Quarta-feira, 1º de agosto de 2018

 
 

Bom dia,


IPC-S desacelera. O índice desacelerou para 0,17% em julho, 0,21 p.p. abaixo da última divulgação. Das oito classes de despesas sete apresentaram decréscimo em suas taxas de variação, com a maior contribuição partindo do grupo alimentação. Com este resultado, o indicador acumula alta de 3,17% no ano e de 4,22% nos últimos 12 meses.

Copom deverá manter os juros inalterados hoje. A expectativa majoritária é que a Selic permanece em 6,5% a.a. ao final da reunião de hoje, assim como tem sido sinalizado pela autoridade monetária desde a decisão de maio passado quando optou por suspender o ciclo de cortes na taxa básica de juros. As incertezas tanto do ambiente interno, sobretudo de natureza política, quanto no cenário internacional têm impactado sobremaneira os rumos da política monetária por aqui, e, portanto, a comunicação do Banco Central tende a ganhar muita importância para balizar as expectativas dos mercados. Ademais, na agenda de hoje ainda teremos indicadores do setor industrial, com maior destaque para o PMI referente a julho que poderá indicar a retomada da produção no terceiro trimestre após a significativa queda entre maio e junho causada pela greve dos caminhoneiros.

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PMI industrial europeu confirma leve aceleração em julho. A sondagem da atividade industrial na Zona do Euro foi divulgada hoje cedo e registrou 55,1 pontos, mesmo índice apurado na leitura preliminar referente ao mês passado e que representa um crescimento em relação aos 54,9 pontos reportados ao final de junho. Dentre as principais economias da região, destaque positivo para o desempenho industrial alemão, que segue bem acima da média, com 56,9 pontos, e negativo para a indústria britânica que reduziu o ritmo de expansão da atividade pelo terceiro mês consecutivo, ao chegar aos 54,0 pontos.

Fed é destaque nos EUA. Em meio a uma agenda robusta, destaque para a decisão do FOMC. Não que o comitê de política monetária vá trazer alguma grande novidade, pelo contrário, as apostas de uma manutenção dos juros nessa reunião são unânimes no mercado, mas qualquer sinalização a respeito da condução da política monetária no curto e médio prazo deve balizar o desempenho dos mercados bursáteis. Por ora, a expectativa majoritária é de que ocorram mais duas altas dos juros ainda esse ano, em setembro e dezembro. O PMI e o ISM industrial de julho também ficam no radar, enquanto o número de criação de empregos no setor privado surpreendeu nesta manhã, ao registrar a abertura de 250 mil novas vagas em julho, ante os 177 mil da última leitura.

Bolsas pressionadas lá fora. O dia é majoritariamente negativo para as Bolsas asiáticas e europeias com o recrudescimento das tensões comerciais entre EUA e China, distante do tom mais amistoso adotado na reunião entre americanos e europeus na semana passada. A Bolsa de Shanghai fechou em queda de 1,8%, destaque entre os principais mercados. Mercado deve ficar de olho na reunião do FOMC, mais especificamente na sinalização em relação a condução da política monetária no futuro próximo.

 
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Resultado abaixo do esperado da Smiles (SMLE3). A companhia conseguiu bom desempenho no tocante a acúmulo de milhas, com alta de 21,9% em doze meses, o que levou a elevação de 18,8% no faturamento bruto, sempre lembrando que no setor, faturamento é diferente de receita, já que o faturamento é o volume financeiro do total de milhas vendidas, que só vão virar receita quando forem resgatadas, o que pode ou não acontecer no mesmo trimestre. A receita bruta de resgate também seguiu saudável, 16,3% acima do 2T17, mas a partir daí, os números da companhia vieram abaixo da expectativa. A receita líquida consolidada da companhia caiu 8,9% em doze meses e 19,8% em apenas três meses, com destaque para a forte redução na receita de breakage (com pontos que vencidos), não muito explicada no release. O SG&A também veio pior que o esperado, com alta de 5,0% em apenas três meses e 35,2% na comparação anual. Com menores receitas financeiras, por conta da redução da taxa de juros, o bottom line veio 20,7% inferior ao do mesmo período do ano passado. Esperamos reação negativa do mercado, apesar da forte performance de acúmulo de milhas.

Vendas turbinam trimestre da CCP (CCPR3). O trimestre não trouxe grandes novidades operacionalmente, com a greve dos caminhoneiros influenciando o fluxo nos shoppings da companhia, o que afeta as vendas e outras receitas, como estacionamento. Dessa forma, a receita de locação de shoppings centers veio 2,5% menor que a do mesmo período do ano anterior. A receita de locação de edifícios corporativos também veio menor, 3,4%, por conta da queda considerável de receita dos empreendimentos classe A, enquanto os AAA tiveram leve elevação de 1,5%. Os custos relativos a locação tiveram leve alta, mas como houve queda na receita, pressionaram a margem EBITDA. O alívio nas despesas financeiras por conta da redução da alavancagem e da queda dos juros trouxeram o bottom line para o campo positivo. Não esperamos uma forte reação do mercado à divulgação.

Arezzo (ARZZ3) foi prejudicado por maiores despesas operacionais e pelo câmbio. O lucro líquido do período veio 15,7% inferior em relação ao do 2T17, sendo impactado negativamente pela piora do resultado financeiro provocado pela variação cambial. Excluindo o efeito cambial, que não tem efeito caixa nesse trimestre, o lucro teria subido 19,4%. Já a sua receita líquida apresentou crescimento de 13,7% sobre o 2T17, com aumento de 3,9% nas vendas mesmas lojas. A melhora no faturamento da empresa advém da alta de 25,5% do canal e-commerce chegando a alcançar 10,1% da receita bruta e dos canais franquias e multimarcas. Em marcas, o destaque do período ficou com Anacapri e Arezzo, com crescimento de 51,5% e 13,5%, respectivamente. O EBITDA veio 12,4% maior, mas a margem acabou tendo uma leve queda de 0,20 p.p., sendo afetada negativamente pelas maiores despesas operacionais e pelas operações nos EUA. Para o próximo período a companhia segue confiante e mantém seu plano de expansão, suportada pela sua sólida posição de caixa e melhores retornos dos investimentos.

Transmissão Paulista (TRPL4) reporta bom desempenho. Os números regulatórios da companhia seguem impulsionados pelo recebimento de R$ 497,3 milhões referentes a indenização dos ativos não amortizados na época da renovação antecipada das concessões (RBSE). Mas, mesmo expurgando esse efeito, a companhia apresentou desempenho robusto, com o EBITDA avançando 19,8% e a margem atingindo 80,4%, ganho de 8,2 p.p. em doze meses. Incluindo o recebimento da RBSE, que deve ocorrer até meados de 2025, a margem foi de 92,4% no período. O reajuste tarifário, aliado ao controle de custos e normalização do resultado de equivalência patrimonial explica tal desempenho. Vislumbramos que a divulgação deve ter impacto marginalmente positivo sobre os papéis TRPL4 no curto prazo.

BRF (BRFS3) refinancia sua dívida. A companhia anunciou que fez um acordo com o Banco do Brasil para o refinanciamento de sua dívida. O montante total envolvido nesta operação, entre rolagens e novas captações, é de aproximadamente R$ 4,3 bilhões com prazo de até 3 anos. O volume vincendo no presente ano e parte relevante do montante a vencer em 2019 estava em aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Desta forma, acreditamos que suas ações irão performar positivamente no pregão de hoje.

Ultrapar (UGPA3) e BR Distribuidora (BRDT3) divulgam balanço hoje, após o pregão. Para Ultrapar a expectativa é de um desempenho mais fraco neste 2T18, com a demanda por combustível ainda claudicante e a concorrência mais acirrada pressionando a margem dos postos Ipiranga. A valorização do dólar deve contribuir com as operações da Oxiteno, ainda assim estimativas apontam para queda de cerca de 8% do EBITDA de agora frente ao do 2T17. Por outro lado, apesar do contexto setorial desafiador, a BR deve apresentar alguma melhora frente ao 2T17, em reflexo da redução de despesas operacionais, pela recente reestruturação organizacional, e pelo menor impacto do câmbio sobre o resultado financeiro, dado o menor endividamento desse ano. Dessa forma, os papéis da UGPA3 devem ficar pressionados, enquanto BRDT3 podem ter desempenho marginalmente positivo, em que pese as recentes investigações sobre uma possível manipulação de preços no Paraná, que além da Ultrapar e da BR também envolve a Raízen, da Cosan (CSAN3).

TOTVS (TOTS3) apresenta seu desempenho hoje. O ambiente atravessado pela desenvolvedora de softwares ainda é bastante adverso, porém o comparativo do 2T18 com o 2T17 deverá apontar uma sensível melhora, sobretudo no que tange à rentabilidade da companhia, em função do maior controle de gastos operacionais. Neste contexto, o faturamento líquido deverá ter tímida alta de 3%, mas para o EBITDA se espera um avanço maior, de 6%, e para o lucro líquido o crescimento estimado é ainda mais robusto, de 35%. Em virtude dessas expectativas para o balanço da TOTVS, consideramos que seus papéis tendem a reagir antecipadamente em bolsa de forma positiva.

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