Quinta-feira, 1 de novembro de 2018

 
 

Bom dia,


Agenda pré-feriado. Essa quinta com cara de sexta tem como destaque o noticiário em torno da formação do ministério do governo Bolsonaro, não sem alguma polêmica, claro, mas que vem agradando investidores por sinalizar nomes mais técnicos para áreas chave. Na agenda de indicadores, o IPC-S veio mais comportado na última semana de outubro, enquanto a produção industrial de setembro mostrou retração de 1,8% frente agosto, terceira queda seguida. Vale lembrar que ontem, como esperado, o Copom manteve a Selic em 6,5%. A expectativa do mercado é que passadas as incertezas eleitorais mais agudas e com o dólar mais comportado, pressionando menos a inflação, a Selic pode ficar em um patamar reduzido por um período mais prolongado.

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Agenda externa. Lá fora, a temporada de balanços segue em destaque com números acima do esperado levando os futuros americanos para o campo positivo após um mês de outubro que fechou com os índices em forte queda por lá. Hoje à noite, os investidores aguardam os números da Apple. Além disso, vale lembrar que enquanto o mercado daqui estiver fechado amanhã, serão divulgados os dados do payroll, após os dados de emprego no setor privado virem bem acima do esperado. O pregão também começa no campo positivo na Europa, onde o destaque é a reunião do BoE onde a autoridade monetária britânica manteve a taxa de juros inalterada. Na China, o PMI industrial foi divulgado pelo Markit com leve elevação em relação a setembro, o que deu algum ânimo aos investidores locais, após uma série de indicadores mais pressionados nessa semana.

 


Bom resultado do Bradesco (BBDC4). O banco viu seu lucro crescer 6,0% em apenas três meses, em linha com o esperado.  Como tem ocorrido com os outros grandes bancos privados, as receitas de prestação de serviços vieram mais pressionadas na comparação com o trimestre anterior, assim como os números vindos da área de seguros, capitalização e previdência. No caso do Bradesco, isso foi compensado pela expansão da margem financeira. Houve crescimento tanto na carteira PF quanto na de micro, pequenas e médias empresas, com a de grandes empresas praticamente flat. O banco está dentro do guidance em praticamente todos os indicadores menos prêmios de seguros, onde estimou um crescimento de 2% a 6% esse ano, mas entregou queda de 3,1% nos 9M18. O ROE do banco foi a 19,0%, contra 18,4% há três meses. Esperamos reação positiva do mercado, também pela melhora no cenário de risco doméstico.

Números saudáveis do Banco Inter (BIDI4). O resultado trimestral mostrou evolução do banco com claro destaque para o ritmo de abertura de contas digitais, que eram 741 mil há três meses e passaram da marca de 1 milhão nesse trimestre. Além disso, cresceu o número de clientes investidores no banco, atingindo o número de 85 mil, o que levou a uma melhora substancial no custo de captação da instituição. A carteira de crédito do banco cresce a um ritmo mais moderado, ainda que bem acima da média do setor. O salto foi de 5,6% em três meses. O grande desafio do banco ainda é rentabilizar a grande base de clientes que ele vem conseguindo. O lucro líquido do Inter passou de R$ 17,3 milhões no 2T18 para R$ 19,1 milhões no trimestre em análise. Gostamos muito do case do banco, mas consideramos o patamar atual do preço dos seus papéis elevado.

Forte resultado da IRB (IRBR3). A expansão da operação da resseguradora foi de 16,6% na comparação com o 3T18 em prêmios emitidos, com destaque para o crescimento no exterior, de 28,4%. Com forte retração no índice de sinistralidade, fruto da melhora na precificação dos riscos e da seletividade na subscrição, levou a um avanço de 55,4% no resultado de underwriting, basicamente o resultado operacional do IRB. Além disso, o que seria o ponto fraco do resultado da empresa esse ano, que é o resultado financeiro, veio acima do esperado, com queda na comparação com o 3T17, mas queda muito inferior a queda nos juros por aqui. O IRB teve um retorno em seus investimentos de 147% do CDI nesses três meses, contra 133% do CDI no 3T17. A companhia ainda anunciou revisão do guidance para 2018 e JCP. As mudanças no guidance estão detalhadas na tabela abaixo e o JCP é de R$ 0,4942 (valor já líquido de IR) por ação. O yield é de 0,6% e os papéis ficam ex daqui a uma semana no dia 8 e o pagamento será no dia 21 de novembro.


Sinistros sob controle na SulAmérica (SULA11). A companhia viu seu lucro saltar 55% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior mesmo com queda de 23% no resultado financeiro. Essa boa evolução veio da expansão de 12% nos prêmios ganhos contra uma queda de 9,1% nos sinistros retidos. O índice combinado da SulAmérica ficou em 95,9%, 3,1 p.p. abaixo do 3T17, lembrando que esse índice mede quanto os custos e despesas representam em relação à receita, logo quanto menor, melhor. Esperamos reação positiva do mercado.

Câmbio e combustível pressionam a Gol (GOLL4). A cia aérea viu seus custos e despesas crescerem 15,6% na comparação com o 3T17, por conta da alta de 52,1% nos gastos com combustível de aviação, que é cotado em dólar, vale lembrar. Além disso, a variação cambial teve forte efeito nas despesas financeiras da companhia nesse período, levando a um prejuízo. A margem operacional da Gol caiu praticamente pela metade na comparação anual, mas consideramos que isso já era largamente esperado pelo mercado e já está bem precificado, mitigando o efeito negativo nos papéis.

Hering (HGTX3) tem resultado melhor, mas ainda fraco. A companhia começa a apresentar melhora nos seus números, mas ainda está aquém do reportado por alguns de seus pares. A receita líquida aumentou 2,8%, o EBTIDA apresentou alta de 5,6% e o lucro líquido cresceu 1,0% em relação ao 3T17. O trimestre foi marcado pela retomada gradativa das vendas da companhia influenciada pelo crescimento de todos os canais, bem como pela recuperação das vendas ao consumidor final. A transformação digital também se mostrou bem relevante para os números da companhia neste trimestre, com isso, as vendas mesmas lojas evoluíram 4,9% em comparação ao 3T17. A companhia continua engajada no controle de despesas e na busca por ganhos de produtividade, além de continuar com seu plano de transformação digital, iniciado em junho deste ano após a reestruturação organizacional. Com os números nada surpreendentes, a divulgação deve exercer influência apenas marginalmente positiva sobre os papéis da companhia hoje.

Números de Lojas Americanas (LAME4) e B2W3 (BTOW3). As companhias reportaram melhora no resultado neste 3T18, em especial a Lojas Americanas. A companhia reportou crescimento de 6,2% em sua receita líquida, EBITDA de 9,4% e lucro líquido de 165,8% maior em relação ao mesmo período de 2017. As vendas mesmas lojas cresceram 6,4%, essa melhora advém do maior número de abertura de lojas. A B2W acaba de concluir a fase de transição de seu do plano estratégico de três anos (2017-2019), focada no crescimento do volume vendido total por meio de um modelo híbrido de plataforma digital (próprio, marketplace e serviços), com crescimento contínuo do marketplace. Como reflexo dessas ações, no 3T18, o volume vendido cresceu 23,7%, com ganho de 3,7 p.p. de market share e o marketplace continua tendo um rápido desenvolvimento, com crescimento de 84,4%. Como resultado da evolução do seu modelo de negócios, a geração de caixa continua evoluindo. Entretanto, por conta da ainda acirrada concorrência e maiores despesas financeiras a companhia neste 3T18 teve aumento em seu prejuízo líquido. Desta forma, não vislumbramos grandes saltos em suas ações no dia de hoje. Vale salientar que os próximos dois meses são de fortes vendas para o setor, em especial para lojas onlines e de departamentos, com as vendas na Black Friday e no Natal.

Forte resultado da Engie Brasil Energia (EGIE3). Os números da elétrica seguiram robustos e até superaram as expectativas neste terceiro trimestre, quando o EBITDA subiu 43,5% em um ano e o lucro líquido registrou alta de 32,8%. Entre os fatores que explicam tal desempenho destaca-se a sua estratégia de comercialização, que propiciou ganhos no mercado de curto prazo, a combinação de maior volume e preço de venda de energia, bem como o rígido controle de custos e despesas. A Engie ainda anunciou a distribuição de dividendos, juros e bonificação. Começando pelos dividendos, será distribuído R$ 1,00 por ação, equivalente a um yield de 2,5%, com data ex ainda em novembro, no dia 13. O JCP é de R$ 0,5169 por ação (líquido de IR), mas, nesse caso, a data ex é apenas em 04 de janeiro de 2019. Já a bonificação será realizada mediante aumento de capital, por meio da utilização de reservas, na proporção de uma nova ação para cada quatro que o acionista possuir ao final do dia 11 de dezembro. Em 12/12 as ações passam a ser negociados como ex- direito à bonificação. Os papéis EGIE3 devem responder de forma positiva às novidades.

Copasa (CSMG3) tem desempenho mais fraco. Uma confluência de fatores pressionou os números da companhia neste trimestre, a começar pelo menor volume medido de água e esgoto. A readequação cadastral também foi outra vilã, ao deslocar consumidores para a categoria que cobra apenas pela coleta do esgoto. Nesse caso a tarifa corresponde a 37,5% da conta de água, enquanto quando há coleta e tratamento é cobrado 95%.  Ademais, houve alta no custo com energia elétrica e na linha de provisão para créditos de liquidação duvidosa. Com isso, o EBITDA recuou quase 10% em um ano, com a margem saindo dos 34,8% registrados no 3T17 para 30,8% agora. A divulgação deve trazer impacto marginalmente negativo para CSMG3.

Energias do Brasil (ENBR3) reporta bom desempenho. No segmento de distribuição, a alta de 4,2% no volume e o reajuste tarifário na EDP São Paulo e EDP Espirito Santo contribuíram para o crescimento da receita e geração de caixa no período. Já a área de geração foi favorecida pela maior alocação de energia, que mais do que compensou a menor disponibilidade térmica e o maior custo com compra de energia. Expurgando a reversão de uma provisão, o EBITDA avançou 12,1% em um ano, com margem praticamente estável, em 15,9%. Suas ações devem responder de forma positiva ao balanço.

Minerva (BEEF3) tem autorização para exportar carne bovina para Rússia. Notícia bem positiva para o setor e principalmente para o frigorífico que teve algumas de suas plantas autorizadas a voltar a exportar carne bovina para a Rússia. Já os outros frigoríficos de capital aberto (BRF, JBS e Marfrig) ainda não tiveram suas plantas aptas a retomarem as exportações. A companhia reportará seus resultados no dia 07 depois do fechamento do pregão.

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Bons negócios