos dois anos e a principal mudança foi do bottom line, por conta especialmente de câmbio e combustível. A cia estimava lucro por ação entre R$ 0,90 e R$ 1,10 e agora estima um prejuízo por ação entre R$ 1,20 e R$ 1,00 para 2018. Excluindo o efeito da variação cambial, o resultado deve ficar entre R$ 0,10 e R$ 0,30 por ação, sendo que a Gol não abria esse número anteriormente. Para 2019, o lucro por ação também foi revisto da faixa entre R$ 1,70 a R$ 2,30 para R$ 1,50 a R$ 1,90. O resultado e a projeção mostraram mais pontos negativos, mas consideramos que eles já estão bem precificados nos papéis da cia aérea, mitigando o efeito negativo que a divulgação poderia ter.

Resultado da TOTVS (TOTS3) veio aquém do esperado. Como comentamos no diário de ontem, o ambiente atravessado pela desenvolvedora de softwares ainda é bastante adverso e o balanço do 2T18 retratou este contexto ao reportar tímida melhora, porém bem abaixo das previsões de mercado. Nos números ajustados e comparados com o 2T17, a receita líquida avançou 4,4% ainda refletindo a lenta recuperação da demanda no segmento de softwares e também em razão do declínio na unidade de hardware (Bematech), que viu sua receita líquida cair 8,5% em um ano. A manutenção da estrutura de gastos não permitiu ganho de margem EBITDA na comparação com o segundo trimestre do ano passado e, por conta da desaceleração nas vendas na passagem do 1T18 para este segundo trimestre, houve expressiva perda de 2,3 p.p. na margem. Por fim, o lucro líquido reportado recuou 2,5% com o efeito da variação cambial sobre o resultado financeiro no período. Consideramos o desempenho trimestral apenas regular e bem abaixo das estimativas, o que poderá pressionar os ativos TOTS3 em bolsa.

Greve impacta resultados da Ultrapar (UGPA3). O EBITDA da companhia foi afetado em cerca de R$ 189 milhões pela paralisação do sistema de transportes rodoviários no finalzinho de maio. Com isso houve queda de 6% na comparação anual e retração de 10% ante o 1T18. O volume de vendas na Ipiranga continuou em ritmo fraco, sendo parcialmente compensado pela expansão na rede de postos. Já o desempenho da Oxiteno foi ainda melhor que o esperado, em reflexo da combinação de maior volume, preço e câmbio no período, que se sobressaiu frente aos custos pré-operacionais da nova unidade dos EUA. A companhia irá distribuir dividendos de R$ 0,56 por ação, com data ex no próximo dia 10/08 e yield de 1,4%. Essa distribuição pode trazer uma influência levemente positiva para UGPA3, já que o balanço em si deve ter impacto neutro,  uma vez que ficou dentro do esperado.

Resultado financeiro impulsiona lucro da BR Distribuidora (BRDT3). O EBITDA da companhia ficou um pouco aquém das estimativas, mas ainda assim saltou 5,6% em um ano, mesmo diante das perdas de R$ 200 milhões com a greve dos caminhoneiros. A maior margem de comercialização explica, em boa medida, esse desempenho, em que pese o mix mais desfavorável, com maior venda de etanol em detrimento da gasolina no período, e a queda de 4,2% no volume total de vendas, ante o 2T17. Soma-se a isso a expressiva melhora no resultado financeiro e o lucro líquido da companhia saltou dos R$ 70 milhões registrados há doze meses para R$ 263 milhões agora. Contudo, diante do crescimento operacional um pouco aquém do esperado, os papéis da companhia podem reagir de forma marginalmente negativa à divulgação.

Duratex (DTEX3) reporta bons números. Nesse 2T18, a companhia apresentou aumento de 27,4% em sua receita líquida em relação ao mesmo período de 2017. O crescimento de 22,8% da receita no mercado interno refletiu principalmente a alta no volume vendido nas divisões madeira e Deca, a venda de ativo biológico, a incorporação dos resultados da divisão de revestimentos cerâmicos e os aumentos de preço realizados no período. No mercado externo, a alta foi de 49% com destaque para a elevação do volume exportado de painéis de madeira e os efeitos decorrentes da variação cambial. O EBTIDA ajustado (desconsiderando a venda de terra e florestas para a Suzano) veio 23,5% maior se comparado com o 2T17, dado o maior controle de custos e despesas. O lucro líquido recorrente do 2T18 foi 11,0% maior, refletindo em um ROE de 2,3%. Para os próximos períodos, a Duratex enfatiza que o cenário continua complicado e muito volátil, entretanto, segue confiante na melhoria da rentabilidade de seus negócios, principalmente por conta de suas iniciativas de venda de ativos tanto para a Eucatex quanto para a Suzano, além da criação de uma joint venture com o grupo austríaco Lenzing para a produção de celulose solúvel. Outro evento relevante e que irá trazer boa rentabilidade, com melhores margens, é o seu plano de expansão da capacidade produtiva em revestimentos cerâmicos. Desta forma, com o melhor resultado reportado neste 2T18 e as boas perspectivas, acreditamos que suas ações irão performar de forma positiva no pregão de hoje.

Eletrobras (ELET6) recebe aval do TCU. O Tribunal de Contas da União autorizou que a elétrica venda sua participação em 70 SPEs, mediante algumas alterações pontuais no edital dos leilões. Só não foi liberada a venda da Intensa, onde a Eletrobras pretendia vender os 49% de sua participação diretamente para a acionista majoritária, a Equatorial (EQTL3). Caso queira prosseguir com essa venda bilateral, a elétrica terá que comprovar ao tribunal a inviabilidade da venda por meio de leilão, ainda que a proposta da Equatorial seja considerada vantajosa pela estatal. De toda forma, a novidade deve dar novo fôlego para os papéis ELET6.

Petrobras (PETR4) divulga balanço amanhã, antes da abertura. Os resultados da Petrobras neste 2T18 devem ser alavancados pela contínua valorização do petróleo, que atingiu patamares que não eram vistos desde 2014, acumulando alta de mais de 10% ante o 1T18 e de quase 50% em um ano. A recuperação, ainda que gradual, dos volumes e o câmbio são outros fatores que devem favorecer os números do trimestre, mais do que compensando os impactos relativos a greve dos caminhoneiros. A média das estimativas aponta para um EBITDA de R$ 29 bilhões e um lucro líquido de R$ 7 bi, o que corresponde a uma alta de 15% e 4% frente ao 1T18, respectivamente. Entretanto, vislumbramos que essa perspectiva já está parcialmente precificada e, portanto, a divulgação deve trazer impacto apenas marginalmente positivo para PETR4 no curto prazo.

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Bons negócios